sábado, 13 de fevereiro de 2016

PROMOÇÃO DE CARNAVAL SUPERMERCADO ESTRELA

Encontro dos líderes religiosos encerrou quase milênio de Cisma Foto: Gregorio Borgia / REUTERS

Líderes católico romano e ortodoxo russo exigem fim da perseguição a cristãos

HAVANA - Fazia quase mil anos que as igrejas Católica e Ortodoxa Russa estavam separadas. Mas, de forma bastante afetuosa, os líderes das duas vertentes do cristianismo, o Papa Francisco e o patriarca Kirill, respectivamente, trocaram históricos abraços e beijos no aeroporto de Havana, logo após o desembarque do Sumo Pontífice. 

No encontro de ontem, os dois dirigentes emitiram uma declaração conjunta pedindo o restabelecimento da unidade no cristianismo e uma ação imediata da comunidade internacional para proteger cristãos da brutal perseguição, inclusive genocídios, que sofrem no Oriente Médio e no Norte da África. 

 Eles condenaram a violência que tem custado milhares de vidas no Iraque e na Síria, deixando sem lar e meios de vida milhões de pessoas. Com cerca de 1,1 bilhão de católicos romanos e 150 milhões de ortodoxos russos — de um total de 300 milhões de ortodoxos — ambos os líderes tentam usar da grande influência política que detêm para conseguir a estabilidade nestas regiões.

Finalmente! Somos irmãos’

  Finalmente! — exclamou Francisco em direção a Kirill no momento em que ambos adentravam um salão no Aeroporto de Havana, cada um vindo de uma porta em lados opostos. — Nós somos irmãos.

O Papa, vestindo traje e solidéu brancos, entrelaçou os braços com Kirill, que usava um chapéu branco, alto, abobadado, com uma cruz ortodoxa dourada no topo e do qual pendiam estolas sobre as vestes negras — em seguida, beijaram-se nas duas bochechas.

 Está muito claro que esta é a vontade de Deus — ressaltou Francisco.

Prontamente, o patriarca ortodoxo respondeu ao Pontífice, ambos auxiliados pelos intérpretes:

Sim, as coisas estão muito mais fáceis agora.


 

As duas vertentes religiosas estavam separadas desde 1054, quando o Grande Cisma dividiu os ramos ocidental e oriental do cristianismo. Enfim reunidos, o Papa e o patriarca discutiram, por cerca de duas horas, outros problemas comuns, como o racha e as disputas territoriais entre as duas igrejas após a queda da União Soviética. Acusada durante décadas de proselitismo por parte dos ortodoxos russos, a Igreja Católica tenta superar a desconfiança e evita condenar a política intervencionista do presidente russo, Vladimir Putin, na Ucrânia, gesto apreciado pela Igreja Ortodoxa, ainda que criticado pelos católicos ucranianos de rito grego, que apoiam o governo de Kiev.

Lamentamos a perda da unidade. Conscientes dos muitos obstáculos a superar, esperamos que nosso encontro contribua para a obtenção da unidade enviada por Deus”, afirmaram Francisco e Kirill na declaração de 30 tópicos, que assinaram na presença do presidente cubano, o ateu Raúl Castro, anfitrião e facilitador do encontro. Eles ressaltaram que “famílias inteiras, aldeias e cidades” de maioria cristã do Oriente Médio e Norte da África estão sendo “completamente exterminadas”. “Erguendo nossas vozes em defesa dos cristãos perseguidos, também nos solidarizamos com sofrimentos de seguidores de outras tradições religiosas, que se tornaram vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista.”

A reunião dos dois clérigos, que surpreenderam ao anunciar o encontro em cima da hora, na semana passada, foi alcançada após negociações feitas em sigilo. E deve abrir caminho para uma visita do Papa a Moscou e do patriarca ao Vaticano. Além disso, através do líder ortodoxo, Moscou volta a estender sua influência no Ocidente, num momento em que a Rússia se encontra isolada.

 Há um terceiro protagonista, o presidente Putin”, escreveu, em seu blog, o vaticanista Marco Politi, ao recordar que Francisco recebeu, no ano passado, o líder russo por duas vezes no Vaticano. “Seria uma ingenuidade pensar que a repentina disponibilidade do patriarca não está relacionada com o papel da Rússia neste momento geopolítico”, acrescentou Politi.

A escala histórica em Cuba foi apenas o começo da viagem para ambos os religiosos. Francisco segue para o México, onde vai percorrer seis cidades, incluindo a perigosa Ciudad Juárez, e deve discursar contra a pobreza e a desigualdade. Também está previsto um encontro com os pais dos 43 estudantes desaparecidos no estado de Guerrero em 2014, bem como com o presidente Enrique Peña Nieto. O Pontífice celebrará uma missa na fronteira com os EUA — o que motivou críticas de Donald Trump, o mais bem colocado candidato republicano na corrida à Casa Branca, para quem “o Papa é muito político”. Já o patriarca Kirill, vai visitar, nos próximos 11 dias, países da região, entre eles o Brasil e o Paraguai.

Falamos claramente, sem meias palavras — disse brevemente Francisco a jornalistas, ao final da reunião.

Por sua vez, o líder religioso russo destacou que “as duas igrejas podem cooperar protegendo aos cristãos em todo o mundo”. Na despedida, assim como no começo do histórico encontro, Francisco e Kirill trocaram novamente abraços e beijos.

As diferenças conceituais

 

Deus e a Virgem Maria

Católicos romanos: Deus trinitário, com o Espírito Santo procedendo do Pai e do Filho. A Virgem Maria teria sido concebida sem pecado original e foi redentora junto a Cristo, antes de ser elevada corporalmente ao Céu

Ortodoxos: Creem num Deus trinitário, no qual o Espírito Santo só vem do Pai. Não acreditam em privilégios à Virgem Maria em sua concepção, nem que ela tenha sido elevada ao Céu após sua morte

Purgatório e pecado

Católicos romanos: Creem no Purgatório, aonde vão as almas que precisam ser purificadas. Por causa de Adão e Eva, todos os seres humanos chegam ao mundo com o pecado original. Celibato obrigatório para o clero

Ortodoxos: Negam a existência do Purgatório, achando insuficientes as provas dos católicos. Não creem no pecado original, apesar da inclinação do homem ao mal. O celibato só é obrigatório ao alto clero

Imagens e o crucifixo

Católicos romanos: Imagens e estátuas são permitidas nos templos católicos. Seu crucifixo tem um eixo horizontal e um vertical, maior em função da representação de como Jesus morreu

Ortodoxos: As imagens são permitidas nos templos, mas as estátuas, não. Seu crucifixo tem duas travessas a mais que o católico. Uma delas, inclinada, representa os cravos nos pés de Jesus na cruz

Hierarquia e seguidores

Católicos romanos: A autoridade máxima é o Papa, que lidera a Igreja de Roma e é considerado infalível nas questões doutrinárias. Tem cerca de 1,1 bilhão de seguidores, sendo a maior seita cristã no mundo

Ortodoxos: A autoridade máxima são os patriarcas, sejam de Rússia, Grécia ou Jerusalém. O de Constantinopla é o primeiro entre os pares. Tem 300 milhões de seguidores. Metade é de ortodoxos russos

Templos e liturgia

Católicos romanos: As igrejas têm bancos que permitem a visibilidade do altar de qualquer ponto. Seus fiéis têm acesso a ele para comungar. Desde as últimas décadas, as missas não costumam passar de uma hora

Ortodoxos: Os templos ortodoxos não costumam ter bancos. Uma área reservada do santuário só pode ser acessada pelo sacerdote. Suas missas são solenes e podem durar horas — até uma noite inteira.

Havana, neutra e sigilosa 

  

Causa estranheza a escolha de Cuba como cenário para o encontro histórico entre o Papa Francisco e o patriarca Kirill, primado da Igreja Ortodoxa Russa. Mil anos tiveram que se passar do Cisma que separou católicos e ortodoxos para que os líderes de ambas igrejas aceitassem se reunir. E, obviamente, a pergunta que se faz hoje meio mundo é: por que Havana?

Dizia o Prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez que não há melhor lugar no mundo do que Cuba se alguém quer se reunir em segredo para conspirar, ou negociar discretamente o problema mais insolúvel. “Difícil vazar algo, e o que se atrever, já sabe”, brincava Gabo.

Ao proverbial controle cubano — bem resumido no dito popular de que “aqui só se sabe o que se quer que se saiba”— soma-se a condição de “território neutro” de Havana. No caso de negociações duras ou com marcadas tintas ideológicas, como entre as Farc e o governo colombiano, está clara a segurança que Cuba pode oferecer a ambas as partes.

O patriarca Kirill foi quem consagrou a Catedral Ortodoxa de Nossa Senhora de Kazan, em Havana, em 2008, quando era arcebispo de Smolensk e Kaliningrado. A primeira vez que viajou à ilha foi em 1994, quando as relações entre Fidel Castro e a Igreja Católica eram especialmente tensas. O líder cubano permitiu a visita do patriarca, cujo objetivo era revitalizar a pequena comunidade ortodoxa russa na ilha após o desaparecimento da União Soviética. Posteriormente, Castro autorizou a construção da catedral, enquanto impedia a Igreja Católica de construir novos templos.

Esta boa relação, somada à condição de Havana como aliada do governo russo, fazem da ilha um bom lugar para a celebração do encontro com o Papa, que também tem uma sintonia muito especial com Raúl Castro. Se Francisco serviu de mediador com os Estados Unidos para ajudar na normalização das relações entre Havana e Washington, agora Cuba aparece como um anfitrião confiável, discreto e seguro para dois líderes espirituais que estão simplesmente há um milênio sem se dirigir a palavra.


Reconstruções da aparência de dois indivíduos neandertais do Museu Neandertal de Mettmann, na Alemanha: miscigenação com humanos modernos deixou marcas em nosso genoma que influenciam funcionamento do sistema imune
Foto: EFE/Scheidemann/Carstensen

 O sistema imunológico dos humanos modernos (Homo sapiens) deve muito de sua eficiência atual aos neandertais e denisovans, espécies humanas arcaicas com quem dividimos o planeta durante dezenas de milhares de anos. Dois estudos independentes publicados esta semana no periódico científico “American Journal of Human Genetics” tomaram caminhos diferentes para chegar à mesma conclusão: variações genéticas herdadas das duas espécies aumentaram a capacidade, entre as pessoas que as carregam hoje, de lutar contra infecções. Esta “herança bendita”, porém, também tem um custo, já que esses mesmos genes podem ter deixado o organismo mais propenso a alergias, caracterizadas por uma reação exagerada do sistema imunológico.

Segundo os pesquisadores, o cruzamento entre os humanos modernos e os neandertais e denisovans teve forte influência, na diversidade do genoma das populações atuais, em três genes responsáveis pela codificação de proteínas fundamentais para o funcionamento do chamado sistema imunológico inato. Nossa primeira linha de defesa, este sistema tem atuação mais rápida, embora inespecífica. Isto é, atua contra qualquer tipo de micro-organismo ou substância invasora.

REFORÇO EM TRÊS GENES

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Os três genes que ganharam reforço dos humanos arcaicos, batizados TLR1, TLR6 e TLR10, regulam a produção de proteínas que atuam na superfície das células, onde detectam componentes de bactérias, fungos e parasitas. Com isso, eles estimulam respostas inflamatórias e antimicrobianas e ativam nosso sistema imunológico adaptativo, o que “aprende” a lutar contra micro-organismos específicos e “lembra” dos invasores com os quais já tivemos contato. Justamente por isso, o sistema adaptativo é a base da eficácia de estratégias de defesa como as vacinas.

— Estes e outros genes da imunidade inata apresentam níveis mais altos de ancestralidade neandertal do que o resto do genoma codificante (a parte de nosso DNA que governa a produção de proteínas e outros compostos essenciais à vida) — explica Lluis Quintana-Murci, pesquisador do Instituto Pasteur em Paris, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) da França e principal autor de um dos estudos. — Isso destaca o quão importantes os eventos de introgressão (trocas de genes entre espécies) podem ter sido para a evolução do sistema imunológico inato dos humanos modernos.

Vários estudos anteriores publicados nos últimos anos já mostraram que entre 1% e 6% do genoma de populações humanas modernas fora da África Subsaariana vieram de espécies arcaicas como os neandertais e os denisovans. Diante disso, Quintana-Murci e seus colegas decidiram investigar como isso poderia ter influenciado a evolução do nosso sistema imunológico inato. A partir da grande quantidade de dados disponíveis sobre pessoas atuais compilada pelo Projeto 1.000 Genomas e do sequenciamento genético de humanos arcaicos, eles se focaram em 1,5 mil genes que se sabe estarem envolvidos com essa estrutura de defesa.

Numa análise detalhada e sem precedentes dos padrões de variação genética desses genes e das mudanças evolutivas nas regiões onde eles estão, os pesquisadores, comparando esses dados com o resto do genoma humano, estimaram quando estas alterações ocorreram. Da mesma forma, os cientistas identificaram o quanto desta variação é devida aos genes herdados dos neandertais.

A pesquisa também mostrou que muitos desses genes pouco mudaram durante longos períodos de tempo, num sinal de que sua funcionalidade foi mantida. Já outros genes ligados ao sistema inato sofreram alterações seletivas rápidas, em que uma nova variante surgia e logo ganhava predominância, possivelmente devido a mudanças no ambiente ou como resultado de uma epidemia. Desta forma, muitas das adaptações nesses outros genes ocorreram nos últimos 13 mil a 6 mil anos, à medida que as populações humanas deixaram de ser caçadoras-coletoras e se organizaram em grupos para se dedicar à agricultura.

— Mas nossa maior surpresa foi ver que o agrupamento dos TLR 1, 6 e 10 está entre os genes com maior ancestralidade neandertal tanto entre os europeus quanto entre os asiáticos — destaca Quintana-Murci.


OUTRO ESTUDO REFORÇA CONCLUSÃO

Já o grupo de cientistas liderado por Janet Kelso, do Instituto Max Planck para Antropologia Evolucionária em Leipzig, na Alemanha, queria saber qual a importância funcional dos genes arcaicos nos humanos atuais de uma forma mais ampla. Eles analisaram o genoma de pessoas de hoje em busca de regiões que tivessem alta similaridade com o genoma dos neandertais e denisovans, além de sua prevalência em populações modernas espalhadas pelo planeta. A investigação os levou justamente aos mesmos três genes TLR.

Segundo a pesquisa de Janet e equipe, duas das variantes nesses genes são mais similares ao genoma dos neandertais, enquanto a terceira apresenta semelhança com o dos denisovans. O estudo indica que estas variantes ofereciam uma vantagem seletiva por estarem associadas a mais atividade do sistema imune inato, com uma reação maior a patógenos (agentes causadores de doenças). Assim, embora esta maior sensibilidade possa aumentar a proteção contra infecções, também pode elevar a vulnerabilidade a alergias.

— O que emergiu de nosso estudo, assim como do outro trabalho, é que a miscigenação com humanos arcaicos teve implicações funcionais no homem moderno. Sua consequência mais óbvia foi moldar nossa adaptação ao ambiente pela melhoria de resistência a patógenos e da metabolização de novos alimentos — esclarece Janet, para quem a ideia faz muito sentido. — Os neandertais viviam na Europa e no Oeste da Ásia cerca de 200 mil anos antes da chegada dos humanos modernos. Provavelmente já estavam adaptados ao clima, alimentos e patógenos locais. Ao nos misturarmos com eles, ganhamos adaptações vantajosas.

DNA dos neandertais pode levar a doenças no homem moderno



Ainda há neandertais dentro do homem moderno. De 1 a 4% do DNA de pessoas de ascendência euroasiática foi herdadode nossos ancestrais. O que não se sabia era como este percentual pode ter influenciado características físicas e o comportamento do homem moderno. A resposta vem em um estudo da Universidade de Vanderbilt (EUA) publicado hoje na revista “Science”. O legado genético está relacionado à exposição a diversos tipos de doença, especialmente epidérmicas, e ao risco de desenvolvimento de depressão e dependência de nicotina.

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Após analisar amostras biológicas de 28 mil pacientes, a equipe de John Capra, professor de Ciencias Biológicas da universidade, observou que o DNA neandertal afeta a biologia da pele do homem moderno, particularmente o risco e desenvolver lesões de pele induzidas pelo Sol, as queratoses.

Há, também, uma associação entre o DNA neandertal e uma vasta gama de características, incluindo doenças imunológicas, neurológicas, psiquiátricas e reprodutivas — explica John Capra, autor principal do estudo.

De acordo com o estudo, um trecho específico do DNA neandertalense pode aumentar significativamente o risco de dependência de nicotina. E um número de variantes está ligado ao risco para desenvolvimento de depressão: alguns positivamente e outros negativamente.

De fato, um número surpreendente de trechos do código genético neandertalense estão ligados a efeitos psiquiátricos e neurológicos.

— O cérebro é incrivelmente complexo, por isso é razoável esperar que a introdução de alterações durante a evolução tenha algumas consequências negativas — explica Corinne Simonti, coautora do estudo.

Segundo os pesquisadores, o DNA neandertalense mantido pela população atual pode ter fornecido vantagens adaptativas ao homem moderno há 40 mil anos, quando ele migrou para ambientes não-africanos, onde estava sujeitos a diferentes patógenos e a outros níveis de exposição ao Sol. No entanto, muitos desses traços podem não ser mais vantajoso em ambientes modernos.


Um exemplo é uma variante neandertalense que aumenta a coagulação do sangue. Ela poder ter contribuído para os nossos antepassados lidarem com patógenos encontrados em ambientes ainda desconhecidos, prevenindo sua entrada no corpo e selando as feridas mais rapidamente. Em ambientes modernos, no entanto, esta variante tornou-se prejudicial, porque a hipercoagulabilidade aumenta o risco de acidente vascular cerebral, embolia pulmonar e complicações na gravidez.

De acordo com Capra, a pesquisa estabelece uma nova forma de investigar questões sobre os efeitos de eventos nos últimos estágios da evolução humana.

O estudo foi limitado à comparação de variantes do DNA neandertal com características físicas (fenótipos). Outras informações presentes em registros médicos ainda serão analisadas, como testes e imagens de laboratório.

Paracetamol na gravidez aumenta risco de bebê ter asma



Pesquisadores europeus encontraram evidências de que a asma pode ser, boa parte das vezes, causada pela exposição de mulheres grávidas ao paracetamol. Os resultados foram publicados nesta quarta-feira, dia 10, no periódico científico “International Journal of Epidemiology”.

 

— Descobrir os potenciais efeitos adversos (do paracetamol) é questão de saúde pública, já que ele é o analgésico mais comumente usado entre gestantes e crianças — assinalou a coautora do estudo, Maria Magnus, da Divisão de Saúde Mental e Física do Instituto Norueguês de Saúde Pública, em Oslo, capital da Noruega.

 

Participaram da pesquisa cientistas das Universidades de Oslo e de Bristol, na Inglaterra. Eles analisaram dados do Estudo Norueguês Cohort da Mãe e da Criança e compararam associações entre o desenvolvimento de asma e o período de gestação de 114.500 crianças — com e sem o uso de paracetamol. Eles examinaram a ocorrência da asma estritamente aos 3 e 7 anos, avaliando a probabilidade de isso ser resultado de um dos três gatilhos mais comuns para o uso de paracetamol na gravidez: dor, febre e gripe.

 

Os resultados mostraram que 5,7% das crianças tinham asma aos 3 anos, e 5,1% tinham asma aos 7. A pesquisa encontrou uma ligação consistente entre as crianças que têm asma aos 3 anos e que tenham sido expostas ao paracetamol durante a gravidez. A associação mais forte foi observada se, durante a gravidez, a mãe utilizou paracetamol por causa de mais de uma queixa diferente. No entanto, os autores do estudo fazem questão de frisar que as novas conclusões não implicam, automaticamente, quaisquer mudanças nas recomendações sobre o uso de paracetamol entre as mulheres grávidas.

 

O estudo, o maior de seu tipo, contraria pesquisas anteriores, uma vez que não encontrou nenhuma evidência forte para uma associação entre asma infantil e o uso de paracetamol pela mãe depois do nascimento da criança ou o uso de paracetamol pelo pai. Isso significa que a doença não pode ser causada por características ou comportamentos de saúde partilhados pelos pais.

EUA e Cuba assinarão acordo para retomada de voos comerciais



WASHINGTON/HAVANA - Autoridades americanas viajam para Havana na próxima semana para assinar um pacto de aviação que vai restaurar voos comerciais programados entre EUA e Cuba pela primeira vez em mais de 50 anos, disse o Departamento de Transportes nesta sexta-feira. Isto abrirá caminho para até 20 voos diários entre os recém reaproximados países.

O acordo será efetivado em 16 de dezembro. As companhias aéreas americanas ainda precisarão solicitar autorização dos órgãos reguladores de seu país para operar rotas específicas antes de venderem passagens para Cuba.

Segundo a Bloomberg, empresas como American, Southwest and United estão propondo novas rotas. Um dos novos destinos buscados é Miami, historicamente um reduto de imigrantes cubanos que deixaram o país durante os governos de Fidel e Raúl Castro.

Apesar de já haver voos charter entre os países, o acordo deve aumentar o turismo e negócios na ilha.

— O acordo reforça a meta do presidente Barack Obama de construir relações com Cuba. É um avanço muito positivo — disse Thomas Engle, do Departamento de Estado.

O turismo em Havana tem crescido desde o degelo com os EUA. Recentemente, os Rolling Stones anunciaram um show para a capital cubana.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Papa Francisco e Patriarca Kirill reconciliam as duas Igrejas após um milênio de divisão

Patriarca Kirill, chefe da Igreja Ortodoxa Russa, é recebido pelo presidente de Cuba, Raúl Castro, em Havana, 11 de fevereiro de 2016.

O Papa Francisco chega nesta sexta-feira (12) a Havana, em Cuba, para um encontro histórico com o líder da Igreja Ortodoxa Russa, o patriarca Kirill, antes de iniciar sua viagem ao México.

Francisco partiu de Roma às 07h45 no horário local e deve desembarcar no aeroporto José Martí às 14h00, no horário de Havana (17h no horário de Brasília), onde se dará a primeira reunião entre os líderes das duas Igrejas após uma ruptura de quase um milênio: o cisma de 1054 separou Ocidente e Oriente em duas civilizações opostas, salpicadas por um oceano de discrepâncias e uma visão de mundo que durante séculos pareciam irreconciliáveis

 O Papa Francisco, em foto de 30 de janeiro, e o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, em foto de 7 de janeiro (Foto: AP Photo/Ivan Sekretarev/Andrew Medichini) 

O papa decidiu antecipar seu voo para o México para conseguir fazer uma escala em Cuba, enquanto o patriarca ortodoxo, que já está na ilha, pretende fazer uma turnê de 11 dias por outros países da América Latina, incluindo o Brasil.

O líder da Igreja Católica será recebido pelo presidente cubano, Raul Castro, que mediou a organização da histórica reunião em seu país. O presidente cubano recebeu Kirill na quinta-feira (11), no aeroporto.

"Os povos da Rússia e de Cuba estão unidos por muitos anos de relações de cooperação e amizade", disse Kirill em um breve comentário aos jornalistas presentes na sua chegada. "E eu terei aqui uma oportunidade, conversando com as pessoas, de transmitir os bons votos do povo russo", acrescentou o patriarca

O Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, conduz cerimônia na Catedral de Assunção, em Moscou, em 4 de novembro de 2015 (Foto: AP Photo/Alexander Zemlianichenko) 

Kirill planeja visitar a comunidade ortodoxa na ilha caribenha e, depois de se reunir oficialmente com o presidente cubano, visitará uma escola de crianças com deficiência e assistirá a um concerto de música, de acordo com uma nota do Ministério das Relações Exteriores de Cuba.

Além disso, ele também colocará uma coroa de flores diante da estátua do soldado soviético desconhecido, em homenagem aos mortos na II Guerra Mundial, e celebrará uma liturgia na Catedral Ortodoxa Russa em Havana.

O patriarca não falou sobre o encontro com Francisco, que acontece hoje após quase 20 anos de intensas negociações e gestos de boa vontade, tais como a entrega, pelo Vaticano, de imagens sagradas para os russos.

A situação mundial de crises e conflitos tornou urgente a reunião dos líderes das duas Igrejas mais importantes do mundo cristão. Além disso, existe uma preocupação comum a respeito das comunidades cristãs no Oriente Médio e no norte e centro da África, alvos de perseguição e genocídio. Inclusive, este será um dos temas abordados no encontro.

"A Santa Sé e o Patriarcado de Moscou esperam que [o encontro]também seja um sinal de esperança para todas as pessoas de boa fé. Eles convidam todos os cristãos a orar fervorosamente para que Deus abençoe este encontro, que dê bons resultados", disse Raul Castro à imprensa local.

Medvedev: 'o terrorismo se tornou globalizado

Primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev


O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, às vésperas da Conferência de Segurança em Munique, concedeu uma entrevista o jornal alemão Handelsblatt, e abordou temas como a ameaça do terrorismo à segurança internacional e na crise de confiança que existe entre Rússia e Europa.

Ao ser perguntado sobre os riscos da atual crise de segurança no mundo, Medvedev observou que um dos maiores desafios da comunidade internacional é a globalização dos métodos terroristas. “Agora, infelizmente, aplica-se (o terrorismo) a toda Europa. Este é provavelmente o principal problema. Hoje é impossível sentir-se tranquilo em qualquer país do mundo”, comentou.
“Em alguns países, hoje em dia, os terroristas se enxergam como o poder legítimo e dirigem o país utilizando métodos terroristas", declarou Medvedev.

 "Não gostamos — cortamos a cabeça; não gostamos — cortamos em pedaços. E para quê? Seja em nome de algum dogma religioso, seja simplesmente porque ‘nós achamos que assim é certo’. Aqui se encontra a principal ameaça que, devo admitir, a humanidade de hoje não conseguiu lidar”, afirmou o primeiro-ministro ao jornal alemão. 

Ao ser questionado sobre o fato de que a Europa estaria em uma crise de confiança em relação a Rússia após a eclosão da crise ucraniana, o primeiro-ministro concordou que há uma crise de confiança, lembrando que na crise econômica de 2008-2009 também houve crise de confiança entre as partes. Segundo ele, estre problema só pode ser superado através da manutenção dos contatos.

“Isto é, infelizmente, estamos agora em um caminho ruim. Mas uma parte importante deste caminho nossos parceiros europeus é que devem percorrer, principalmente a liderança dos países da União Europeia(…) os líderes dos países europeus, não as empresas (as empresas qurem comercializar e investir – isso está entendido), devem definir se vão restaurar as relações com a Rússia ou não”, destacou o primeiro-ministro.

A seguir à Grécia, ministro português também cede ao Eurogrupo

Da esquerda à direita: os ministros das Finanças de Portugal, Mário Centeno, da Finlândia, Alexander Stubb, da Grécia, Euclid Tsakalotos, e da Alemanha, Wolfgang Schauble, no encontro das pastas na sede do Eurogrupo em 11 de fevereiro de 2016

Acaba de terminar em Bruxelas a reunião dos ministros das Finanças da zona do euro, que avaliou, entre outros temas, as linhas gerais do Orçamento proposto pelo novo governo socialista português.

O tom do ministro português Mário Centeno à saída da reunião foi, não obstante as declarações em linguagem muito técnica, de submissão às exigências das regras econômicas europeias.

"Portugal está muito comprometido em manter uma trajetória de consolidação orçamental no cumprimento daquilo que são as suas obrigações no âmbito europeu.", disse o ministro à saída da reunião em declarações ao canal SIC.

Na coletiva de imprensa no fim da reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, o presidente deste organismo, Jeroen Dijsselbloem, referiu que os ministros das Finanças da zona do euro saudaram o compromisso das "autoridades portuguesas de prepararem medidas adicionais para garantir que o Orçamento de Estado 2016 irá cumprir o Pacto de Estabilidade e Crescimento".

O ministro português declarou há poucos minutos em Bruxelas:
"Em linha com a opinião da Comissão Europeia, aquilo que o Eurogrupo pede ao Governo português é para estar preparado para adotar novas medidas quando elas forem necessárias <…> O governo tem que estar preparado e tem que preparar essas medidas".

Antes desta reunião do Eurogrupo, já tinha havido uma negociação do governo português com a Comissão Europeia. Houve conversações durante vários dias (semelhantes às efetuadas com a Grécia) e, por fim, chegou-se a um acordo de compromisso, o que levou a recuos do governo português relativamente a algumas políticas que estavam no seu programa eleitoral e que não será possível concretizar.

O primeiro-ministro, António Costa, confessa que gostava mais da versão inicial do Orçamento de Estado, mas teve que alterar o documento porque prefere que Portugal continue na zona do euro.

Primeiro-ministro de Portugal, António Costa, durante a assinatura de um acordo com a transportadora aérea TAP, em 6 de fevereiro de 2016
 
 
Primeiro-ministro de Portugal, António Costa, durante a assinatura de um acordo com a transportadora aérea TAP, em 6 de fevereiro de 2016
O primeiro-ministro admite que cedeu às pressões da Comissão Europeia para poder permanecer na zona do euro.

Desta forma, a política económica socialista, voltada para aliviar a anterior "austeridade", repor os cortes nos salários e pensões feitos pelo anterior governo, já não vai ser levada à prática tal como foi anunciada no programa eleitoral do PS.

 Mais do que isso: estas cedências, ao que foi dito hoje na reunião do Eurogrupo, não serão as últimas.
O que significam então em linguagem mais simples as "medidas adicionais" indicadas acima? Significam que, se o governo português quiser levar a cabo uma política mais de esquerda, favorável à população mais carenciada (e, provavelmente, aumentar a despesa), terá a Comissão Europeia, trimestralmente a "corrigir" tais opções, a exigir mais cortes ou mais impostos.

Coincidência ou não, esta quinta-feira foi dia de nova queda na bolsa de Lisboa. O PSI 20 desvalorizou 4,47%. Os juros da dívida pública portuguesa subiram hoje exponencialmente, já ultrapassando os 4,5%.

Talvez por isso mesmo, Mário Centeno quis acalmar os mercados à saída da reunião do Eurogrupo:
"Os ministros partilharam a necessidade de comunicar ao mercado todos estes compromissos, todos estes princípios de ação, que fazem deste governo um governo que pretende melhorar o processo de reformas estruturais", disse, citado pelo canal de TV SIC.

As conversações com a Comissão Europeia levaram o deputado Paulo Sá, do Partido Comunista (partido que concedeu apoio parlamentar ao atual governo) a reclamar:
"Dizemos não à chantagem, às pressões e às ingerências grosseiras de Bruxelas que impediram mais medidas de caráter positivo", afirmou o deputado durante a audição do ministro das Finanças no Parlamento.

No fundo, o governo de Lisboa, para respeitar o referido Pacto de Estabilidade e Crescimento, não terá uma política autónoma. Esta será sempre alvo de "acompanhamento" e "monitorização" por parte de Bruxelas.

Pentágono convoca monarquias do Golfo para guerra na Síria

Ashton Carter, secretário de Defesa dos EUA.


Os Estados Unidos esperam que os Estados do Golfo Pérsico contribuam mais e intensifiquem a campanha militar contra o Daesh, declarou o secretário de Defesa dos EUA, Ashton Carter, nesta quinta-feira.

 "A Arábia Saudita e seus parceiros regionais têm uma função clara nessa luta, e eu espero que os seus vizinhos no Golfo intensifiquem a sua campanha contra o Daesh nos próximos dias". 

De acordo com o secretário norte-americano, vários membros da coalizão internacional antiterrorista já expressaram o desejo de contribuir mais para a campanha militar, com destaque para os países do Golfo.
Recentemente, Arábia Saudita e outros países da região disseram estar prontos para enviar tropas à Síria desde que a ação seja liderada pelos Estados Unidos. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Mark Toner, Washington está discutindo diretamente com Riad a melhor forma de realizar uma operação terrestre na Síria.

Medvedev adverte que invasão à Síria pode provocar guerra mundial

Primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev
 

O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, declarou nesta quinta-feira, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, que uma ofensiva terrestre estrangeira na Síria poderá significar o início de uma nova guerra mundial.

 As ofensivas terrestres fazem geralmente com que uma guerra se torne permanente", advertiu o premier russo, acrescentando que "todas as partes devem ser forçadas a se sentar à mesa de negociações, ao invés de desencadear uma nova guerra no mundo". 

"Os americanos e os parceiros árabes devem refletir muito bem: eles querem uma guerra permanente? Pensam eles que poderiam ganhar rapidamente uma guerra como essa? Qualquer coisa nessa ordem é impossível, principalmente no mundo árabe".

A Arábia Saudita defendeu recentemente o lançamento de uma ofensiva terrestre na Síria, liderada pelos Estados Unidos, para supostamente combater os terroristas do Daesh. A ideia foi bem recebida por Washington, que confirmou estar em negociações com Riad sobre o assunto. Outros países, principalmente do Golfo Pérsico, também já estariam prontos para participar da operação.

Síria terá uma semana para negociar o encerramento dos combates

John Kerry e Sergei Lavrov em Munique, 7 de fevereiro de 2015

O encontro do grupo internacional de assistência à Síria em Munique, realizado nesta quinta-feira, resultou em acordo sobre a necessidade de entrega de cargas humanitárias para o país no prazo de uma semana, bem como de determinar as possibilidades de cessar-fogo na república árabe

 

O encontro do grupo internacional de assistência à Síria na capital da Bavária durou muitas horas. No final da reunião, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o enviado especial da ONU na Síria, Stefan de Mistura, realizaram coletiva de imprensa. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, conversou com jornalistas em separado. O mais breve possível, dois grupos de trabalho iniciarão suas atividades: um será dedicado às questões de cessar-fogo, e outro aos assuntos humanitários.

Steinmeier informou que o encontro em Munique resultou em um acordo sobre início imediato dos esforços voltados para reduzir a violência na Síria e que, em uma semana, os combates devem ser encerrados. “Quando falamos no fim de combates, entendemos os combates entre o regime, de um lado, e partes da oposição, por outro”, destacou a autoridade alemã.

O ministro frisou que Daesh e Frente al-Nusra não serão contempladas por esta pausa, pois não deve ser dada a estes grupos a possibilidade de aumentar a sua influência na Síria.

Sergei Lavrov informou que os países do grupo de assistência à Síria concordaram em, no prazo de uma semana, preparar um estudo de modos para cessar-fogo na república árabe. “Neste tempo, o governo da Síria e os grupos de oposição poderão tomar medidas necessárias para se preparar o fim dos combates. Os modos [de cessar-fogo] serão preparados por um grupo de trabalho, sob a supervisão da Rússia e dos EUA”, disse ele.

Após a reunião em Munique, Lavrov manifestou a necessidade de aprimorar os contatos entre os militares russos e norte-americanos na Síria. Segundo o ministro, o documento conjunto da reunião contempla, pela primeira vez, a coordenação militar na Síria, o que é muito bem vindo pela Rússia.

“Devo destacar que, pela primeira vez durante o nosso trabalho conjunto, o documento aprovado hoje determina a necessidade de cooperação e coordenação não só em assuntos políticos e humanitários, mas também na dimensão militar da crise síria. É uma mudança qualitativa de abordagem que nós saudamos. Sempre defendemos isso”, comemorou Lavrov.

O ministro russo destacou que, apesar dos planos de cessar os combates, a Rússia, bem como a coalizão liderada pelos EUA, seguirão combatendo os grupos terroristas Daesh e Frente al-Nusra na Síria.

Daesh usou armas químicas e pode produzir gás mostarda, diz CIA

Especialistas em armas químicas e biológicas

Os jihadistas do Daesh usaram armas químicas na Síria e no Iraque, disse o diretor da CIA (Agência Central de Investigações dos EUA), John Brennan.

“Temos um número de instâncias onde o ISIL [uma das siglas do grupo terrorista Daesh] usou munições químicas no campo de batalha”, disse Brennan em uma entrevista à CBS News.
Ele acrescentou que o grupo terrorista possui capacidades de produzir pequenos volumes de gás mostarda e gás cloro e pode estar os exportando aos países ocidentais.

O chefe da CIA assegurou que a inteligência está ativamente engajada na busca de armas químicas ou laboratórios que produzem tais substâncias na Síria e no Iraque.

Na terça-feira (9) o diretor da Inteligência Nacional dos EUA, James Clapper, manifestou que uma investigação sobre o suposto ataque do Daesh na Síria em agosto revelou que pelo menos duas pessoas foram expostas ao gás mostarda.

O grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e reconhecido como terrorista pelo Brasil) autoproclamou-se "califado mundial" em 29 de junho de 2014, tornando-se imediatamente uma ameaça explícita à comunidade internacional e sendo reconhecido como a ameaça principal por vários países e organismos internacionais.

Porém, o grupo terrorista tem suas origens ainda em 1999, quando um jihadista de tendência salafita, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, fundou o grupo Jamaat al-Tawhid wal-Jihad. Depois da invasão norte-americana no Iraque em 2003, esta organização começou a fortalecer-se, até transformar-se, em 2006, no Estado Islâmico do Iraque.

A ameaça representada por esta entidade foi reconhecida pelos serviços secretos dos EUA ainda naquela altura, mas reconhecida secretamente, e nada foi feito para contê-la. Como resultado, surgiu em 2013 o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que agora abrange territórios no Iraque e na Síria, mantendo a instabilidade e fomentando conflitos

Coreia do Sul ‘ignorará opinião da Rússia e China’ instalando defesa antimíssil dos EUA

Soldados norte-americanos na cidade fronteiriço de Paju, Coreia do Sul, 7 de fevereiro de 2016

A Coreia do Sul irá partir dos seus interesses quando escolher o local para instalar o sistema de defesa antimíssil norte-americano mais moderno THAAD ignorando as reações da Rússia e da China, informou a agência noticiosa Yonhap citando um oficial não identificado do Ministério da Defesa do país.

“Tomar em consideração a opinião dos países vizinhos escolhendo o local para instalar o THAAD não é a maneira militar”, disse o militar. Segundo ele, as autoridades do país terão em conta “a eficiência militar”, a segurança dos residentes do país e a influência sobre o ambiente.

Na semana próxima os EUA e a Coreia do Sul iniciam negociações sobre a instalação no sul do país do sistema de defesa antimíssil THAAD (Terminal High Altitude Area Defense System) destinado a interceptar mísseis à grande altitude fora da atmosfera. Mais antes a China e a Rússia expressaram a sua preocupação sobre estes planos.

O oficial militar sul-coreano afirmou que o sistema que deve ser instalado no país será destinado somente contra a Coreia do Norte devido ao seu programa nuclear e de mísseis e não fará parte do sistema regional de defesa antimíssil norte-americano.

Não será usado para interceptar mísseis balísticos intercontinentais ou proteger o território dos EUA ou mais algum país.
“Não é obrigatoriamente que a Coreia do Sul se junta ao sistema de defesa antimíssil americano”, disse a Yonhap citando o militar. 

Mais antes o Ministério da Defesa sul-coreano afirmou que o THAAD será usado para interceptar mísseis norte-coreanos de alcance curto e médio. Segundo a Yonhap, os EUA e a Coreia do Sul pretendem instalar o sistema o mais breve possível.

Exército sírio e aviões russos destroem militantes na província de Hama

Exército sírio em Hama.

Um monte estratégico no nordeste da província de Hama na Síria foi retomado pelo exército sírio e as milícias aliadas dele após violentos combates com os terroristas do Daesh

 Dezenas de terroristas foram mortas e muitos mais feridos quando as tropas governamentais da Síria recapturaram o monte №1 Abu Zain localizado na parte oriental da cidade de Ithriyah, diz a agência de notícias iraniana FARS.

Em um outro desenvolvimento, o exército sírio atacou as fortificações defensivas perto da cidade de  Hirbnafsa e aldeia de Um Towaini no sudoeste da província de Hama.
Entretanto uma fonte militar informou que nas últimas 24 horas o exército sírio eliminou pelo menos 23 militantes em uma ofensiva contra bastiões em três aldeias na fronteira entre as províncias de Idlib e Hama.

Segundo a fonte, as forças leais ao presidente Bashar Assad destruíram uma série de fortificações do inimigo enquanto os aviões da Força Aeroespacial da Rússia e da Força Aérea síria atacaram alvos terroristas do ar naquela área.

 A Síria está em estado de guerra civil desde 2011. O governo do país luta contra um número de facções de oposição e contra grupos islamistas radicais como o Daesh (também conhecido como “Estado Islâmico”) e a Frente al-Nusra.

A Rússia realiza desde 30 de setembro de 2015, a pedido do presidente sírio Bashar Assad, uma campanha militar para ajudar o governo da Síria a combater os avanços de grupos terroristas atuantes no país.

 As missões aéreas antiterroristas estão sendo realizadas a partir da base de Hmeymim no oeste da Síria, na província de Latakia.
Entretanto no início deste mês o Ministério da Defesa da Rússia confirmou que os caças multifuncionais avançados e supermanobráveis Su-35S começaram a realizar missões de combate na Síria.

aliados dos EUA no conflito sírio ficam do lado da Rússia

Manifestação na Síria em apoio da Rússia

A participação da aviação russa no conflito sírio vem atraindo muitos aliados dos EUA no Oriente Médio a cooperar com Moscou. Quem escreve é a publicação do The Wall Street Journal, citando diplomatas árabes, israelenses e norte-americanos.

“O reforço da ação militar da Rússia na Síria é compartilhada por aliados de Washington no Oriente Médio — alguns países estão começando a ver a necessidade de trabalhar em conjunto com o Kremlin, apoiando o regime Bashar Assad", escreve o jornal.

Do ponto de vista do Wall Street Journal, esse tipo de mudança complica a situação diplomática já difícil: vitais parceiros norte-americanos ocupam posições diametralmente opostas entre si em um momento crucial.

Na última quinta-feira, representantes dos EUA, Rússia e outros países se reuniram em Munique, para discutir o cessar-fogo e a resolução a longo prazo do conflito sírio, que se arrasta há quase cinco anos.

Aqueles Estados que mais fortemente investiram na revolta contra Bashar Assad, particularmente a Turquia, Arábia Saudita e Qatar, pediram à oposição síria a não fazer concessões nas negociações e para continuar a lutar.

Já países como Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, pelo contrário, expressaram disponibilidade de aceitar o papel de Moscou na Síria e a necessidade de trabalhar mais estreitamente com o Kremlin neste sentido.

"Como resultado de nossas discussões com a parte russa, percebemos que a sua tarefa principal é a luta contra as organizações terroristas. Apoiamos todos os esforços internacionais que visam a erradicação do terrorismo na Síria", disse o ministro das Relações Exteriores egípcio, Sameh Shoukry.

"Temos de agir em conjunto e deixar de lado todas as nossas diferenças regionais", disse o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed Al Nahyan, que se reuniu com o chanceler russo, Serguey Lavrov, na semana passada.

Já a Jordânia estabeleceu em sua capital, Amã, um centro especial para coordenar as atividades na Síria com a Rússia.

Alguns analistas e diplomatas acreditam que mais aliados dos EUA tendem a ir para o lado da Rússia, porque estariam decepcionados com a posição da administração Obama sobre o conflito sírio.
"Muitas pessoas do Oriente Médio dizem que quatro anos se passaram, e os Estados Unidos organizaram um caos na Síria, ou, em geral, não fizeram nada", comentou Faysal Itani, um membro sênior do Conselho do Atlântico. Agora, esses países acreditam que a Rússia ocupou uma posição madura nesta situação, disse ele.

No ano passado, muitos países árabes tinham confiança na falta de força da posição de Bashar Assad depois da oposição lançar uma ofensiva na província de Latakia. Os militantes estavam se preparando para fazer uma ofensiva em Damasco ao largo da costa, o que poderia resultar numa pressão sobre o governo sírio.

No entanto, ao longo dos últimos meses, com a ajuda de aviação russa, o exército sírio expulsou os militantes de Latakia e os afastou para a fronteira turca.

Há trégua, mas não para os terroristas

Ajuda humanitária russa é preparada para ser distribuída em Kessab, na província síria de Latakia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que é necessário que "cada Estado civilizado tem atualmente a obrigação de fazer a sua contrubuição no combate ao terrorismo"

 O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Lavrov, ressaltou que a colaboração com os norte-americanos poderá ajudar na formaão de uma frente única antirerrorista.

Grupo de trabalho
O Grupo Internacional de Assistência à Síria (GIAS, ou ISSG, na sigla em inglês) aprovou na quinta-feira (11) um acordo que fixa uma trégua na Síria.

A reunião do GIAS teve lugar no âmbito da Conferência de Segurança em Munique, na Alemanha. Discutir segurança mundial sem lembrar-se da Síria hoje em dia seria bastante arriscado.

Segundo relatos da mídia, a reunião terminou com a assinatura de um acordo que postula a necessidade de resolver o assunto de fornecimento de aguda humanitária a todas as regiões do país e definir "a modalidade da cessão das ações militares na república árabe".

Ajuda humanitária russa chegou à cidade de Kessab, na província síria de Latakia 
 
Em uma entrevista à agência de notícias RIA Novosti, Vladimir Jabarov, primeiro vice-chefe do Comitê Internacional do Conselho da Federação (câmara alta do parlamento russo), explicou esta modalidade: "De acordo com as decisões do grupo, trata-se do cessar-fogo entre os grupos dentro do país"
 Caminhão que transportou a ajuda humanitária russa à cidade de Kessab 

No entanto, a campanha militar contra os grupos terroristas Daesh (também conhecido como "Estado Islâmico", proibido na Rússia e reconhecido pelo Brasil como uma organização terrorista) e Frente al-Nusra continua. O exército sírio avança em terra, enquanto a Força Aeroespacial da Rússia combate os terroristas do ar.

 A operação russa começou em 30 de setembro, quando o parlamento russo aprovara o pedido correspondente de Damasco.
Em 14 de janeiro de 2016, as forças aéreas russa e síria juntaram os esforços realizando a primeira operação oficialmente conjunta

 Negociações

O conflito armado na Síria, que arrastra-se desde 2011, é agravado pela presença de grupos terroristas acima descritos. No entanto, há também falta de diálogo. A tentativa mais recente, em Genebra (capital da Suíça), ficou adiada por um prazo ainda indefinido por causa da recusa de participar da bancada oposicionista. O Supremo Comitê para Negociações, órgão oposicionista baseado na Arábia Saudita, tinha anunciado a sua saída das negociações por causa de "problemas humanitários" que devem ser resolvidos primeiramente.

O enviado especial para a Síria das Nações Unidas, Staffan de Mistura, teve bastante cautela para não qualificar o acontecido como um fracasso; disse que era "uma pausa".
Nesta sexta-feira (12), de Mistura afirmou que não há uma data exata para a retomada das negociações. A única referência temporal que ele soltou foi essa: "O mais breve possível".
Porém, o dia 25 de fevereiro é falado como um prazo possível da tentativa de renovar o contato.

Lugansk denuncia S-300 ucranianos que podem preparar provocações contra aviões civis

Sistema S-300 lança míssel

A inteligência da autoproclamada República Popular de Lugansk avistou na zona controlada por Kiev em Donbass um sistema de mísseis antiaéreos S-300 que, segundo as milícias, pode ser usado para diversões, disse nesta sexta-feira (12) vice-chefe do Estado-Maior da Milícia da República, Igor Yaschenko.

Supostamente com o objetivo de realizar mais uma diversão contra as Repúblicas [de Donetsk e de Lugansk] na povoação de Petrenkovo [controlada pelo exército ucraniano] foi detectada a presença um sistema de mísseis antiaéreo S-300 e na área da povoação de Chuginka [também controlada pelo exército ucraniano] uma tripulação do sistema de mísseis antiaéreo Strela-10”, disse.

Ele sublinhou que estas armas são capazes de destruir jatos da aviação civil.
“As Forças Armadas da Ucrânia continuam violando as condições de permanência de equipamento militar previstas pelos acordos de Minsk. Assim, a nossa inteligência detectou no centro da povoação de Chervony Zhovten concentração de equipamento militar das Forças Armadas da Ucrânia proibido pelos acordos de Minsk”, declarou Yaschenko a jornalistas. 

Segundo ele, entre o material bélico reparado estava um blindado de artilharia autopropulsada 2S1 Gvozdika e guarnição de um sistema de mísseis antiaéreo Osa AKM.

Em abril de 2014, Kiev iniciou uma operação militar nas províncias de Donetsk e Lugansk para apagar os focos de insatisfação com a mudança violenta de poder no país, ocorrida em fevereiro do mesmo ano.

As hostilidades deixaram mais de nove mil mortos e 20.700 feridos, segundo números da ONU.
A questão da solução do conflito está sendo discutido, inclusive no âmbito dos encontros do grupo de contato em Minsk que desde setembro de 2014 já aprovou três documentos que regulamentam os passos de diminuição da tensão, inclusive a trégua. Porém, os dois lados do conflito denunciam violações regularmente.

O último documento – de 12 de fevereiro – prevê um cessar-fogo global no leste da Ucrânia, retirada de armas pesadas da linha de contato e criação de uma zona de segurança, assim como uma reforma constitucional com a entrada em vigor até o final do ano de 2015 de uma nova Constituição, com a descentralização como elemento-chave (tendo em conta as particularidades das regiões de Donetsk e Lugansk, acordadas com os representantes destas áreas), e também a aceitação de uma legislação sobre o estatuto de Donetsk e Lugansk.

Irã planeja desapego dos petrodólares

Barris de petróleo

O Irã pode recusar-se de usar o dólar nas suas contas do petróleo que importa para o mercado global, disse à Sputnik, o vice-ministro do Petróleo interino iraniano, Masoud Hashemian Esfahani.

Segundo Esfahani, o Irã não quer ficar dependente da moeda norte-americana e da sua circulação no mundo. Devido a algumas restrições do Plano Universal Conjunto de Ação, o Irã não lucrará do comércio de petróleo com o uso do dólar

 Na opinião do especialista iraniano Mohsen Maghsoudi, “pela primeira vista, a decisão de desdolarizar o petróleo iraniano parece mais política que econômica”, é “uma tentativa de perturbar o sistema norte-americano de petrodólares que domina o Oriente Médio”. Mas isso não é verdade. O Irã sofreu muito no período de sanções. Os ativos que obteve em resultado de comércio de petróleo foram congelados. Hoje os EUA ameaçam introduzir novas sanções relacionadas com testes iranianos de mísseis balísticos.

“Por isso, é possível que a decisão de não realizar contas em dólares seja uma tentativa de proteger os ativos iranianos de novas sanções norte-americanas. Além disso, há que lembrar que a maioria dos compradores do petróleo iraniano são a China e países da Europa com os quais comercia o Irã de forma muito intensa <…>. Por isso será muito benéfico para o Irã passar para contas em moedas nacionais (euro e yuan)”, disse Maghsoudi.

 Entretanto, o especialista afirmou que tudo dependerá dos compradores. Tendo em conta que o país pretende aumentar a produção de petróleo em mais um milhão de barris por dia. Encontrar compradores para o tal volume de petróleo é uma das tarefas mais difíceis para o Irã e a recusa de usar dólar obstaculizará esta tarefa ainda mais. Pode ser que potenciais compradores de petróleo queiram realizar contas em dólares por que é a moeda principal do seu fundo de reservas.

 É porque a decisão deve ser coletiva. Em todos os casos, a decisão de passar para contas em outras moedas deve ser benéfico para todos os atores do comércio porque o objetivo principal é vender mais petróleo a preço mais lucrativo.

Quanto resta ao governo de Cuba?

Fidel (esquerda) e Raúl Castro durante uma sessão do Partido Comunista de Cuba em 19 de abril de 2011 (foto de arquivo)


O ex-presidente do Uruguai revelou um segredo.

José Mujica disse, em uma entrevista ao jornal La República, que o atual presidente de Cuba, Raúl Castro, "vai-se [do governo], já tem a decisão tomada e tem 85 anos".
Por que?— perguntou a si mesmo. E respondeu a esta pergunta retórica assim: "Porque com a biologia não se pode lidar e é preciso respeitá-la, porque é determinante".
A data da eventual saída de Raúl Castro do governo cubano ainda não se conhece. A mídia cubana não traz esclarecimentos sobre o assunto.

Raúl Castro foi nomeado Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da República de Cuba em 2008; e em 2011, assumiu a presidência do Partido Comunista de Cuba.
O seu irmão Fidel tinha sido presidente desde 1976. Fidel Castro é o líder da Revolução Cubana, que derrotou a ditadura de Fulgencio Batista em 1 de janeiro de 1959.
O ex-presidente uruguaio lembrou-se de Cuba ao falar da sua própria situação. Respondendo a uma pergunta sobre a possibilidade de candidatar-se de novo a umas eleições presidenciais, o ex-Tupamaro disse o seguinte: "Tenho 81 anos e não sei o que será de mim quando tenha 85".

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