o saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, participa de coletiva de imprensa, em Riad, no dia 9 de janeiro de 2016
A Arábia Saudita acusou nesta terça-feira o Irã de propagar durante
quatro décadas "discórdia, agitação e caos", em um contexto no qual a
comunidade internacional tenta acalmar a tensão entre os países rivais
da região.
"Desde a revolução iraniana de 1979, o Irã estabeleceu um recorde com
a difusão de discórdia, agitação e caos na região", afirmou um alto
funcionário do ministério das Relações Exteriores, citado, mas não
identificado, pela Agência de Imprensa Saudita.
"Durante este período, o reino (da Arábia Saudita) manteve uma
política de moderação apesar de ter sofrido - assim como os países
vizinhos - as consequências de uma continua política agressiva do Irã",
acrescentou a fonte e destacou que a política iraniana se baseia
principalmente na ideia de exportar revolução.
"O Irã recruta milícias em Iraque, Líbano, Síria e Iêmen", disse o
funcionário, que acusou Teerã de apoiar o "terrorismo" e praticar
assassinatos.
A tensão entre a Arábia Saudita governada por sunitas e o
predominantemente xiita regime iraniano chegou ao ponto máximo neste
mês, quando Riad e vários de seus aliados árabes romperam relações
diplomáticas com Teerã.
A decisão foi tomada depois que manifestantes queimaram
representações diplomáticas sauditas no Irã, pouco depois que o clérigo
xiita Nimr al Nimr foi executado em 2 de janeiro passado na Arábia
Saudita.
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A
passagem de milhares de turistas por capitais com tradicionais carnavais de rua
em Estados com alto número de casos de bebês nascidos com microcefalia e
suspeita de ligação com o zika vírus pode representar um "coquetel
explosivo" e ajudar a espalhar ainda mais a doença pelo país, alerta a
coordenadora de virologia clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia,
Nancy Bellei. Até o momento há 3.530 casos de microcefalia relacionados ao zika
em 21 Estados.
Para os especialistas, o Carnaval reúne fatores de
risco preocupantes para o aumento da transmissão do zika, num momento em que a
epidemia ainda se encontra em curva de ascensão no Brasil.
O alerta se soma a um comunicado da
Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, escritório regional nas Américas da
Organização Mundial da Saúde), que nesta segunda-feira relatou aumento de casos
da síndrome de Guillain Barré em países com epidemias de zika. Em julho de
2015, 42 pessoas foram confirmadas com a doença, que causa problemas
neurológicos, na Bahia.
O "coquetel explosivo" do
Carnaval inclui, segundo os infectologistas, as grandes aglomerações de
pessoas, em geral com poucas roupas e mais vulneráveis às picadas do Aedes
aegypti (mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika),
possibilidade de chuvas, maior quantidade de lixo nas ruas e por consequência
mais chance de potenciais criadouros do mosquito.
Isso se soma ao maior numero de
relações sexuais sem proteção e risco de gestações indesejadas justamente nos
locais de maior incidência do vírus relacionado à má formação fetal, dentre
outras consequências ainda pouco conhecidas.
Segundo o último boletim
epidemiológico do Ministério da Saúde, dos 3.530 casos de microcefalia
relacionados ao zika em todo o país, 1.236 estão em Pernambuco, primeiro Estado
a identificar o aumento do problema, onde foi decretado o estado de emergência
desde novembro. Em segundo está a Paraíba, com 569 casos, e em terceiro a
Bahia, com 450 ocorrências. O Rio de Janeiro fica em 9º lugar, com 122 casos.
Alerta, riscos e 'coquetel explosivo'
Nancy Bellei, coordenadora de virologia clínica da
SBI, cita a preocupação com a transmissão sexual devido a um estudo de 2011 que
teria documentado como um cientista americano vindo do Senegal, que passava por
um surto de zika, teria transmitido a doença para a mulher, nos Estados Unidos,
através do sêmen.
Ainda precisamos de mais estudos sobre a relevância
epidemiológica dessa forma de transmissão, mas até pouco tempo também não
sabíamos da ligação entre o zika e a microcefalia. É uma doença nova, sobre a
qual ainda não se sabe muito. Não precisamos esperar para nos protegermos. Não
se pode descartar a chance de termos até um aumento de casos de zika após o
Carnaval justamente pelo contato sexual disse: Nancy
Nancy explica que o potencial de propagação
do zika devido ao Carnaval também depende da existência do mosquito nos locais
de origem dos turistas.
Se a pessoa vai para uma capital com
grande Carnaval de rua, é picada e infectada pelo zika e volta para sua cidade
mas lá não há o mosquito, ela vai adoecer, se tratar, e tudo bem. Agora, se o
local de origem tiver o Aedes, o mosquito pode
picar essa pessoa, receber o vírus e introduzir a doença num local até então
livre dela", explica.
Segundo a especialista, o Aedes é encontrado
em todos os Estados, mas a região Sul estaria menos vulnerável, por ter clima
mais frio e tradicionalmente apresentar menor incidência do mosquito.
A pesquisadora Elaine Miranda,
professora da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz, no Rio de Janeiro,
concorda que o alerta é oportuno e diz que, dadas as características de massa
de um evento como o Carnaval, quando a capacidade de resposta das unidades de
saúde tende a ser superada, é crucial que as cidades estejam preparadas para
receber milhares de foliões em meio a uma epidemia em curso.
"Medidas de controle já vêm
sendo implementadas em todas as capitais referidas. No entanto, a complexidade
do controle do mosquito e consequentemente da transmissão do vírus vai muito
além de medidas pontuais e pensadas para eventos de massa, tais como o
Carnaval", avalia.
A virologista Nancy Bellei, da SBI,
diz que é primordial que se faça um alerta muito claro. "Eu acho um erro
ignorar estes riscos e não fazer um grande alerta. O Brasil tem essa cultura,
de que se você fala a verdade está disseminando o pânico. Em outros países é
diferente", diz.
Para ela, é importante deixar claro
que as pessoas estão viajando para uma área de alta infestação de Aedes
aegypti, e que se voltarem para casa com febre sem nenhum outro sintoma de
infecção precisam procurar atendimento médico para serem investigadas para
dengue, chikunguya ou zika.
Precaução e recomendações
Na visão das especialistas é
importante que as pessoas tentem se proteger e tomem medidas de precaução
durante o Carnaval. Elas também cobram medidas do Ministério da Saúde e das
prefeituras de grandes capitais acostumadas a receber milhares de turistas.
"Práticas educativas e de
alertas para os foliões são tão bem-vindas como são estas mesmas práticas para
a população em geral. Sem dúvida todos devem ser orientados a agir em seu
próprio benefício suscitando assim, uma mudança de comportamento e consequente
redução da vulnerabilidade", diz Elaine Miranda, da Escola Nacional de
Saúde Pública.
Para os foliões, as principais
recomendações são colaborar no controle do mosquito, evitando deixar água
parada, além do uso de preservativos nas relações sexuais. O uso de repelentes
pode ajudar, desde que o produto seja reaplicado conforme as orientações do
fabricante. Usar calça e camisas compridas também pode ajudar, diminuindo a
área exposta ao mosquito - algo difícil de ser colocado em prática em meio às
altas temperaturas dos blocos de rua.
Quanto às prefeituras, as
especialistas recomendam ações intensificadas de controle do mosquito, além de
uma preparação das unidades de saúde pública e cartilhas informativas,
alertando sobre riscos e a necessidade de se proteger, além das orientações de
procurar atendimento médico o mais rápido possível em caso de febre sem
indicações claras de outras infecções.
O Ministério da Saúde diz que tem
fortalecido a capacidade de atendimento e articulação do SUS em cidades que
recebem grande influxo de turistas e que o país está habituado a sediar eventos
de massa com sucesso, tais como a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do
Mundo.
Em nota, o ministério também destacou
o site www.saude.gov.br/viajante, no ar desde maio de 2013, onde há dicas de
prevenção e cuidados durante viagens para brasileiros e estrangeiros nos
idiomas português, inglês, espanhol e francês.
A ilha de Tonga, no Pacífico, é o país mais obeso do mundo. Mais de 40%
de sua população têm diabetes e a expectativa de vida vem caindo ano
após ano. Uma das principais causas é a fraldinha de carneiro, um corte
barato localizado na barriga do animal, no extremo inferior da costela,
cheio de gordura ─ importado da Nova Zelândia.
Condiderada 'carne de segunda', fralda de carneiro é um dos vilões da mesa em Tonga
Foto: (BBC / BBCBrasil.com
Com uma expressão consternada no rosto, Papiloa Bloomfield Foliaki, de
82 anos, quase pula da cadeira para mostrar algo que, segundo ela,
ajudaria a entender o atual panorama da saúde do país.
Ela volta para a sala de seu pequeno hotel em Nuku'alofa, a capital de
Tonga, com um grande modelo de um barco de madeira nas mãos.
"Nós, tonganeses, remamos em barcos como esse por milhas e milhas. E costumávamos usar os barcos velhos como casas".
Em seguida, Papiloa franze a testa. "Mas ninguém quer mais construir
casas como essas porque preferem o que vem do Ocidente, pois acham que é
melhor. O estilo de vida tonganês é associado à pobreza", explica.
"O mesmo acontece com a nossa comida", acrescenta.
A dieta tradicional em Tonga consiste em peixe, legumes e verduras e
cocos, como se pode esperar de uma ilha repleta de palmeiras no meio do
Pacífico.
Mas em algum momento na metade do século 20, sobras de carne começaram a
chegar às ilhas do Pacífico ─ incluindo rabo de peru dos Estados Unidos
e fralda de costela de carneiro da Nova Zelândia.
Essas peças de carne eram baratas e tornaram-se imensamente populares.
"As pessoas pensam que tudo que é importado é melhor", diz Foliaki, uma
enfermeira, ativista e parlamentar aposentada que agora trabalha no
ramo da hotelaria, apesar de ser uma das poucas tonganenses com mais de
80 anos.
Obesidade atinge 34% da população de Tonga
Foto: (BBC / BBCBrasil.com
"Há casos de pescadores que pescam o peixe e depois vão aos mercados
comprar fralda de carneiro. As pessoas não sabem o que faz bem ou mal à
saúde", acrescenta.
Em 1973, 7% da população de Tonga sofriam doenças não transmissíveis ─ uma frase que virou sinônimo de diabetes no país.
Em 2004, a taxa era de 18%. Agora, é de 34%, segundo o Ministério da
Saúde de Tonga. Especialistas acreditam, contudo, que a taxa poderia ser
de 40%.
"Há toda uma geração em Tonga que foi criada comendo fralda de carne de
carneiro", diz Sunia Soakai, do departamento de saúde da Secretaria da
Comunidade do Pacífico.
"Fralda de carneiro são peças descartadas de cordeiro que não são
próprios para consumo na Nova Zelândia. Eles foram capazes de despejar
este material sobre os países do Pacífico."
'Churrasco grego'
Outrora presença constante na mesa dos tonganeses, peixe foi substituído por fralda de carneiro
Foto: (BBC / BBCBrasil.com
Pescadores tonganeses ainda caçam peixes à lança, principalmente à noite, retornando antes do amanhecer.
Clientes ansiosos pelos melhores produtos esperam por eles no cais. Ou
vão mais tarde ao pequeno mercado de peixe que funciona no
estacionamento do porto.
Peixes caçados à lança não são baratos e apenas barcos estrangeiros
usam o arrasto ─ um tipo de técnica que permite maior captura de animais
marinhos de uma única vez. No entanto, tudo é exportado.
Alguns peixes capturados manualmente também têm como destino o exterior ─ o Havaí é um dos principais compradores.
Mas mesmo no mercado de peixes, algumas barracas chamam atenção. Elas vendem frango e carneiro, ambos assados.
Latas de carne em conserva chegam a até 2,7 quilos
Foto: (BBC / BBCBrasil.com
Nos espetos giratórios feitos de fralda de carneiro, a gordura se
desprende e exala um odor pungente. A peça de carne lembra o famoso
"churrasco grego".
Segundo Soakai, é comum que um tonganês coma, em média, 1 kg de fralda
de carne de carneiro em uma única refeição. Ele mesmo ingeria tamanha
quantidade de comida no passado.
"Com o passar dos anos, engordei bastante. Cheguei a pesar 170 kg", relembra ele.
Atualmente com 100 kg, Soakai diz ter decidido mudar o estilo de vida por três razões.
"Tenho um filho de cinco anos", diz ele. "Se eu continuasse a levar a
vida que levava, meu filho certamente ficaria órfão. Em segundo lugar,
trabalho no setor de saúde, o que colocava em xeque minha credibilidade
como profissional. E o terceiro, porque fui diagnosticado com diabetes."
Alguns cientistas acreditam que o problema de Tonga se deve em parte à
genética ─ como habitantes das ilhas do Pacífico tiveram de sobreviver
longos períodos sem comida, seus corpos são programados para acumular
gordura.
'Sinônimo de beleza'
"Ser gordo aqui é sinônimo de beleza", diz Tirou Havea, presidente do Fórum da Sociedade Civil de Tonga.
Foto: (BBC / BBCBrasil.com
"Ser gordo aqui é sinônimo de beleza", diz Tirou Havea, presidente do Fórum da Sociedade Civil de Tonga.
Peso e status caminham juntas há muito tempo. O ex-rei de Tonga Tupou
4º, que morreu em 2006, detém até hoje o recorde do Guinness de monarca
mais pesado ─ ele tinha 200 kg.
A magreza está, assim, associada tradicionalmente a uma posição inferior na hierarquia social.
"Precisamos entender que se você é magro não está necessariamente passando fome", diz Havea.
Antes de morrer, Tupou 4º perdeu um pouco de peso e foi fotografado
fazendo exercício, em uma tentativa de estimular a população a ter uma
alimentação saudável
"Comer bem, em Tonga, significa comer muito", diz o reverendo Ma'afu Palu, presidente do Conselho de Saúde de Tonga
Foto: (BBC / BBCBrasil.com
Em Tonga, há também uma festividade que, aos olhos dos estrangeiros, se
assemelha a uma competição por quem come mais em menos tempo.
"Comer bem, em Tonga, significa comer muito", diz o reverendo Ma'afu
Palu, presidente do Conselho de Saúde de Tonga que trouxe para si a
missão de promover hábitos saudáveis de alimentação.
Ele está entre os muitos que criticam líderes religiosos locais por não
dar bom exemplo aos fiéis. Reverendos são símbolos de autoridade em
Tonga, uma sociedade profundamente religiosa. Segundo Palu, 85% deles
são obesos, em parte graças às festividades regulares de que participam.
Mas a epidemia de obesidade não se deve apenas às fraldas de carneiro
ou rabos de peru. Toneladas de carne enlatada são consumidas todos os
anos ─ há latas de até 2,7 quilos.
Isso sem falar nos refrigerantes.
Fast-food
"Em Tonga, estamos tentando copiar tudo o que vem de fora", diz Lepaola Vaea, secretária-adjunta da Receita Federal de Tonga.
"Assistíamos a filmes e propagandas de TV e todo mundo estava bebendo
refrigerante americano. Pensávamos: 'Uau, adoraríamos poder beber
refrigerantes, mas somos pobres e só bebemos água'. Agora, os americanos
estão bebendo água e nós estamos bebendo refrigerantes".
Em 2008, Vaea tentou, sem sucesso, aumentar o imposto sobre a venda de fralda de carneiro, como fez o vizinho Fiji.
"Houve um grande clamor público e desistimos da medida", disse ela. "É um vício", completa.
Diante de tal cenário, Tonga, que tem apenas 100 mil habitantes, sofre para mudar os hábitos alimentares.
A expectativa de vida, que girava em torno de 75 anos, caiu para 64.
Diante das filas intermináveis, uma médica do Centro Nacional de
Diabetes desabafou à reportagem. "Me sinto como se estivesse me
afogando".
Do hospital, a reportagem da BBC foi visitar uma família mórmon em que
todos ─ marido, duas esposas e três filhas ─ têm diabetes.
Uma das meninas ficou doente aos 14 anos e por quase quatro anos uma
ferida em sua perna não cicatrizou. Ela teve de amputar a perna, e este
ano recebeu uma prótese da igreja que frequenta.
Apesar dos esforços do governo para tornar as pessoas mais conscientes
dos riscos de diabetes e obesidade, ainda há um longo caminho a
percorrer. Muitos dos habitantes da ilha ainda não parecem estar mudando
seu estilo de vida ou dieta.
Reduzir o número de casos de diabetes vai levar gerações, dizem especialistas, e as coisas devem piorar antes de melhorar.
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A Caixa Econômica Federal anunciou na última semana, o 8º Salão Auto
Caixa, que será realizado entre os dias 18 e 20 de junho em parceria com
a Anfavea (fabricantes), a Fenabrave (concessionárias) e o Banco Pan. O
evento deverá contar com a participação de aproximadamente mil
concessionárias.
É mais uma das ações que o setor está realizando com o objetivo de
minimizar a queda de vendas, que está em 20,6% até maio. O Festival do
Consorciado Contemplado, que incentiva o dono da carta de crédito a
comprar, não apresentou até agora resultados significativos.
Individualmente, Chevrolet, Peugeot e Nissan, entre outras, colocaram
campanhas nas ruas para atrair clientes, conforme você vai ver mais
adiante.
O Salão Auto Caixa oferece condições especiais de financiamento para
pessoas físicas, sendo que, dependendo do perfil do comprador, ele
poderá parcelar o pagamento do valor do total do carro, portanto sem
pagar nada de entrada.
Cada comprador terá o seu perfil analisado e diante disto receberá as
condições especiais de compra. O evento também irá oferecer condições
especiais para pessoas jurídicas e frotistas. A expectativa é que com o
Salão Auto Caixa (que é realizado pela oitava vez) sejam vendidos cerca
de 33 mil carros, com faturamento de mais de R$ 1 bilhão.
“O Salão surge em um momento importante para o mercado, pois, além da
queda de vendas, o setor sofre com restrições na hora de aprovar o
financiamento”, disse o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção.
A Chevrolet colocou na mídia esta semana uma ação agressiva para atrair
o consumidor. A campanha “Milagre” oferece condições especiais para a
compra, com o cliente escolhendo o valor da entrada e o número de
parcelas. Para atenuar a falta de confiança do consumidor, a marca vai
absorver quatro parcelas do financiamento caso o devedor seja demitido
do emprego durante a vigência do contrato, num limite de R$ 1,5 mil por
parcela.
A Peugeot, por sua vez, convida o consumidor a fazer um teste com o
208, confiando que, após a experiência, ele efetive a compra. Se a opção
for a compra de um carro da concorrência, a Peugeot paga a quantia de
R$ 500 ao consumidor.
E a Nissan inicia a campanha onde pagará 100% da tabela Fipe no carro
usado dado como parte de pagamento na compra de um March ou um Versa,
além de propostas como parcelamento em três anos “sem juros”.
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Luana Piovani causou furor na internet depois de exibir sua barriga pós-parto.
A foto, que mostrava um visual chapado, na verdade enganava um
pouquinho pelo ângulo. Em razão dos comentários da mídia, a artista logo
se retratou e publicou outra imagem, mostrando que, de fato, ainda
carregava um pouco dos sinais da gravidez no abdômen. O caso gerou debate sobre a pressão estética que as mães de recém-nascidos passam para voltar a ter a silhueta
que exibiam antes da gestação. Luana fez questão de comentar em suas
redes sociais que já tinha perdido bastante peso depois do nascimento
dos gêmeos Ben e Liz, mas que continuava com flacidez, uma cicatriz
aparente e umbigo largo. Depois da polêmica, Luana Piovani postou foto mostrando os efeitos ainda visíveis da gravidez. Foto: Instagram, Reprodução
Mitos e verdades da barriga pós-parto
O assunto costuma ser uma preocupação para as novas mamães.
Mas entender como funciona e o que pode ser feito para acelerar o
processo de volta à forma auxilia na busca pelos resultados. O principal
mito é que barriga nunca vai voltar ao que era antes. Mas isso não depende apenas do momento pós-parto.
Cuidar da pele e do peso durante a gravidez são indispensáveis para
ficar em forma depois que o bebê nascer. No caso das estrias, é difícil a
a eliminação completa. Isso não significa que, com cuidado e tratamento, elas não possam clarear e ficar praticamente imperceptíveis.
O segredo é que tudo exige paciência. Afinal, seu corpo passou por mudanças profundas e a recuperação completa pode ser lenta. Resta esperar e, enquanto isso, ajudar no processo. O importante é não ficar paranoica com o peso.
Dicas para lidar com a barriga pós-parto
É preciso ter em mente que vários fatores influenciam a velocidade em que seu corpo vai se recompor depois da gestação. Sua genética,
por exemplo, é uma delas. Além disso, o peso adquirido na gravidez, a
alimentação, os hábitos de amamentação e a facilidade de praticar
exercícios conforme a recomendação médica também estão envolvidos. As atividades físicas fazem parte do processo de perda da barriguinha. Um estudo publicado pela World Academy of Science, Engineering and Technology
verificou que as mamães que começaram a fazer alguns abdominais depois
de seis semanas após o parto fortaleceram a musculatura local e
reduziram as medidas na região. Mas antes de voltar para a academia
ou para os exercícios de alto impacto, converse com seu médico sobre o
que é adequado. Mulheres que tiveram parto normal poderão voltar a ativa muito mais cedo do que as que passaram por cirurgia. A alimentação também é importante,
mas nada de dietas radicais. Afinal você precisa de muitas vitaminas e
nutrientes para alimentar o seu corpo e o do bebê, que precisa ser
amamentado. A orientação de um nutricionista é muito bem-vinda para não errar na escolha.
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Qualquer coisa que aumenta o sentimento de bem-estar é uma energia positiva. Há coisas óbvias, como aquilo que você come ou estar rodeado de amigos que deixam você feliz. A lógica a seguir é simples: a quanto
mais vibrações boas você estiver exposta durante o dia, mais saudável e
feliz se sentirá. é que algumas técnicas também são capazes de ajudar nessa tarefa – é o caso da radiestesia, por exemplo.
Método pode ajudar a atrair boas energias
A radiestesia é o estudo dos raios
e radiação que são emanados da matéria, tanto animada quanto inanimada.
Para quem é seguidor da crença, esses elementos podem ser medidos
através de instrumentos como os pêndulos, por exemplo. Historicamente, essa técnica era utilizada para encontrar água,
metais, objetos e minerais escondidos abaixo da terra. O problema, pelo
menos para os mais céticos, é que vários estudos já colocaram as
técnicas à prova e nenhum deles conseguiu sucesso. Uma das pesquisas foi feita pela Sociedade para Investigação Científica de Paraciências da Alemanha, ainda em 1990. Os pesquisadores selecionaram 30 pessoas com supostas habilidades em radiestesia e enterraram canos cerca de 50 centímetros abaixo da terra.
O objetivo era identificar por quais deles a água poderia passar e
ser controlada. Aqueles que tivessem êxito ganhariam um prêmio de US$ 10
mil, mas nenhum dos voluntários conseguiu. Mas, independente dos resultados, há quem acredite que a radiestesia também é capaz de atrair boas energias. Os seguidores dessa técnica acreditam que ela oferece condições para identificar fluxos ruins e fluxos positivos de energia.
Como atrair energia positiva em sua vida
Há várias formas de atrair
positividade em sua vida – e nem precisa ser um especialista em cheio de
técnicas. Com algumas simples mudanças de hábitos, é possível mudar
todo o campo de vibração que gravita no seu entorno. Veja algumas delas:
Meditação
Evite começar o dia com pensamentos e emoções dispersas.
Sente-se numa posição relaxada e confortável e feche os olhos enquanto
respira, a fim de sentir sua presença ou consciência no meio de emoções e
pensamentos.
Bondade e generosidade
Dar ou doar para os outros sem esperar receber nada em troca é capaz de mudar sua perspectiva de pensar. Além disso, atos de bondade atraem energia positiva.
Gratidão
Tire algum tempo para apreciar as
coisas boas em sua vida e expresse gratidão. Faça uma lista abrangente
de tudo a que você é grato no dia a dia, incluindo aumento de vitalidade e boa saúde.
Orgânicos
Os alimentos vibram em frequências diferentes. Quando eles são cobertos com pesticidas e produtos químicos, normalmente deixam sua vibração mais baixa. Por isso, uma boa alternativa para atrair energia positiva é comer alimentos orgânicos de boa qualidade.
Organização
O ambiente tem um impacto muito grande sobre humor e sentimentos ao longo do dia. Quando as coisas estão num estado de desordem,
há reflexos negativos. Logo, você deve garantir que seu espaço esteja
sempre limpo e organizado, para mostrar que você aprecia e valoriza o
que tem.
Das vaias à ovação: médicos cubanos ganham a
preferência dos brasileiros. Entenda o que justifica a fama, os elogios e
a grande procura de pacientes brasileiros por profissionais cubanos.
Na unidade de Saúde da Família de Cajazeiras XI, manhã da última
segunda-feira de agosto. Uma escada estreita leva ao pouco iluminado 1º
andar, onde está um dos cômodos mais procurados no local: o consultório
de número 5. A porta branca da sala, fechada até 2013, é aberta, desde
então, muitas vezes ao dia. Observa-se, porém, um intervalo de tempo
significativo entre um girar de maçaneta e outro. Neste ínterim de
abre-fecha-abre-fecha, com quase nenhuma variação, a cena se repete:
após a saída de um paciente, um homem pardo e de meia idade surge,
sorridente, de prontuário na mão, para um sonoro anúncio de quem é que
será o próximo a entrar. O nome de quem anuncia está em uma placa fixada
na frente da porta: “Dr. Rafael – Médico”A fila, do lado de fora da sala, é grande. À espera está a vendedora
Eurides Silva, de 26 anos, que soube da boa fama do médico e resolveu
tentar uma consulta com ele. Queria falar do seu problema na tireoide.
Como não havia marcado previamente, esperou todos terminarem para ir
pedir um atendimento extra a Rafael. E conseguiu. O médico parecia não
se importar com os poucos minutos que faltavam para a hora do almoço.
Com o mesmo sorriso, abriu a porta para Eurides e para, pelo menos, mais
três outras pessoas que, certamente, não arredariam dali sem conseguir
falar com ele. “Normalmente, eu tenho que ‘brecar’ e pedir às pessoas
pra voltar depois”, afirma Elzanete Mangueira, gerente da unidade de
saúde.
Elza, como é mais conhecida, não diz com um tom autoritário. A
intromissão nos atendimentos do médico é cordial e é uma maneira de
tentar poupá-lo de uma excessiva carga de trabalho, até porque, na
unidade, há mais outros três médicos. “Aqui, temos uma cota para
determinados atendimentos. Dr. Rafael, por exemplo, deveria atender por
dia 14 pacientes e mais três ou quatro emergências, mas, se deixar, ele
atende muito mais. Ele não atende pela agenda, mas pela necessidade do
paciente. Ele não quer deixar voltar, mas a gente sabe que isso nem
sempre é possível porque é humanamente impossível um médico atender a 20
ou 30 pessoas em um dia. Se deixar, ele atende”, completa a gerente.
O que justifica a fama e a grande procura pelo médico não são os
atendimentos extras, mas o que acontece lá dentro da sala, quando a
porta se fecha. Com a cadeira do paciente posta ao lado da mesa, Rafael
cria um clima favorável à proximidade e à intimidade com quem o procura.
Durante a consulta, ouve mais do que fala. Quer saber dos pacientes
como é a alimentação, qual o histórico médico da família, qual o modo de
vida que leva. Pega na mão, toca o rosto, examina minuciosamente. Na
vez de Eurides, pegou um bloco de papel e uma caneta e desenhou a
glândula da tireoide para mostrar à vendedora. Ele queria que ela
entendesse o funcionamento do sistema endócrino e como o problema na
tireoide se desenvolveu. Eurides entendeu direitinho e saiu encantada.
“Os outros [médicos] nunca fizeram como ele”, declarou.
Dr. Rafael, de sobrenome Villa, é cubano. Chegou ao Brasil em 2013,
junto à primeira turma que partiu de Cuba para a missão de integrar a
etapa inicial do programa ‘Mais Médicos’, do Governo Federal brasileiro.
A iniciativa surgiu diante do grande déficit de profissionais de
medicina no país, com o objetivo de ampliar emergencialmente o
atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente nos rincões
do Brasil, e investir na formação de novos profissionais. Naquele
período, o Ministério da Saúde (MS) revelou que faltavam 54 mil médicos
no Brasil. A média era de 1,8 profissionais para cada grupo de mil
habitantes. Para efeitos comparativos, a média da Inglaterra era de 2,7
para mil, segundo o MS.
A recepção não foi boa. Rafael e os conterrâneos chegaram sob vaias e
protestos, principalmente vindos de colegas, médicos brasileiros. Um
dos episódios mais tensos aconteceu na chegada a Fortaleza (CE), quando
um grupo dos profissionais locais chamou os cubanos de ‘escravos’ e
‘traidores’. Em Salvador (BA), onde Rafael desembarcou, a recepção foi
calorosa, houve até um grupo de apoio, mas as notícias do que acontecia
em outras cidades chegavam aos ouvidos de todos. “Foi algo muito ruim.
Somos tão médicos como eles e não viemos aqui para tomar postos de
trabalho. Viemos ajudar a todos, em função da precariedade da saúde
brasileira, que está muito necessitada”, contou o cubano, ao lembrar da
chegada.
A necessidade a que Rafael se refere era real na Unidade de Saúde da
Família de Cajazeiras XI, localizada em uma das áreas mais carentes da
capital baiana. Cajazeiras XI é um dos setores do bairro de Cajazeiras,
que possui dimensões de uma cidade e é, por isso, considerado o maior
conjunto habitacional da América Latina (AL). Em 2010, o IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística) contou 60 mil habitantes – 100
mil quando se considera os 40 mil moradores dos setores de Fazenda
Grande, que, quase sempre, são incluídos no conjunto de Cajazeiras. Pela
grande população e pela distância do Centro de Salvador, a impressão
que se tem é que a localidade possui uma vida independente em relação ao
município. Era esquecida, dizem os moradores, ao lembrar que, até 2013,
não existia médico nas unidades de saúde.
A cerca de 70km dali, uma outra comunidade tem uma história parecida
para contar. São Sebastião do Passé é um município da Região
Metropolitana de Salvador (RMS). Lá, vivem 45 mil pessoas, segundo a
última contagem do IBGE. Antes do ‘Mais Médicos’, a Unidade de Saúde da
Família Péricles Rodrigues, na sede, funcionava sem atendimento médico. A
mudança só aconteceu com a chegada de quatro médicos cubanos, enviados
ao município para suprir a carência. São três homens e uma mulher. A
única mulher do grupo é Yadira Giraudy, uma negra de cabelos ondulados e
sorriso fácil, escalada para o trabalho da sede. Na comunidade, que é
menor do que o bairro de Cajazeiras, a médica se tornou, ao longo desses
dois anos, uma rainha.
Quem faz acreditar no título de majestade são os pacientes, que se
derretem ao falar da médica cubana. Uma delas é Dona Maria Ionice
Cerqueira, aposentada de 61 anos. Fez questão de falar à reportagem
sobre a ‘doutora’, para quem não economiza nos elogios, mesmo recebendo
‘broncas’ dela, de vez em quando. É que Dona Maria Ionice às vezes
descuida dos muitos problemas que possui: doença de chagas, osteoporose,
colesterol alto, diabetes e quase-cegueira. “Sou acompanhada por ela e
toda terça-feira eu estou aqui. Ela é muito boa, se preocupa muito com
os pacientes. Além de examinar, ela escuta. Por causa do meu problema
nas vistas, ela não deixa eu vir sozinha e nem quer que eu fique na rua
sozinha. Só a preocupação dela…”, conta a aposentada, que teve a última
frase interrompida pela própria emoção. Os depoimentos positivos sobre a
médica se repetem na fila da unidade de saúde.
Mas o início não foi fácil para Yadira e Rafael. Além da tentativa de
parte dos médicos brasileiros de criar uma imagem negativa dos
profissionais estrangeiros junto à sociedade, os cubanos esbarraram,
também, no português, pois a língua oficial de Cuba é o espanhol.
“Quando cheguei, ninguém entendia nada. Tinha que falar muito devagar e
muitos queixavam de que não entendiam a médica, mas, pouco a pouco, fui
ganhando a confiança deles e melhorou muito. Hoje, me sinto muito bem
com eles”, conta, aliviada, Yadira. No caso de Rafael, muitas vezes ele
chegou a chamar os enfermeiros para que pudessem auxiliar na
comunicação. Como português e espanhol são línguas parecidas, os dois
médicos logo conseguiram desenvolver o ‘portunhol’ e os percalços com os
diálogos diminuíram radicalmente.
Superadas as dificuldades iniciais, Yadira tratou de apresentar à
população e à equipe da unidade de saúde algumas das características da
medicina cubana que poria em prática: prevenção, humanismo e
acompanhamento do paciente. De todas, a última surpreendeu mais. Duas
das primeiras perguntas que a enfermeira brasileira Maria Juliete de
Oliveira ouviu da médica foram: “Como são as visitas? Vamos fazer para
todos os pacientes?” De queixo caído, a enfermeira tentou explicar que
existiriam dificuldades pela grande quantidade de pacientes. Mas com a
facilidade de estar e morar em uma comunidade menor – Rafael mora em um
bairro diferente do que trabalha -, a médica insistiu e passou a fazer
visitas às casas para conhecer e orientar os hábitos dos moradores,
principalmente em relação à alimentação. Não dá para fazer visitar toda a
comunidade, mas ela vai a todos aos grupos considerados prioritários
pela equipe.
“Nós estamos vivendo, no país, um quadro em que se verifica que as
condições de trabalho dos profissionais de saúde estão piores. Estamos
com problemas diversos”, defendeu o presidente do Sindmed-BA. Durante as
visitas às unidades de saúde, a reclamação identificada pela reportagem
em relação às condições dos locais foi sobre o irregular recebimento de
medicamentos. Yadira, por exemplo, contou que em São Sebastião do Passé
chega a faltar remédios para doenças crônicas [como hipertensão e
diabetes], em alguns períodos. A médica alerta para os riscos que a
irregularidade causa porque o uso dos medicamentos não pode ser
interrompido e grande parte dos pacientes, segundo ela, não pode
comprar.
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que “a maior parte dos
medicamentos destinados ao tratamento de hipertensão de diabetes é de
responsabilidade do próprio município. A Secretaria Municipal de Saúde é
quem faz a aquisição”. A Secretaria de Saúde de São Sebastião do Passé
foi contatada, mas, até o fechamento da reportagem, não apresentou um
posicionamento. Sobre as críticas do presidente do Sindmed, a Sesab não
se posicionou.
Preferência nacional
As histórias de Rafael e Yadira, marcadas pela transformação das vaias iniciais em ovações, na Bahia, não são as únicas. Pelo
menos é o que revelou uma recente pesquisa desenvolvida pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre a relação dos
brasileiros com os profissionais do ‘Mais Médicos’, em que os
cubanos são a grande maioria (são 11.429 dos 14.462 médicos
participantes do programa). Feito em 700 municípios, entre novembro e
dezembro do ano passado, o levantamento ouviu 14 mil pessoas, que deram,
na média, a nota 9 ao atendimento oferecido pelos cubanos nas unidades
públicas de saúde (55% dos entrevistados deram a nota 10). Outros 87%
elogiaram a atenção e a qualidade do atendimento; 77% garantiram que
tiveram uma boa comunicação com os profissionais estrangeiros.
Na Bahia, são cerca de 1.363 médicos em atuação pelo programa
federal. Um relatório inédito da Secretaria Estadual de Saúde, a Sesab,
apontou uma relação entre o aumento do número de médicos no estado,
através do ‘Mais Médicos’, e uma melhora significativa dos índices de
qualidade de vida dos baianos. Segundo o documento, de 2013 para 2014,
houve uma redução da taxa de mortalidade infantil (de 16,35% para
15,39), de internações motivadas por condições relativas à atenção
básica (de 42,02% para 40,90%), por Acidente Vascular Cerebral, o AVC,
em pacientes de 30 a 59 anos (de 6,93% para 5,29%) e por diabetes e suas
complicações (de 7,0% para 6,0%). Houve, ainda, um amento do número de
bebês nascidos vivos de mães que fizeram sete ou mais consultas de
pré-natal, durante a gravidez (de 46,97% para 50,83%).
Os profissionais do ‘Mais Médicos’ estão, segundo o MS, em 4058 dos
5570 municípios brasileiros, o que representa uma cobertura de 73% do
território nacional. Entre os locais de atuação, estão 34 distritos
indígenas. A estimativa é de que, hoje, 134 milhões de pessoas estejam
sendo atendidas por médicos do programa. A presença de médicos fixos nas
comunidades é estratégica, segundo o Ministério, porque, como a atenção
básica é a porta de entrada dos que procuram atendimento médico, 80%
dos casos que chegam às unidades são resolvidos no próprio local, sem
que seja preciso o deslocamento e sem que haja a superlotação de
unidades de atendimentos mais complexos.
“Antes [do ‘Mais Médicos’], não tínhamos a possibilidade de garantir a
cerca de 63 milhões de brasileiros o acesso à atenção primária na
saúde. Com o Mais Médicos, que conta com a cooperação da OPAs
[Organização Pan-Americana da Saúde], nós temos efetivamente garantido a
cada brasileiro o direito de uma atenção primária qualificada. Por meio
do Programa, conseguimos levar profissionais onde vivem as pessoas com
maior vulnerabilidade, nas periferias das grandes cidades brasileiras,
nos quilombolas, assentamentos rurais, aldeias indígenas, na floresta
amazônica, onde os brasileiros precisam de médicos”, disse o ministro
Arthur Chioro, através da página do Ministério da Saúde na internet.
As principais vozes contrárias ao programa ‘Mais Médicos’ são das
entidades que representam a classe médica. Desde 2013, elas têm
defendido que a iniciativa não iria resolver o profundo problema da
saúde no Brasil. Na Bahia, o presidente do Sindicato dos Médicos
(Sindmed), Francisco Magalhães, foi procurado para comentar a pesquisa
divulgada pela UFMG. Magalhães disse que estava sendo informado da
pesquisa pela reportagem, mas que, mesmo sem um conhecimento prévio,
refutava a metodologia e os resultados obtidos pelo levantamento da
Universidade mineira.
Missões cubanas
Os cubanos chamam as emissões de médicos para outros países de
missões. A cônsul de Cuba no Nordeste do Brasil, Laura Pujol, explica
que a iniciativa é antiga e consegue traduzir o espírito da ilha
localizada na América Central. “Não é uma questão recente, mas algo que
se estende na História. Desde os anos de 1960 nós enviamos para onde
precisa da nossa ajuda solidária. Isso tem a ver com princípios e com a
formação que nós temos, de entender que a solidariedade é uma pedra
fundamental de nossa cultura. Para nós, não é dar o que sobra, mas
compartilhar o que se tem”, afirmou a cônsul. Mais de 128 países já
receberam médicos de Cuba e, atualmente, há mais de 68 mil médicos
prestando serviços pelo mundo. Além do Brasil, outros países que
receberam grandes missões cubanas foram Afeganistão, Venezuela e
diversos países do continente africano, segundo o consulado. Antes de
virem para o Brasil, Rafael e Yadira participaram de outras missões. Os
dois estiveram na Venezuela e em Honduras.
O Consulado Regional de Cuba está instalado em Salvador e realiza um
trabalho de acompanhamento das condições de vida e trabalho dos médicos
em toda a região Nordeste do Brasil. De acordo com Laura, são feitas de
15 a 20 visitas por mês aos municípios pelos próprios cônsules – além
dela, há mais dois. Como a demanda é grande e a equipe não consegue
estar em todas as localidades, o consulado resolveu promover, além das
visitas, encontros dos médicos que atuam nas mesmas regiões. Nas
ocasiões, que são celebrações com elementos da cultura cubana, os
cônsules aproveitam para fazer os levantamentos sobre a vida nos
municípios. “Queremos que eles sintam que o nosso governo está
preocupado e está ali para qualquer situação que eles precisarem”,
explicou Laura.
Para viabilizar o ‘Mais Médicos’, o Governo federal conta com
parcerias dos estados e municípios. Ao município, cabe garantir a
permanência dos médicos instalados nas comunidades, oferecendo, por
exemplo, moradia, alimentação e transporte. Durante as entrevistas,
Rafael e Yadira não reclamaram das condições oferecidas pelas
prefeituras, mas foi possível observar que elas poderiam ser melhores.
Maria Juliete, a enfermeira da unidade São Sebastião do Passé, contou
que Yadira já reclamou de ter que dividir uma pequena casa com os outros
três médicos conterrâneos. A casa alugada para Rafael pela Prefeitura
de Salvador fica em Itapuã, um bairro distante de onde ele trabalha. Ele
mora com a esposa, Gaya, também médica de Cuba, que trabalha na mesma
unidade – e, assim como ele, é bastante concorrida. O casal vai e volta
de ônibus, enfrentando engarrafamentos no trajeto, que chega a ser feito
em até 1 hora. Se morassem na própria Cajazeiras XI, a qualidade de
vida, certamente, seria outra.
A permanência dos médicos estrangeiros no programa é, em média, de
três anos. Como já estão no Brasil desde o início, há mais de dois anos,
a partida já está se aproximando. Rafael e Yadira, embora se sintam bem
acolhidos, não veem a hora de matar a saudade da família que ficou em
Cuba – ambos possuem filhos. A equipe de saúde das unidades em que eles
trabalham preveem que a falta será grande, proporcional ao legado que os
cubanos deixarão. As equipes garantem que vão seguir com os
ensinamentos recebidos, principalmente os relacionados à prevenção.
Difícil será, certamente, a partida dos médicos para as comunidades.
Quando questionados sobre isso, os pacientes preferem nem pensar. Foram
cativados e esse pode ter sido o grande erro dos cubanos durante a
missão. Como ensina a história do ‘Pequeno Príncipe’, mundialmente
conhecida: “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que
cativas”.