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domingo, 17 de abril de 2016
Equador eleva para 233 número de mortos por terremoto

O presidente do Equador, Rafael Correa, informou neste domingo que subiu para 233 o número de mortos pelo terremoto de magnitude 7,8 graus na escala Richter que sacudiu a região norte do país ontem.
"O número oficial de mortos subiu para 233. Bairro Tarqui, em Manta, muito afetado. Pedernales destruída", escreveu Correa em sua conta oficial no Twitter.
Oposição espera mais de 380 votos, com 100% de apoio do PP

Deputados do comitê parlamentar pró-impeachment atualizaram para mais de 380 os votos pela aprovação do parecer na Câmara, mais do que os 368 contabilizados ontem na noite desse sábado, 16.
Como o Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, antecipou, as negociações no PP entraram pela madrugada neste domingo.
O comando do partido convocou deputados que estavam indecisos ou contra o impeachment e avisou que não aceitará as dissidências na votação de hoje.
Depois da ofensiva, o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), disse a interlocutores que 100% da bancada na Câmara deverá votar a favor do impedimento da presidente Dilma Rousseff.
De acordo com o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que lidera o comitê, será uma "grande surpresa" se a aprovação da continuidade do processo de impeachment da presidente não ultrapassar 370 votos.
Discussão sobre impeachment bate recorde de tempo e confusão

Depois de quase 43 horas – das 8h55m de sexta-feira às 3h42m de hoje – os 25 partidos com representação da Câmara dos Deputados puderam discutir sobre o parecer que pede abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.
A sessão que antecedeu a votação do impeachment, marcada para 14h deste domingo, foi marcada por agressões, empurrões e muito bate-boca.
O suficiente para que, na madrugada, seguranças fossem chamados para evitar que os deputados partissem para agressões físicas.
Por volta de 1h, os deputados Vitor Valim (PMDB-CE) e Sibá Machado (PT-AC) protagonizaram o momento mais crítico.
Em seu pronunciamento, Valim os petistas de bandidos e Machado não aceitou a acusação.
Um clima tenso entre eles foi o resultado, com a troca de empurrões e ameaças.
Duas horas antes, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) teve de ser acalmado e saiu do plenário depois de discutir com parlamentares anti-governo.
Até o final da sétima sessão, foram 246 discursos contabilizados, o que fez o Plenário quebrar o recorde de sessão contínua mais longa da História da Câmara.
O PEN foi o único partido que abriu mão da hora reservada para discutir.
Em resumo, para os contrários o afastamento de Dilma, o impeachment é uma tentativa de golpe. Já os favoráveis enfatizam que houve crime contra as contas públicas.
Rapaz é preso em SP acusado de cortar pato inflável da Fiesp

Um rapaz foi detido pela polícia na avenida Paulista, neste domingo, 17, acusado de cortar o pato inflável da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). A figura é símbolo da entidade para a campanha "Não vou pagar o pato - diga não ao aumento de impostos".
Após entrar na região do prédio da Fiesp, o acusado atravessou para o outro lado da via, de acordo com testemunhas. A polícia foi acionada e revistou o rapaz. Segundo policiais, ele portava uma faca. O suspeito foi algemado e encaminhado para a 78ªDP.
Kassab publica carta a Dilma explicando saída de ministério

Em carta de demissão encaminhada à presidente Dilma Rousseff, o agora ex-ministro das Cidades Gilberto Kassab afirma que sua permanência na pasta ficou "insustentável" após decisão da maioria do partido em apoiar o impeachment.
A definição da bancada da Câmara do PSD pelo apoio ao afastamento de Dilma ocorreu na última quarta-feira (13).
Já o pedido de demissão de Kassab ocorreu na sexta-feira, 15, apenas dois dias antes da votação do processo de afastamento da petista, prevista para começar a partir das 14 deste domingo, 17.
O dirigente ocupava o cargo desde janeiro do ano passado, quando teve início o segundo mandato de Dilma.
"Assim, minha participação como ministro é, além do convite feito por V.Exa., resultado de decisão coletiva, fruto da manifestação de todos os Diretórios Estaduais, do Diretório Nacional e das bancadas da Câmara Federal e do Senado. Ocorre que, como relatei pessoalmente a V.Exa. em recente conversa no Palácio do Planalto, o PSD decidiu, por maioria absoluta da nossa bancada federal, recomendar o voto pelo acolhimento do processo de impedimento que tramita junto à Câmara dos Deputados", diz trecho da carta, publicada no perfil de Kassab no Facebook.
"Diante disso, minha permanência à frente do Ministério das Cidades é insustentável, conflita com a decisão do meu partido e me leva a abrir mão do cargo, independentemente do resultado da votação do próximo domingo", acrescenta.
No documento, Kassab, que estava como presidente licenciado do PSD, afirma da necessidade da realização de um "pacto social" para o que o Pais supere a atual crise política e econômica.
No final da carta, o dirigente diz ter convicção da "integridade pessoal" de Dilma e da "serenidade diante de tantas adversidades".
No Rio, salário parcelado leva famílias a atrasarem contas

A médica aposentada da rede estadual de saúde do Rio de Janeiro Eloisa Fenton Garcia, 67 anos, faz sessões de hidroterapia semanalmente e toma nove medicamentos por dia.
As sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), em 2001, fizeram com que ela ficasse com dificuldades para caminhar. A aposentadoria de R$ 2.100 que recebe do Estado mais um benefício do INSS são quase integralmente consumidos com o seu tratamento.
A situação financeira complicada da família ficou ainda pior na semana passada, quando o Estado anunciou que pagaria os benefícios de março dos aposentados e pensionistas que ganham acima de R$ 2 mil líquidos até 12 de maio.
A servidora entrou na faixa de corte por pouco mais de R$ 100. "Estou com a conta de luz atrasada e não tenho como pagar. Meus filhos estão desempregados, contamos com esse dinheiro, não dá para esperar tanto para receber."
Eloisa sustenta dois dos três filhos que moram com ela, sendo que um deles faz bicos na área de computação, mas só ajuda com gastos básicos.
A aposentada é mais um exemplo do drama dos servidores do Estado do Rio. Os diversos casos de dificuldade levaram a categoria a mobilização.
No dia seguinte ao anúncio do adiamento, os trabalhadores se reuniram na frente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), no centro, e caminharam até a Secretaria Estadual de Fazenda.
O nível de tensão foi elevado quando funcionários públicos invadiram o prédio da secretaria depois de passarem pela segurança e quebrarem uma porta de vidro.
Na sexta-feira, policiais militares expulsaram cerca de 50 servidores que estavam no prédio. O grupo, composto por servidores ativos e inativos, a maioria professores, foi retirado sem confronto.
Os manifestantes queriam ser recebidos pelo secretário da pasta, Julio Bueno. Na sexta-feira, em meio à crise, Bueno, que é hipertenso, tirou quatro dias de folga por recomendação médica.
O afastamento foi por causa de estafa e insônia. O médico aconselhou que Bueno deixasse o cargo, ele descartou.
Liminar
O adiamento no pagamento também teve reação na Justiça. O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMedRJ) entrou com uma liminar contra a decisão do governo do Estado de pagar até 12 de maio parte dos servidores.
A liminar tem entre as argumentações a violação ao artigo sétimo da Constituição Federal, que garante o pagamento de salários a trabalhadores.
"É um escândalo. (O governador em exercício, Francisco) Dornelles (PP) pratica tratamento discriminatório. São pessoas que dependem desse pagamento, resultado de contribuições feitas por décadas", afirmou o presidente do sindicato, Jorge Darze.
O adiamento afeta 137 mil inativos e pensionistas. Outros 216.990 funcionários públicos ativos do Poder Executivo e 111.212 servidores inativos e pensionistas receberam na quinta-feira, décimo dia útil do mês.
Até novembro do ano passado, os salários eram pagos no último dia do mês trabalhado ou no primeiro dia do subsequente.
Além dos aposentados, servidores da ativa também passam por dificuldades com os atrasos. No início da semana, antes do pagamento, a técnica de laboratório Sueli de Oliveira, 58 anos, estava sem dinheiro para pegar condução na volta do plantão.
"Juntei as moedas que ainda tinha para ir, não queria faltar, mas o dinheiro para voltar faltou." A servidora, que recebe cerca de R$ 1 mil, tem quase metade do salário comprometido com crédito consignado.
Acompanhe o dia decisivo da votação do impeachment na Câmara

Câmara dos Deputados realiza hoje a votação sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Se dois terços dos deputados (342) se posicionarem a favor, será a vez do Senado avaliar o caso.
Manifestações populares estão previstas por todo o país. Em São Paulo, elas acontecerão na Avenida Paulista, no Vale do Anhangabaú e no Largo da Batata.
Mesmo se a Câmara aprovar o impeachment hoje, Dilma só será afastada do cargo, por 180 dias, se o Senado também considerar que a presidente pode ter cometido crime de responsabilidade. Nesse cenário, a comissão do Senado irá julgá-la e Michel Temer assume o comando do país.Dilma, então, terá 20 dias para apresentar uma nova defesa.
Acompanhe, abaixo, o que de mais importante acontece neste dia, que é parte relevante da história política brasileira.
Para Dilma, maior erro foi demora a reagir a ataques do PMDB

A presidente Dilma Rousseff chega neste domingo, 17, à mais importante batalha de sua vida sem saber se conseguirá sobreviver, mas convencida de que o seu maior erro não foi enveredar pelo caminho do ajuste nem subestimar o desgaste da Operação Lava Jato ou autorizar manobras conhecidas como pedaladas fiscais.
Dilma se penitencia pela demora em reagir à "conspiração" dentro do Palácio do Planalto - promovida, no seu diagnóstico, pelo vice-presidente Michel Temer - e por ter se distanciado de seu "criador", Luiz Inácio Lula da Silva.
Isolada, sem ouvir quase ninguém, a primeira mulher eleita presidente do Brasil viu a crise política crescer dia após dia, mas nunca acreditou que ela pudesse fugir do controle.
Nesse outono de intrigas, traições e fuga de aliados, puxada pelo PMDB, o governo, muitas vezes, pareceu atordoado e sem saber para onde ir. "A vida é mais complexa do que parece", costuma dizer Dilma, desde que sua popularidade despencou.
A senha para uma ofensiva mais dura contra a ameaça do impeachment foi dada pelo próprio Lula, em 4 de março. Naquele dia, o ex-presidente foi obrigado a depor, no âmbito da Lava Jato, e a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em sua casa e no Instituto Lula.
A cúpula do PT, em rota de colisão com Dilma, temeu a prisão de seu maior líder. Foi a partir daí que a narrativa do "golpe" e da associação de Temer com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - réu em ação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, acusado de desviar recursos da Petrobrás -, ganhou força como estratégia de sobrevivência política de Dilma, de Lula e do PT.
"Se a gente não se mexer, vai acabar morrendo", disse Lula após sair do depoimento, em conversa a portas fechadas com dirigentes do PT, em São Paulo.
Dois interlocutores do ex-presidente contaram ao jornal O Estado de S. Paulo que ele se arrependeu de não ter tentado um acordo com Dilma para ser candidato, em 2014. Já àquela época, temia que sua afilhada, mesmo ganhando, não conseguisse governar.
"Vocês podem não gostar dela, mas é o nosso projeto que está em jogo. Não podemos sair das ruas. Precisamos defender a Dilma", insistiu Lula, na sede do PT.
Jararaca
Diante das câmeras de TV, logo em seguida, o ex-presidente não deixou dúvidas de como seria a reação. Tudo foi planejado para proteger o único nome que o PT dispõe, até agora, para disputar a sucessão de Dilma.
"Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça. Bateram no rabo e a jararaca está viva, como sempre esteve", gritou Lula, naquele 4 de março.
Treze dias depois, com o Planalto cercado por seguranças e manifestantes na Praça dos Três Poderes, Lula tomava posse como ministro da Casa Civil, mas sua nomeação foi suspensa por decisão judicial e até hoje aguarda julgamento do Supremo.
Na véspera, o vazamento de uma conversa entre Dilma e o líder petista, gravada pela Polícia Federal, agitou o mundo político e causou outro estrago.
Pelo telefone, a presidente dizia a Lula que enviaria a ele o "termo de posse" no Ministério, para uso "em caso de necessidade".
Os investigadores da Lava Jato interpretaram o diálogo grampeado como uma tentativa de Lula de escapar da alçada do juiz Sérgio Moro, de primeira instância, e ganhar foro privilegiado no Supremo. A crise se agravou ainda mais.
O desarranjo na economia, com forte recessão e desemprego, fez um ministro do PT apostar no pior cenário, na semana passada. O argumento dele era simples: em 2005, no escândalo do mensalão, Lula e o partido conseguiram dar a volta por cima porque as pessoas tinham "dinheiro no bolso", situação oposta à de hoje.
Sem o marqueteiro João Santana - preso em fevereiro pela Lava Jato -, o governo acabou agindo de acordo com estratégia definida por Lula, guiada por pesquisas de opinião.
Foi dele a ideia de carimbar o impeachment como "golpe", manobra para "sentar na cadeira antes da hora" e também de ligar Temer e Cunha a um conluio dos que querem interromper o combate à corrupção e acabar com programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.
Sem poder despachar no Planalto, Lula tem usado uma suíte do hotel Royal Tulip, em Brasília, como "bunker" de negociações políticas. Há quase um mês, recebe deputados, senadores, dirigentes de partidos e até governadores. "Nunca pensei que chegássemos a essa situação tão crítica", desabafou ele.
Aos mais próximos, Lula contou que se arrependeu de ter aceitado a Casa Civil, no momento em que a Polícia Federal e o Ministério Público investigam a propriedade de um sítio em Atibaia e de um triplex no Guarujá.
"Ficou parecendo que eu queria me salvar, mas não era isso", afirmou Lula, que nega ser dono dos imóveis. "A Dilma me fez um apelo desesperado. Em agosto, ela já tinha me convidado e eu respondi: Se nem Fidel e Che Guevara couberam dentro de Cuba, como nós dois vamos caber no mesmo Palácio? Eu disse que poderia presidir o Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), mas ela não quis. Não podia ver o governo desmoronando e não fazer nada. Tinha que ajudar", emendou ele.
Não passarão
A entrada de Lula no governo, ainda que não consumada oficialmente, provocou novos protestos e atiçou a oposição. Mas o Planalto também foi pego no contrapé com a delação premiada do senador Delcídio Amaral (MS), que se desfiliou do PT.
Ex-líder do governo no Senado, Delcídio acusou Dilma de interferir na Lava Jato por meio do Supremo e do Superior Tribunal de Justiça. Afirmou, ainda, que foi Lula quem o mandou procurar o ex-diretor da Petrobrás Néstor Cerveró, para impedir que ele contasse o que sabia.
"Nunca pensei que ele fosse esse canalha", disse o ministro do Gabinete Pessoal da Presidência, Jaques Wagner. "Nós precisamos reagir a essa destilaria de ódio".
Na batalha, o Planalto foi transformado em tribuna contra o impeachment e teve seus salões tomados por juristas, professores, estudantes, mulheres e representantes de vários movimentos, que se revezavam ao microfone. "Por favor, pelo menos testemunhem que eu não tenho cara de quem vai renunciar", pediu Dilma a repórteres.
No último dia 7, a aposentada Maria José Pereira Said, de 87 anos, se postou ao pé da rampa que liga o Salão Nobre ao terceiro andar do Planalto, onde fica o gabinete presidencial, no fim de uma manifestação promovida por mulheres.
"Força, Dilma!", exclamou ela. Cercada por seguranças, a presidente voltou alguns passos, agachou-se e deu um beijo nos cabelos brancos de dona Zezé. Tinha os olhos marejados.
Com o grito de guerra "Não Passarão" - lema da resistência republicana durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) - e o mote da defesa da democracia, o PT conseguiu, a duras penas, reconquistar movimentos sociais e até intelectuais que haviam se afastado do partido, após os escândalos de corrupção.
Mesmo assim, o protesto de 13 de março - a maior manifestação da história do País - aumentou a pressão pela saída de Dilma. Naquele dia à noite, em reunião com ministros, no Palácio da Alvorada, ela não escondeu o abatimento. "Uma das características estarrecedoras daquela manifestação foi a rejeição da política", disse a presidente a jornalistas, na quarta-feira. "Isso nunca levou a nada de bom".
Com Lula no palanque, os contrários ao impeachment foram às ruas em 18 de março, num ato que surpreendeu o governo pelo tamanho. Numa alusão aos 52 anos do golpe de 1964, voltaram no dia 31 a pedir respeito ao voto popular.
Quarenta e oito horas antes, em reunião que durou 3 minutos, o PMDB rompeu com Dilma. Emissários de Temer apressaram as negociações já em curso com antigos aliados do PT, como o PP do senador Ciro Nogueira (PI), para a formação de um novo Ministério e, com aval do PSDB, sondaram nomes de peso para a Fazenda, como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Na tentativa de conter os dissidentes, a distribuição dos cargos foi ampliada por Dilma, mas muitos a abandonaram à própria sorte.
O Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, passou a ser chamado pelo "núcleo duro" do Planalto de quartel-general dos traidores.
Nos bastidores, porém, o governo avalia que a ação de Temer para ocupar a cadeira de Dilma começou bem antes, logo após 8 de março de 2015, quando ela foi alvo de "panelaço" ao fazer um pronunciamento na TV, em homenagem ao Dia da Mulher, e defender o ajuste fiscal.
Alô, alô?
O vice assumiu a articulação política do Planalto com o Congresso em abril daquele ano e, quatro meses depois, entregou o cargo. O movimento marcou sua aproximação com líderes do PSDB, que hoje o apoiam no combate a Dilma.
"Desde aquela época, queriam derrubar o governo por dentro", resumiu o líder do Executivo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).
A relação de Dilma e Temer nunca foi das melhores, mas o casamento de fachada continuava. Em 2014, no entanto, o vice deu sinais de que a renovação do enlace de papel passado não duraria muito.
Às vésperas da campanha pelo segundo mandato, o telefone tocou no gabinete de Temer. Do outro lado da linha, o tom de voz era tão alto que ele pôs o aparelho longe do ouvido. "Alô, alô, alô?", repetiu, pausadamente, como se nada ouvisse. Um minuto depois, desligou.
O telefone chamou de novo. Irritada, Dilma continuou o "monólogo" do ponto onde a ligação fora interrompida, pedindo providências para conter Eduardo Cunha, então líder do PMDB, que se voltava contra o governo.
"Mas era a senhora ao telefone? Desculpe, não percebi", respondeu o vice, irônico. "Tinha uma pessoa aí gritando tanto que não dava para saber quem estava falando."
No primeiro mandato, em 2011, Dilma também ligou para Temer, que se encontrava em São Paulo, para cobrar apoio do PMDB numa votação do Código Florestal. Estava exaltada.
"Acho que a senhora ligou para a pessoa errada", respondeu o vice, que comanda o PMDB. "Eu estou acostumado a lidar com presidentes da República e todos sempre me trataram com muita educação."
Em dezembro do ano passado, Temer enviou uma carta a Dilma, queixando-se de ter passado quatro anos como um "vice decorativo". "Que coisa estranha!", comentou ela, ao receber a correspondência no Alvorada.
No início da semana, com o divórcio já em fase adiantada, Temer deixou vazar um áudio a um grupo de deputados do PMDB, no qual apresentava as diretrizes de um "governo de salvação nacional" capitaneado por ele.
"Isso passou de todos os limites", esbravejou Dilma. "Não vai ficar assim. Quem ele pensa que é? Posa de estadista e age com essa pequenez?"
No Planalto, a mensagem do vice foi batizada de WhatsApp ao Povo Brasileiro, referência jocosa à Carta ao Povo Brasileiro, divulgada por Lula na campanha de 2002, para acalmar o mercado. Ao contrário de 2002, porém, o desfecho dessa história é imprevisível.
Com Dilma ou Temer, país deve fechar ano em recessão

Com Dilma Rousseff ou Michel Temer na Presidência da República, a economia brasileira vai sofrer. As previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) são de que o Brasil vai ter um novo ano de recessão, independentemente do cenário político que se desenhe a partir deste domingo, 17.
Por ora, as previsões iniciais mostram que a queda na economia deve ser mais branda se o PMDB chegar ao poder.
A Macroplan, que consolidou projeções de uma dezenas de consultorias e ouviu analistas e especialistas de diferentes correntes, sintetiza a perspectiva atual: "Para a maioria, haverá alívio se Dilma sair e deterioração se ela ficar, mas ninguém tem a ilusão de que a economia vai ser recuperar facilmente", diz Claudio Porto, presidente da Macroplan.
A vantagem, com Temer, acreditam, é iniciar um processo de retomada da confiança na economia brasileira. "A melhora na confiança será relativamente rápida", afirma Sergio Vale, economista-chefe de MB Associados.
No conjunto de ações esperadas de Temer estão a aceleração do programa de concessões em infraestrutura e o maior controle dos gastos públicos.
"Um lado da história (do ajuste do Temer) é recessivo: é aumento de imposto e corte de gasto", afirma Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria Integrada.
No caso de a presidente Dilma Rousseff sobreviver à votação na Câmara dos Deputados, o receio dos analistas é que ela possa fazer uma guinada para a esquerda na política econômica como forma de responder ao apoio dos movimentos sociais durante o processo de impeachment.
O cenário de uma mudança brusca na economia não é um consenso. Uma parte dos economistas acredita que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve surgir como a força principal do governo Dilma e comandar um repactuação com partidos de centro para colocar em prática uma política econômica bastante parecida com a adotada em seu primeiro mandato
Conheça o esquema de segurança da Esplanada para protestos

Cerca de 4 mil profissionais fazem a segurança dos manifestantes que acompanham a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff em Brasília, neste domingo (17).
O esquema de segurança tem 3 mil agentes da Polícia Militar do Distrito Federal, 300 policiais legislativos do Congresso Nacional e 700 policiais civis, além de contingentes do Corpo de Bombeiros e Departamento de Transito do DF.
Para reforçar a segurança, todo o efetivo da Polícia Militar (PM), da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal está de sobreaviso.
Haverá linhas de revista da PM nas duas áreas destinadas aos manifestantes. Não é permitido portar objetos cortantes, garrafas de vidro, hastes de madeira ou fogos de artifício.
O uso de máscaras, de megafones e de objetos infláveis de cunho provocativo e a venda de bebidas alcoólicas estão proibidos.
A PM orienta aos manifestantes que não levem crianças. Também não é recomendado que idosos ou pessoas com problemas cardiovasculares frequentem o local.
O trânsito de veículos na Esplanada dos Ministérios está bloqueado desde sexta-feira (15). Os manifestantes devem usar os estacionamentos dos anexos aos ministérios do lado sul, se forem pró-impeachment, e do lado norte, se forem contrários.
Oito painéis do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) estão posicionados ao longo da Esplanada dos Ministérios com informações sobre segurança e trânsito.
Ocorrências relacionadas às manifestações ficarão concentradas no Departamento de Polícia Especializada, no Parque da Cidade. As demais, sem ligação com a manifestação (como extravio de documento e furtos de celulares), serão registradas na 5ª Delegacia de Polícia, próximo à Torre de Televisão.
Muro O grupo a favor da permanência de Dilma Rousseff ocupará o lado esquerdo do Congresso Nacional (sentido de quem desce a Esplanada), usando o Teatro Nacional como ponto de concentração. O grupo pró-impeachment ocupará o lado direito da Esplanada, tendo o Museu da República como ponto de encontro.
As duas zonas para manifestantes estarão separadas por um corredor de 80 metros de largura por um quilômetro de comprimento, que vai da Catedral ao Congresso Nacional.
O corredor será de trânsito exclusivo das forças de segurança e será protegido por policiais militares encarregados de impedir que um grupo invada o espaço reservado ao outro.
O alambrado no meio do corredor erguido há oito dias tem como objetivo impedir a visibilidade e o contato entre os grupos contrários e reduzir a chance de provocações e embates. Os acampamentos na Esplanada também estão proibidos.
Bonecos infláveis O uso de bonecos infláveis pequenos foi liberado. Os infláveis gigantes foram proibidos pelo risco de explosão.
Projeção em laser Segundo a SSP-DF, representantes dos grupos decidiram abrir mão das projeções a laser em fachadas de prédios. O tema foi tratado no Comitê de Pacificação, que reúne os grupos contrários e favoráveis ao impeachment, mediadores da sociedade civil e representantes da segurança pública.
Atendimento médico Membros do Corpo de Bombeiros e funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) estarão em toda a área. Próximo ao Ministério da Justiça, haverá uma unidade de triagem médica, para onde serão levadas pessoas socorridas. Perto do mesmo ministério, ficará o comando móvel da PM.
Carros de som Estão permitidos três trios elétricos para cada grupo. Os carros de som podem transmitir falas dos integrantes ou o áudio da sessão disponibilizado pela TV Câmara.
Músicas não serão permitidas. As falas nos trios serão controladas por participantes das manifestações cadastrados na secretaria. Elas não podem incitar a violência nem ser ofensivas.
Perto dos ministérios, haverá quatro telões ao longo do Eixo Monumental, de responsabilidade dos manifestantes. Eles exibirão exclusivamente imagens da votação transmitidas pela TV Câmara.
Dispersão controlada A dispersão dos manifestantes será controlada para evitar o confronto entre os lados que apoiam e defendem o impeachment. O primeiro grupo que deve deixar a Esplanada dos Ministérios é o que obtiver resultado negativo na votação. Haverá um controle no deslocamento dos manifestantes até a rodoviária do Plano Piloto e à estação central de metrô, próximos à área de manifestação.
A estimativa da Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social do DF (SSP-DF) é que 300 mil pessoas participem do ato, somando os dois grupos.
Praça dos Três Poderes Considerada área de segurança nacional, a área que compreende a Praça dos Três Poderes, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, o Palácio do Planalto, o Itamaraty e o Ministério da Justiça estará liberada somente para o trânsito das forças de segurança.
A Câmara dos Deputados também terá um esquema especial de segurança. O acesso será limitado e restrito a pessoas com credenciamento especial para acompanhar o processo de votação do pedido de impeachment.
Orientações para os manifestantes
• Não será permitido portar objetos cortantes, garrafas de vidro, hastes de madeira ou fogos de artifício;
• Não será permitido usar máscaras ou cobrir o rosto com lenços ou bandanas;
• Não será permitido estacionamento ao longo das vias;
• Não será permitida a venda de bebidas alcoólicas;
• Não é recomendado que pais levem crianças. Caso seja a decisão dos responsáveis, é necessário que elas estejam identificadas e, em hipótese alguma, sejam submetidas a situações de risco;
• Também não é recomendado que idosos ou pessoas com problemas cardiovasculares estejam no meio de grandes aglomerações.
FMI e BM pedem ação devido estagnação econômica

Ministros da Economia do mundo todo pediram neste sábado um compromisso para impulsionar o desenvolvimento, durante a reunião de primavera (boreal) do FMI e do Banco Mundial.
Líderes das finanças mundiais insistiram com a mensagem de que cada país deve assumir suas responsabilidades para o crescimento, e buscaram manter um olhar "positivo" sobre as perspectivas.
No entanto, com o aumento do número de países em desenvolvimento que buscam o apoio das duas instituições para administrar a queda dos preços das matérias-primas, não houve uma resposta clara aos pedidos para organizar um plano internacional para enfrentar o fenômeno.
"O Fundo Monetário Internacional está alerta, mas não alarmado", disse Agustín Carstens, diretor do Comitê Financeiro do FMI, durante uma das dezenas de reuniões em Washington.
Os países integrantes do fundo concordaram sobre a necessidade de adotar rapidamente ações "de apoio mútuo" para impulsionar o crescimento global, acrescentou Carstens.
O FMI começou a semana anunciando uma revisão em baixa nas expectativas globais de crescimento para este ano, a 3,2%.
A entidade alertou que os fluxos de refugiados, mais a volatilidade nos mercados financeiros, o aumento nas quebras de empresas e a eventual saída da Grã Bretanha da União Europeia, constituem as mais sérias ameaças à economia global.
Após dezenas de reuniões com países-membros, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, parecia mais otimista ao fim dos trabalhos.
Para Lagarde, a semana foi "um pouco uma terapia de grupo, para sair da situação negativa enfrentada e dos desafios no horizonte, para uma abordagem positiva para identificar soluções".
Para Lagarde, "não se pode fazer qualquer progresso a menos que se tenha uma atitude positiva".
Compromissos vagos
O compromisso de cada país com a estratégia de "tripé" do FMI para impulsionar o crescimento continua sendo vago, e constitui outro sinal de preocupação.
O Fundo formulou um pedido aos países para que implementem o "tripé" que inclui política monetária, gasto fiscal e reformas estruturais como forma estimular a atividade econômica.
Como vários bancos centrais já reduziram os juros, não faltam críticos para apontar um eventual impacto adicional das políticas monetárias será limitado.
Ao mesmo tempo, muitos países não têm os recursos financeiros disponíveis para aumentar seus gastos e impulsionar o crescimento.
Os Estados Unidos, que exibem o mais vigoroso crescimento entre os países desenvolvidos e que sofre agora pressões para investir em infraestrutura, disseram ter feito a sua parte.
"Os Estados Unidos não podem e não devem ser o único motor do crescimento, nem o importador, nem o primeiro e último recurso para a economia global", disse o secretário americano do Tesouro, Jacob Lew. "Todas as economias devem aplicar todas as ferramentas de política econômica", apontou.
A Alemanha, outro dos países sob pressão para que disponha de seus recursos para impulsionar crescimento, avisou que a resposta à demanda é que outros reformem suas economias.
"Repetidas revisões do crescimento global nos últimos anos mostram que há fatores estruturais que têm influência", expressou o ministro alemão da Economia, Wolfgang Schauble, em comunicado.
"A política monetária não substitui uma política fiscal sustentável nem reformas estruturais", afirmou. "As limitações e os efeitos negativos das políticas macroeconômicas expansionistas se tornam mais visíveis na medida em que são aplicadas por mais tempo".
Isso não ajuda a confortar os países em situação de fragilidade. Como afirmou Carstens, as economias emergentes estão expostas a condições financeiras ajustadas, pressão sobre suas moedas e sem muito espaço fiscal ou monetário para mover-se.
O FMI anunciou possíveis programas de resgate a vários países nas últimas semanas a países como Angola e Suriname.
O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, disse que a entidade verificou um crescimento nos pedidos de ajuda a níveis só vistos em tempos de crise financeira.
Sessão do impeachment é a mais longa da história da Câmara

A discussão do parecer sobre a abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff registra hoje (16) à noite mais de 35 horas ininterruptas e já é considerada a sessão mais longa da história da Câmara dos Deputados. Todos os 25 partidos com representação na Casa tiveram a oportunidade de discutir o parecer. O debate foi prolongado pelas falas de lideranças, permitidas a cada nova sessão.
Até então, a sessão com maior duração havia sido a da votação da Medida Provisória dos Portos, em maio de 2013, que durou 22 horas consecutivas. A discussão da Medida Provisória levou, ao todo, cerca de 40 horas, divididas ao longo da semana.
Neste momento, está em curso a oitava sessão consecutiva sobre o pedido de impeachment, em que deputados inscritos individualmente para discursar começaram a debater a matéria por volta das 19h.
Inicialmente, a lista de inscrições de deputados para discursos sobre a admissibilidade de abertura do processo de impeachment reunia 249 deputados: 170 iriam defender o afastamento da presidenta e 79 deveriam pedir o arquivamento do processo.
No entanto, após um acordo de líderes de 14 partidos pró-impeachment, o deputado Jovair Arantes, líder do PTB, informou que 60 deputados abriram mão de falar no plenário na etapa individual das discussões do impedimento. Segundo ele, essa iniciativa trará um ganho de seis a sete horas no processo, o que garantirá o início da votação amanhã (17) às 14h.
Placar do impeachment mostra 348 votos pela saída de Dilma

Levantamento realizado pelo Grupo Estado mostra que o número de votos a favor do impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff, subiu para 348 e os votos contra seguiram em 133. Neste momento, há 10 indecisos, 20 não responderam e 2 prováveis ausências.
O deputado André Abdon (PP-AP), que constava como provável ausência, agora aparece no site da Câmara como ativo. Ele está a favor do impeachment.
Tremor de 7 graus sacode fronteira entre Colômbia e Equador

Um forte tremor de 7,5 graus de magnitude na escala aberta de Richter foi sentido neste sábado no sudoeste da Colômbia, na fronteira com o Equador, sem que se tenha informado a princípio de vítimas ou danos materiais.
Segundo o Serviço Geológico Colombiano, o tremor aconteceu a 18h58 (horário local, 20h58 em Brasília) a uma profundidade de 127 quilômetros no oceano Pacífico, com epicentro na região fronteiriça.
Na Colômbia, o tremor foi sentido em cidades como Cali, Pasto e Popayán, segundo a União Nacional de Gestão de Risco de Desastres (UNGRD).
Cunha recebe ameaça por telefone e pede reforço de segurança

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu uma ameaça por telefone em sua residência, no Rio. O deputado pediu reforço de segurança no local ao governador do Rio em exercício, Francisco Dornelles.
A informação é da assessoria de imprensa de Cunha. O presidente da Câmara está em Brasília, para a votação, neste domingo, 17, do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.
A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro confirmou o pedido de Cunha ao governador e informou que a Polícia Militar vai reforçar a segurança no condomínio de Cunha, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. O pedido de policiamento busca principalmente proteger a família do deputado.
manisfestaçoes ao vivo pró e contra impeachment

Neste domingo, cidades de todo o Brasil serão palco, novamente, para protestos contrários e a favoráveis ao governo da presidente Dilma Rousseff.
As manifestações irão acontecer em um momento crítico para a história do país. A partir das 14h de hoje, a Câmara dos Deputados decidirá se o processo de impeachment contra a presidente segue ou não para o Senado. Veja o passo a passo.
A expectativa de organizadores é de que mais de 60 cidades abriguem atos com visões opostas.
As atenções estarão voltadas para Brasília (DF), onde acontece a votação. A expectativa é de que manifestantes pró e contra impeachment se reúnam em frente ao Congresso Nacional - separados por um muro e pelo policiamento de 4 mil agentes.
O grupo contra impeachment se concentrará no Teatro Nacional por volta do meio-dia e caminhará até o Congresso. Já o pró-impeachment se reúne às 13h no espaço em frente ao local onde ocorre a votação.
Em São Paulo, os apoiadores do governo ou os contra impeachment se concentrarão no Vale do Anhangabaú e no Largo da Batata, às 10h - onde estão programados shows de grupos de artistas da cidade.
Os favoráveis ao impeachment acompanharão a votação por um telão no MASP, na Avenida Paulista, a partir do meio-dia.
Outras grandes cidades como Rio de Janeiro, Natal e Curitiba também serão palco para atos. Veja nos ícones do mapa as informações de cada evento. Em vermelho estão representados os contra impeachment e em amarelo os a favor.
Os dados são do Movimento Brasil Livre, Vem Pra Rua, Central Única de Trabalhadores e Frente Brasil Popular, principais líderes dos movimentos.
Dilma x Collor: em que o impeachment de hoje difere do de 92

Caso o processo de impedimento do mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) seja aprovado por dois terços dos deputados da Câmara neste domingo (17), os brasileiros estarão um passo mais próximos de ver o segundo impeachment da história do país. Mesmo assim, sobram diferenças entre o processo atual e o que destituiu Fernando Collor de Mello em 1992.
Para entender as principais diferenças – e semelhanças – entre os dois casos, EXAME.com conversou com cientistas políticos e um sociólogo. Veja ponto a ponto de cada uma delas:
1. Crime
Para que um pedido de impeachment tenha consistência, devem existir evidências de que o mandatário cometeu algum crime comum (como homicídio ou roubo) ou crime de responsabilidade – que envolve desde improbidade administrativa até atos que coloquem em risco a segurança do país.
O sociólogo Wagner Iglecias, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, afirma que essa é a primeira (e principal) diferença entre os dois pedidos.
“Naquela época, as pessoas tinham certeza de que Collor tinha cometido um crime de responsabilidade”, diz o especialista. “Hoje, no caso de Dilma, paira a dúvida”.
Collor foi acusado de ter recebido 6,5 milhões de reais oriundos de um esquema de financiamento ilícito coordenado por seu ex-tesoureiro de campanha Paulo César Farias.
“O senhor PC Farias anunciava a quem quisesse ouvir que, das propinas arrecadadas, 30% se destinavam a ele próprio e 70% ao presidente da República”, descreveu Genebaldo Correia, então líder do PMDB, na sessão plenária da Câmara que julgou o ex-presidente em 1992.
Já a acusação de Dilma diz que ela cometeu crime de responsabilidade ao permitir manobras orçamentárias sem autorização do Congresso – como as pedaladas fiscais e a abertura de créditos suplementares.
Quando o governo percebeu que não cumpriria a meta de superávit, prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias, a presidente editou decretos para liberar 2,5 bilhões de reais em créditos extras. A manobra não foi comunicada previamente ao Congresso.
“Houve uma maquiagem deliberadamente orientada a passar para a nação (e também aos investidores internacionais) a sensação de que o Brasil estaria economicamente saudável e, portanto, teria condições de manter os programas em favor das classes mais vulneráveis”, diz o texto do pedido de impeachment contra Dilma.
Ainda assim, existe a dúvida de se a ação da presidente figura, de fato, um crime de responsabilidade. Para Iglecias, as pedaladas dividem opiniões entre os juristas. “Trata-se de algo comum na gestão pública. É um instrumento que também foi usado nos governos Lula e FHC, por exemplo”.
A defesa de Dilma, representada pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, diz que as pedaladas são subvenções econômicas -- permitidas por lei -- e não operações de crédito. “Não há transferência de dinheiro do Banco do Brasil para a União”, diz o documento.
De acordo com a defesa, o que houve foi um atraso nos pagamentos, sendo que as dívidas decorreram do acúmulo de saldos devidos.
A defesa afirma que os créditos suplementares são permitidos por lei e
são “apenas espécies de ‘freios de rearranjo ou de rearrumação’" para
adaptar o planejamento à realidade, ou seja, não modificam o orçamento.
“Crédito suplementar é alteração da lista sem mudar o orçamento",
afirmou Cardozo em reunião ao colegiado da Câmara.
2. Apoio dos parlamentares
O professor e cientista político da FGV/EBAPE, Carlos Pereira, explica que o governo Collor não contava com uma maioria legislativa. “O Partido da Reconstrução Nacional (PRN) foi criado por ele para disputar a eleição”, diz. “Dessa forma, por ser minoritário, ele não dispunha de uma base social sólida. Quando surgiram os primeiros sinais de um comportamento ilícito, ele ficou completamente isolado”.
Isso significa que “quando chegou no plenário da Câmara, a votação foi praticamente unânime”, afirma o especialista da EACH-USP.
No dia 30 de setembro de 1992, uma quarta-feira, a acusação de Collor foi admitida por 87,8% dos deputados. Dos 502 parlamentares da Câmara, somente 38 disseram não ao impeachment contra o ex-presidente.
Para Iglecias, se o processo de Dilma for aprovado na Câmara, será por uma margem bem pequena. “A presidente tem pelo menos 100 votos”, diz. “Já a união parlamentar para aprovar o impeachment de Collor foi absurda”, contando inclusive com a união de PT, PMDB e PSDB - hoje de lados opostos.
No cenário atual, Dilma também segue no caminho do isolamento. Após o desembarque oficial do PMDB da base aliada, o governo assistiu à debandada sequencial do PP, PRB e PSD – juntas, as três legendas somam 106 deputados federais.
Ainda assim, o cientista político da FGV/EBAPE diz que, diferentemente
de Collor, a petista conta com uma bancada razoável no Legislativo e
está inserida em um partido forte – fato que pode garantir o resultado
apertado para um dos lados na votação de domingo.
3. Rito
Apesar do rito processual que julgou a ação contra Collor ser o mesmo que julga Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal Federal (STF) dava mais autonomia à Câmara dos Deputados.
Em dezembro do ano passado, por exemplo, o Supremo barrou algumas regras definidas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e estipulou que o procedimento seguisse a Lei do Impeachment, de 1.079/1950.
“Em 92, quando a Câmara admitiu a acusação contra o presidente, ninguém mais defendia Collor”, diz o Iglecias. “O desgaste de um novo julgamento seria tão grande que a votação no Senado foi simbólica”.
No contexto atual, por conta da forte divisão parlamentar, a decisão do afastamento de Dilma estará nas mãos do Senado.
4. Manifestações populares
Em 1992, o pedido de afastamento de Collor era unânime tanto para a população, quanto para as lideranças sindicais e os partidos políticos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) – hoje, de lados opostos - estavam unidas na luta pela derrubada de Collor.
Como a divisão popular era pequena, os protestos eram bem controlados, descreve Wagner Iglecias.
O principal ato, conhecido como “Domingo Negro”, aconteceu em 16 de agosto de 1992. Dias antes, o então presidente Collor pediu apoio aos brasileiros: convocou a população para vestir verde e amarelo em sua defesa. A proposta fracassou. Em resposta, milhares de brasileiros tomaram as ruas vestindo roupas pretas.
Já no governo Dilma, há uma divisão acentuada entre os que são contra e pró-impeachment. “A impopularidade de Dilma é altíssima, mas, na lógica das manifestações populares, está clara a existência de uma fragmentação da opinião popular”.
Em 2015, três grandes atos contra o governo foram realizados. Neste ano, as manifestações favoráveis (e desfavoráveis) ao impedimento da presidente acontecem esporadicamente. A maior delas foi em 13 de março, quando 3 milhões de pessoas foram às ruas de todo o país clamando pelo impeachment da petista.
Compare a taxa de rejeição de cada presidente.
5. Postura do Vice
Iglecias diz que, desde o início, o vice de Fernando Collor, Itamar Franco, adotou uma postura reservada e leal. “Ele cumpriu o papel que um vice-presidente deveria cumprir: foi fiel e reservado até o fim”.
Iglecias descreve que Itamar tirou o seu apoio ao presidente apenas quando o processo foi colocado em julgamento na Câmara dos Deputados.
Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Antônio Flávio Testa, o vice de Dilma, Michel Temer, adota uma postura defensiva. “Ele está de olho no futuro próximo”, diz.
Nesta semana, o jornal Folha de S. Paulo revelou uma gravação de 14 minutos em que Temer fala como se o processo de impeachment da presidente já tivesse sido aprovado na Câmara.
“Agora, quando a Câmara dos Deputados decide por uma votação significativa declarar a autorização para instalação de processo de impedimento contra a senhora presidente, muitos me procuraram para que eu desse pelo menos uma palavra preliminar à nação brasileira, o que faço com muita modéstia, cautela, com muita moderação, mas também em face da minha condição de vice-presidente, naturalmente de substituto constitucional da senhora presidente da República”, diz Temer na gravação.
Essa é a segunda vez que um depoimento do vice nos bastidores vaza para a imprensa. Em dezembro do ano passado, uma carta dele endereçada a presidente Dilma também veio a público.
No texto, o peemedebista relata uma série de episódios que demonstrariam, nas palavras dele, a "absoluta desconfiança" que Dilma sempre teve em relação a ele e ao PMDB.
Em ambos casos, os vazamentos geraram sátiras e críticas de colegas de partido.
sábado, 16 de abril de 2016
Baseada no Minha Casa Minha Vida, MRV lidera setor

Ao concentrar sua produção no Minha Casa Minha Vida, a MRV conseguiu se blindar da crise que afeta o setor e, de quebra, ascender, em sete anos, da quarta posição no ranking das maiores incorporadoras do país para o primeiro lugar da lista.
Dados compilados pela consultoria Economática desde 2009, quando o programa de habitação federal foi lançado, mostram que a companhia mineira deixou para trás empresas como Cyrela, Eztec e Gafisa, que vinham dominando o segmento desde a explosão da oferta pública de ações (IPOs), que ocorreu uma década atrás.
A MRV ocupa a primeira posição em quase todos os indicadores financeiros considerados relevantes por investidores e analistas - volume de vendas, número de lançamentos, receita líquida operacional, lucro líquido.
Exatamente por isso, em valor de mercado, a empresa surge com folga na dianteira, avaliada em R$ 5,329 bilhões ao fim do primeiro trimestre de 2016. A Cyrela, segunda colocada, estava avaliada em R$ 3,9 bilhões.
O único indicador em que a MRV ainda fica para trás é o de proporção de retorno sobre o patrimônio (ROE, da sigla em inglês).
Em 2015, a incorporadora obteve índice de 12%, atrás da Eztec, que alcançou ROE de 16%, esta última motivada principalmente pelo preço de venda de seus imóveis, voltados para a média e para a alta renda.
"Mas a expectativa é que ela passe a Eztec rapidamente também no ROE", diz um analista, que prefere não se identificar.
Novos imóveis
Em um ano marcado por um recuo de 19,3% em lançamentos em relação a 2014, a MRV colocou à venda 33.526 unidades, 55% do volume total lançado pelo mercado, que, segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), ficou em 60.274 unidades.
Para 2016, o presidente da MRV, Eduardo Fischer Teixeira de Souza, diz que não deve alterar o ritmo. "A gente vai fazer, pelo menos, igual ao que já fizemos ano passado. Eu posso dizer que entrei em 2015 com mais receios do que quando entrei em 2016", diz.
Do total dos lançamentos da MRV em 2015, 74% se encaixaram nas faixas 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida, com teto de R$ 225 mil para a venda ao consumidor final. O programa tem quatro faixas: 1, a recém-criada 1,5, e as faixas 2 e 3.
Na opinião de Luiz Mauricio Garcia, analista mercado do Bradesco BBI, tudo indica que as projeções da empresa para este e o próximo anos sigam positivas. "Eu acho que ela continua (na liderança do setor), sim.
O programa MCMV representa hoje uma parcela relevante da oferta de imóveis e, se você olhar as faixas de renda em que a MRV está concentrada, que são as faixas 2 e 3, são as que têm o menor subsídio dentro do programa", afirma.
Para o analista Marcelo Motta, do banco JP Morgan, o sucesso da empresa reside exatamente nessa escolha de onde se fixar dentro do programa habitacional do governo.
"A MRV está na faixa 'premium' do MCMV, dependendo dos recursos do FGTS para a concessão de crédito. E os recursos do FGTS, mal ou bem, já estão definidos para os próximos três anos", explica Motta.
"A Eztec vai sofrer mais do que a MRV porque trabalha numa faixa a partir de R$ 300 mil. E, neste mercado, os recursos para financiamento estão escassos", destaca.
Um ponto, porém, é alvo de atenção dos especialistas: a evolução da carteira própria de crédito concedido pela MRV, o que é chamado no mercado de "pró-soluto".
Essa carteira é composta pelos valores a receber dos clientes, ou seja, parcelados diretamente com a companhia, uma vez que os financiamentos concedidos pelos bancos não atingem 100% do valor do imóvel.
A MRV somou R$ 848 milhões em sua carteira própria no quarto trimestre do ano passado, uma elevação de 55,5% na comparação com o fim de 2014. O número, dizem os especialistas, não assusta, mas merece atenção, já que aumenta a exposição da empresa a risco.
Expansão
Além da concentração na faixa "premium" do MCMV, outro fator que explica o bom desempenho da MRV nos últimos anos foi a aquisição de R$ 35 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) em terrenos distribuídos por 140 cidades.
Com isso, contam os analistas do setor, a incorporadora é hoje a mais pulverizada do País. "Isso nos dá segurança. Temos operações em Macaé, no Rio, que têm sofrido com a crise do óleo e do gás.
Mas, em contrapartida, temos terrenos em cidades fortes no agronegócio, que não sofrem tanto", afirma Eduardo Fischer.
Como os ciclos de incorporação são considerados longos - da compra do terreno até a entrega da chave, o tempo médio é de cinco anos -, ter terrenos em 140 cidades, a maioria delas de médias e pequenas, torna-se também uma barreira de entrada para a concorrência no curto e no médio prazos.
"Esse é um setor de ciclo longo, onde custo de capital no Brasil pressiona muito a rentabilidade esperada do projeto", analisa um especialista.
Outro indicador bem avaliado pelo mercado é o posicionamento agressivo da MRV em relação à compra de terrenos, dado que indica o apetite da incorporadora para crescer.
Em 2015, a MRV desembolsou R$ 280 milhões de caixa na aquisição de terrenos.
O número, segundo o presidente da companhia, deve se repetir em 2016, com uma diferença. Na opinião dele, a empresa precisa reforçar sua posição nas capitais, sobretudo para se proteger da concorrência, que deve se intensificar nos próximos anos.
"Espero uma concorrência maior, mas ela deve ocorrer onde as incorporadoras já atuam, nas principais praças. Nós já estamos reforçados no interior. Vamos procurar um reforço também nas capitais."
Estrangeiro que participar de ato pode ser expulso do país

A Federação Nacional dos Policiais Federais informou que os estrangeiros que participarem de atos políticos durante este fim de semana podem ser detidos e expulsos do país.
O comunicado surge em meio a notícias sobre a entrada de estrangeiros vindos da Venezuela, do Peru, da Argentina e do Paraguai para protestar contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
De acordo com a federação, o Estatuto do Estrangeiro (Lei nº 6815/80, art.107) dispõe que o estrangeiro admitido em território nacional não pode exercer atividade de natureza política, nem participar de desfiles, passeatas, comícios e reuniões de qualquer natureza no Brasil, submetendo o infrator à pena de detenção de um a três anos e expulsão do país.
A lei submete ainda à pena de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranquilidade ou moralidade pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo à conveniência e aos interesses nacionais.
O controle migratório de estrangeiros no Brasil, segundo a nota, é atividade de soberania da Polícia Federal, feita nas fronteiras terrestres, nos portos e aeroportos por agentes que fiscalizam a regularidade da entrada, permanência e saída do território nacional, podendo aplicar multas e notificar a deixarem o país os que infringirem a lei.
“Vivemos no Brasil um momento de crise política interna, mas não devemos abrir mão da nossa soberania. Estrangeiros entrando no país com o objetivo específico de participar de manifestações políticas são uma ameaça ao Brasil, uma violação ao Estatuto do Estrangeiro e uma afronta às instituições de controle, como a Polícia Federal”, avaliou o presidente da federação, Luis Boudens.
De acordo com o comunicado, todo o efetivo de agentes federais estará de sobreaviso no período de 15 a 18 de abril, visando atuar em eventuais ocorrências de competência da Polícia Federal e no auxílio às demais forças de segurança pública do país.
Bolsonaro acusa governo de preparar atentado terrorista

O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) insinuou que o governo federal estaria planejando um atentado terrorista para se manter no poder.
A acusação foi feita na madrugada deste sábado, 16, durante a sessão da Câmara dos Deputados que discute o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em sua fala, contudo, Bolsonaro não citou a denúncia das pedaladas fiscais que baseiam o processo de impedimento.
Segundo o deputado do PSC, a confirmação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de uma suposta ameaça de ataque ao Brasil, seria apenas um pretexto para o Partido dos Trabalhadores, que ele chamou de "facção criminosa", atacar o País e acusar o grupo terrorista. "Isso não é de graça", afirmou. "Governo fará muito mais que o diabo para não deixar o poder. Só não percebe quem não quer."
Bolsonaro falou por de dez minutos, criticando supostos acordos que a presidente Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam feito com países como Cuba, Venezuela e a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
O filho de Bolsonaro, Eduardo, falou em seguida e manteve o tom acusatório contra o posicionamento "de esquerda" do governo, também sem se basear na denúncia por crime de responsabilidade.
O PSC foi o 15º partido a ocupar a tribuna na sessão que se iniciou na sexta-feira e seguiu na manhã deste sábado.
Temer deveria ter ficado em Brasília, diz relator
Relator do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, o deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO) disse neste sábado, 16, que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) retornou de São Paulo para Brasília a pedido dos partidos da oposição.
"A presença dele aqui é importante. O centro da decisão é aqui", disse. Para o relator, o "erro" de Temer foi ter ido ontem para São Paulo.
"Deveria ter ficado direto", afirmou.
O vice-presidente tinha viajado nessa sexta-feira (15) para São Paulo, onde acompanharia a votação do impeachment no domingo. No entanto, depois de o governo começar a comemorar os resultados da ofensiva empreendida para tentar barrar o impedimento da petista, Temer decidiu retornar à capital federal.
Arantes afirmou que "é necessário" que Temer fique em Brasília articulando.
"Claro que em uma disputa de poder tem que ser feito isso", disse. "Você tem dúvida disso?", questionou ao ser indagado se ele considerava, então, a votação do impeachment uma disputa de poder entre o vice-presidente e Dilma.
O relator também admitiu que Temer tem feito articulações com a oposição nessa "disputa de poder". Para Arantes, essas negociações são "republicanas", uma vez que a Constituição Federal estabelece que ele é o próximo na linha sucessória da presidência da República.
O parlamentar disse ainda que, por suas contas, a oposição tem entre 350 e 360 votos para aprovar o impeachment na Câmara dos Deputados.
Ele afirmou que o relatório dele, que foi aprovado na comissão e será votado no plenário, "causou pânico no governo, porque eles não acharam uma forma de contestar".
O vice-presidente da República terá na tarde deste sábado uma reunião de trabalho no Palácio do Jaburu, em Brasília. O atual presidente do PMDB, senador Romero Jucá, é um dos participantes do encontro e já chegou ao local.
PT e governo defendem eleições gerais caso impeachment passe

O PT e o governo planejam fazer uma grande campanha nacional de coleta de assinaturas em apoio a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) caso o Congresso aprove o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
A ideia, que até agora era cogitada apenas em conversas reservadas, passou a ser defendida abertamente pelos estrategistas próximos à Dilma.
"Se o impeachment de fato for decretado, passar pelo Senado, nós vamos defender eleições gerais porque não reconhecemos no vice-presidente condições morais e jurídicas para vir a presidir o Brasil. O caminho para isso é apresentar uma PEC com amplo apoio popular, recolher milhões de assinaturas. Eu vou defender isso dentro do PT e acredito que o PT vai defender também. Nós vamos conviver com um golpe? Não. Assim como não convivemos com a ditadura", disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ), um dos principais articuladores da reação anti-impeachment.
A tese é corroborada por ministros palacianos e ganha cada vez mais adeptos entre os aliados de Dilma. Na quarta-feira, em conversa com jornalistas, a presidente admitiu "respeitar" uma proposta alternativa que passe pelo voto popular.
As poucas divergências são quanto ao momento em que a campanha deve ser deflagrada. Alguns petistas defendem que seja logo depois da votação na Câmara, em caso de derrota do governo.
Eles apostam que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), vai "esfriar" a disputa quando o impeachment chegar em suas mãos e retardar o ritmo do processo, o quedaria tempo para a mobilização pela coleta de assinaturas.
Aliados de Dilma se fiam em pesquisas de opinião que mostram aversão a Temer igual ou maior do que à presidente por parte da população e acreditam que não seria impossível, com ajuda dos movimentos sociais ligados ao partido, coletar milhões de assinaturas em poucas semanas para pressionar o Congresso a aprovara PEC.
No Palácio do Planalto e entre a aliados de Dilma a ideia tem sido chamada de "contra-golpe", uma espécie de revanche contra Temer, que virou alvo de fúria entre petistas que prometem desestabilizar um eventual governo do vice.
"Se o impeachment for admitido aqui acho muito difícil que o doutor Michel Temer tenha condições de governar porque obviamente terá se tratado de um golpe. Ele da nossa parte não merecerá o tratamento de presidente, ele é um usurpador, um conspirador, um traidor", disse Damous.
Na conversa com jornalistas Dilma acusou Temer se "se associar" politicamente ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu na Operação Lava Jato, para derrubar o governo.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu a interlocutores que preferia ver o país nas mãos do PSDB, em uma derrota eleitoral do PT, do que entregue ao grupo do vice. Damous acusou Temer de oferecer o fim da Lava Jato em troca de votos pelo impeachment.
"O doutor Temer hoje não conseguiria se eleger vereador. Mais cedo ou mais tarde vai virar alvo da Lava Jato. Aliás ele tem conseguido virar votos aqui na Câmara, isso eu sei, dizendo que se eleger acaba com a Lava Jato", disse o deputado.
Diário Oficial traz mudanças em posto ocupado por ex-aliados

A presidente Dilma Rousseff nomeou Márcio Endles Lima Vale para o cargo de presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), vinculada ao Ministério da Saúde.
Vale assumiu o posto em substituição a Antonio Henrique de Carvalho Pires, nome indicado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, e que foi exonerado da função no fim de março.
A exoneração de Pires deu início à desocupação de cargos que estavam com o PMDB, sobretudo àqueles pertencentes a alas ligadas a Temer.
A nomeação do novo presidente da Funasa está publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta sexta-feira, 15. Vale já atuava no órgão como diretor do Departamento de Administração, cargo do qual foi exonerado.
Para este posto, agora foi nomeado João Ricardo Medeiros Pimentel. Outra nomeação na Funasa foi de José Inácio da Silva Filho. Ele será o superintendente da Fundação no Estado da Paraíba.
Segundo o Broadcast divulgou na quarta-feira, 13, Dilma iria apressar as demissões de ex-aliados.
O governo quer estar com os cargos liberados já na próxima segunda-feira (18) - quando a presidente acredita que o fantasma do impeachment estará afastado com a derrubada do processo no plenário da Câmara - para poder substituir todos os demitidos, premiando os aliados fiéis.
Integração e outros
A edição extra do DOU também traz mudanças em outros postos ocupados por ex-aliados do governo. No documento, Dilma torna sem efeito a nomeação de Paulo Cesar Figueiredo Ribeiro para a diretoria da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Ele iria substituir Keila Adriana Rodrigues de Jesus no cargo de diretora de Planejamento e Articulação de Políticas, exonerada da função ontem.
A Sudam é vinculada ao Ministério da Integração Nacional, que estava sob o comando do ministro Gilberto Occhi, do Partido Progressista (PP). Occhi deixou o cargo esta semana depois que o PP decidiu desembarcar do governo.
Para o lugar de Occhi, Dilma chegou a nomear José Rodrigues Pinheiro Dória, que também é do PP, mas de uma ala que havia se mantido fiel ao governo.
No entanto, Dória renunciou à função no mesmo dia temendo punição da legenda, que optou não só por abandonar o governo, mas também por fechar questão a favor do impeachment, punindo os dissidentes.
O cancelamento da nomeação de Dória foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União na noite da quinta-feira. Na edição extra de ontem, a anulação foi novamente divulgada.
No Ministério do Esporte, foi exonerado Carlos Geraldo Santana de Oliveira do cargo de secretário nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social.
Além dessa baixa, já haviam sido exonerados nos últimos dias um diretor e um secretário da pasta depois que George Hilton, que até então era do PRB, deixou o cargo de ministro. O novo ministro do Esporte agora é Ricardo Leyser, do PCdoB.
O Diário extra traz ainda outras mudanças em cargos de confiança de vários outros ministérios, como Agricultura; Cultura; Ciência, Tecnologia e Inovação; Advocacia-Geral da União; e Cidades.
Além disso, na Secretaria de Aviação Civil (SAC), Juliano Alcântara Noman pediu exoneração do cargo de secretário de Navegação Aérea Civil. A SAC tinha como ministro até esta quinta-feira o peemedebista Mauro Lopes.
Ele deixou o cargo temporariamente para retornar à Câmara como deputado federal e poder participar da votação do impeachment neste fim de semana. Lopes tem dito que só vai declarar o seu posicionamento na hora da votação, no domingo.
Michel Temer diz que Dilma comete 'mentira rasteira'

O vice-presidente Michel Temer usou a sua conta no Twitter para rebater o discurso da presidente Dilma Rousseff, divulgado em vídeo.
No discurso contra o processo de impeachment, Dilma disse que os golpitas acabariam com programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.
Temer disse que a fala era "mentira rasteira".
A mensagem não deixa de ser curiosa pelo fato de Temer já falar como se fosse presidente ou como se tomasse por certo que assumirá em poucas semanas.
Um desavisado leria o tweet como se fosse o de um candidato em época de eleição.
Temer ainda postou outras mensagens sobre o futuro:
Feirões e iniciativas empregam 11 mil refugiados desde 2012

Desde que chegou a São Paulo há quatro anos, o refugiado da República Democrática do Congo Alphonse Nyembo passou por dificuldades.
No início, para ganhar a vida, tentava vender celulares e videogames usados.
Atualmente desempregado, no último ano tem sobrevivido com uma renda de R$ 1 mil que recebe das aulas de inglês ministradas na ONG Abraço Cultural.
Formado em Mecatrônica, ele acredita que agora tem a oportunidade de realizar seu maior sonho e conseguir uma vaga como mecânico industrial: na segunda-feira, 18, Nyembo participa da 3ª edição do Feirão de Empregos para o Imigrante e o Refugiado, realizado pelo governo do Estado em parceria com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).
No evento, mais de cem vagas serão ofertadas nos setores de indústria e serviços e haverá palestras sobre empreendedorismo. Os interessados poderão tirar a carteira de trabalho e se cadastrar em programas sociais como o Bolsa Família.
"Caso eu não consiga a vaga de mecânico, vou aceitar o que vier mesmo, porque a crise está feia", lamenta o congolês, que fala cinco idiomas.
Contratar imigrantes ou refugiados é prática que tem sido adotada por empresários da capital e do interior do Estado.
Os feirões e outras iniciativas permanentes como o Eixo Trabalho, realizado pela Paróquia Nossa Senhora da Paz, e o Programa de Apoio à Recolocação do Refugiado (PARR), apoiado pela Cáritas, facilitam a intermediação entre as partes e preparam esses estrangeiros para o mercado de trabalho, oferecendo aulas de português e dicas para elaboração de currículo.
"Sensibilizamos o empresário, que muitas vezes não sabe o que é um refugiado e não enxerga o potencial dele", diz Rebeca Duran, do PARR. De acordo com levantamento das duas entidades, de janeiro de 2012 até março deste ano foram contratados 11.083 imigrantes e refugiados.
Apostar na mão de obra imigrante é uma maneira de aumentar a diversidade dentro das empresas, o que pode criar um ambiente onde se facilita a criatividade. Esta é a opinião do contador Mauro de Andrade, proprietário do escritório Gesplan Contabilidade.
Em abril do ano passado, ele contratou as refugiadas Hayat Houbbi, de 22 anos, da Síria, e Kadiatou Balde, de 40 anos, da República da Guiné. "Ter pessoas que falam outros idiomas facilita os negócios."
Barreiras na integração
Uma grande dificuldade para a recolocação de imigrantes e refugiados no mercado de trabalho é a validação do diploma, no Brasil, de um curso universitário concluído em outro país.
A Cáritas estima que 25% dos refugiados têm curso superior completo.
Como não há uma legislação específica sobre o tema, as universidades públicas brasileiras responsáveis pela validação estabelecem suas próprias regras, em um processo que pode levar até dois anos e custar R$ 2 mil.
No ano passado, o Ministério da Educação chegou a emitir parecer para flexibilizar a validação de diplomas. "Estamos desperdiçando profissionais qualificados", diz Larissa Leite, da Caritas.
Querem condenar uma inocente e salvar corruptos, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff acusou em um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo aqueles que conduzem seu processo de impeachment no Congresso de querer alcançar o poder para escapar das acusações de corrupção que pesam contra eles mesmos.
"Querem condenar uma inocente e salvam os corruptos", escreveu Dilma, de 68 anos, na véspera de uma votação crucial no Parlamento sobre o processo que está em andamento.
"Será que estes que lideram o golpe permitirão que o combate à corrupção continue? Qual a sua legitimidade? O que querem dizer quando anunciam a necessidade de impor sacrifícios à população? O governo de salvação que prometem será para salvar o Brasil ou a eles mesmos?", questionou Dilma, que nos últimos dias acusou seu vice-presidente, Michel Temer, e o chefe da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de conspirarem contra seu governo.
Dilma é alvo de um processo de impeachment por suposta manipulação de contas públicas, as chamadas "pedaladas fiscais", em 2014, ano de sua reeleição, e no início de 2015.
A Câmara dos Deputados vai se pronunciar no domingo sobre o processo de impeachment que, se aprovado por uma maioria de dois terços e ratificado pelo Senado, tiraria a presidente do cargo, deixando o poder para Temer.
Dilma faz pronunciamento contra impeachment; assista

A ideia inicial do governo de Dilma Rousseff era fazer um pronunciamento na televisão na noite de ontem (15). Contudo, a Justiça de Brasília impediu a convocação.
Assim, ficou para o YouTube e outras redes sociais o vídeo em que a presidente fala, em tom bastante agressivo, contra o processo de impeachment na Câmara.
Com medo de panelaços e mais protestos, o governo só postou o vídeo durante a madrugada.
Dilma inicia seu discurso de pouco mais de seis minutos falando que pretende denunciar a "aventura golpista" em curso no País.
Ela também fala que "o que está em jogo é o respeito à vontade soberana do povo brasileiro, o respeito às urnas, as conquistas sociais e os direitos dos brasileiros".
Da mesma forma que na campanha eleitoral de 2014, quando Dilma abusou do medo para desqualificar adversários (quem não se lembra do prato de comida sumindo "da mesa do brasileiro"), dessa vez ela fala que programas como o Bolsa Família estão em risco.
Sobre o pré-sal, afirma que os "golpistas" irão mudar o regime de partilha e entregar os recursos às multinacionais estrangeiras.
A presidente também lembra que, contra ela, não há qualquer acusação de corrupção ou desvio de dinheiro público.
"Podem justificar a si mesmos, mas nunca poderão olhar nos olhos da Nação, porque a palavra golpe estará para sempre gravada na testa dos traidores da democracia", disse Dilma.
Novas empresas não apontam volta do capitalismo, diz Castro

O presidente de Cuba, Raúl Castro, afirmou neste sábado que aumentou o número de micro, pequenas e médias empresas privadas em função das reformas econômicas empreendidas no país há cinco anos, mas alertou que isso não representa a "restauração do capitalismo".
Em seu discurso inaugural do VII Congresso do Partido Comunista de Cuba, Raúl lembrou que a principal forma de gestão econômica no modelo socialista cubano continuará a ser a estatal.
"Não somos ingênuos, nem ignoramos a influência de poderosas forças externas que apostam no que chamam de empoderamento das forças não estatais de gestão, a fim de gerar agentes de mudança com a esperança de acabar com a revolução e o socialismo em Cuba", ressaltou Castro, em uma referência ao apoio expresso dos Estados Unidos aos empreendedores cubanos.
Se impeachment passar devemos paralisar a nação, diz Stédile

João Pedro Stédile, membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou nesta sábado, 16, que, se o impeachment da presidente Dilma Rousseff passar no domingo, 17, na Câmara, os movimentos sociais precisam organizar uma grande paralisação nacional para os próximos dias.
A declaração foi dada em evento promovido por movimentos sociais e sindicais em defesa do governo, que contou antes com um discurso do ex-presidente Lula.
"Se o impeachment for para o Senado, só há uma maneira de dar o nosso recado: é fazer uma paralisação nacional em todo o país. Isso exige paciência e debate. Vamos discutir nos nossos Estados, construir nos próximos 10, 15 dias uma grande paralisação da produção, dos transportes, das escolas, do serviço público, e dizer que a burguesia não vai ter sossego", afirmou.
Segundo Stédile, somente reformas como a agrária, a urbana e a dos meios de comunicação vão alterar a correlação de forças e tirar o governo "dessa emboscada de ficar mendigando votos no Congresso".
"O governo precisa criar vergonha e parar de montar ministérios com siglas partidárias que não representam ninguém. Esses partidos conservadores, que fingiam dar sustentação ao governo, só queriam mamar nas tetas do recurso público e agora traíram o governo", comentou.
Ele disse que conversou recentemente com Lula e este lhe perguntou se seria a hora de escrever uma nova Carta ao Povo Brasileiro, como o petista fez nas eleições de 2002. Stédile, no entanto, opinou que desta vez o povo é que deveria escrever a carta e enviar ao governo com suas reivindicações.
O líder Sem Terra lembrou que, mesmo que a Câmara reprove o impeachment, a "guerra" não estará terminada.
Uma das possibilidades é que a oposição pressione o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a anular as eleições de 2014, por supostas irregularidades na campanha de Dilma.
Stédile disse ainda que, barrado o impedimento de Dilma, o próximo passo é que o Supremo Tribunal Federal (STF) libere - possivelmente no próximo dia 20 - a posse de Lula como ministro da Casa Civil.
Quase 70.000 casos de zika na Colômbia desde outubro

A Colômbia registrou 68.630 casos de pessoas infectadas com o vírus zika, das quais mais de 12.000 em grávidas, numa fase de declínio da epidemia que desde outubro fez dois casos de microcefalia associados ao vírus, informou o Instituto Nacional de Saúde (NIH).
De acordo com o último boletim epidemiológico publicado neste sábado, na semana de 3 a 9 de abril foram notificados 231 novos casos confirmados e 3.560 suspeitos de zika.
Desde o início da epidemia, em outubro, foram relatados "3.292 casos confirmados e 65.338 suspeitos". Destes, 12.380 em grávidas.
A Colômbia reportou na quinta-feira os dois primeiros casos de microcefalia associada ao zika vírus, um dia depois de cientistas americanos confirmarem que o vírus provoca a doença e outros problemas neurológicos em fetos. Outros 15 casos de microcefalia estão sendo estudados no país.
O vírus zika foi identificado pela primeira vez em Uganda, em 1947, mas a doença não foi analisada a fundo, e seus sintomas se mostravam leves: eczema, dor nas articulações e febre. A maioria dos infectados sequer apresentava sintomas.
O zika se propaga entre humanos através do mosquito Aedes aegypti, presente em 130 países e que também transmite dengue, febre amarela e Chikungunya.
No entanto, estudos recentes afirmam que ele também pode ser transmitido sexualmente entre os seres humanos portadores do vírus.
Lula denuncia a elite brasileira em ato contra impeachment

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu neste sábado às "elites brasileiras" a tentativa de destituição da presidente Dilma Rousseff, em ato com simpatizantes em Brasília.
"A elite brasileira não gosta da democracia", disse Lula, líder histórico da esquerda brasileira, ante milhares de pessoas que o aclamavam.
Lula e Dilma articulam as negociações para frear o impeachment da presidente, que será submetido à votação na Câmara dos Deputados no domingo.
Acusada de manipulação das contas públicas, Dilma denuncia esta iniciativa como um "golpe de Estado" parlamentar.
"Isto é pela defesa da democracia. Por isso falamos com os deputados. Não podemos permitir que a presidente seja derrubada", disse Lula em um breve discurso, antes de ir embora.
Os participantes do evento agitavam bandeiras da Central Única dos Trabalhadores e de outras organizações sindicais e exibiam cartazes com a inscrição "Não vai ter golpe".
"Vim porque respeito a Constituição e o estado democrático. Mesmo tendo críticas contra o governo por não ter demarcado as terras indígenas, pensamos que no golpe não é o caminho para o país. É um golpe reacionário", disse Cleber Buzatto, uma ativista indígena de 40 anos.
Originalmente, estava previsto que Dilma também comparecesse ao ato, celebrado em um recinto anexo ao estádio Mané Garrincha, mas seus assessores disseram que ela cancelou a participação para priorizar as negociações voto a voto em Brasília.
A votação de domingo será seguida por gigantescas manifestações dos dois lados em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e em outras cidades do país.
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