segunda-feira, 28 de março de 2016

Cientistas usam genética para melhorar desempenho de atletas

Fabiana Murer, atleta

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está mapeando em atletas de elite de diferentes modalidades um conjunto de marcadores genéticos associados ao bom desempenho na prática esportiva.

O objetivo do projeto, intitulado Atletas do Futuro, é criar um banco de dados sobre variações genômicas (polimorfismos) frequentes na população brasileira e, com auxílio de softwares, usar essa informação tanto para a seleção e treinamento de novos talentos, como para o aperfeiçoamento da preparação física de atletas profissionais.

Resultados da pesquisa foram apresentados no dia 22 de março, em São Paulo, durante o workshop “Research on Sports and Healthy Living”, organizado pela Fapesp em parceria com a Netherlands Organisation for Scientific Research (NWO).

“Além de melhorar a performance, acreditamos que o conhecimento desses marcadores genéticos possa nos ajudar a reduzir o número de lesões e a prolongar o tempo de vida do atleta”, disse à Agência Fapesp João Bosco Pesquero, idealizador do Atletas do Futuro e coordenador, na Unifesp, do Centro de Pesquisa e Diagnóstico Molecular de Doenças Genéticas.

O grupo, que teve o auxílio de Elton Dias da Silva, Giscard Lima e Sandro Soares Almeida, já coletou dados de mais de 800 atletas – tanto na ativa quanto aposentados – de modalidades como judô, basquete, kickboxing, rúgbi, karatê, tênis, atletismo e futebol.

Entre os voluntários mais conhecidos estão o tenista Gustavo Kuerten, os jogadores de basquete Hortência Marcari e Oscar Schmidt, os judocas Edinanci Silva, João Derly e Aurélio Miguel e os corredores Marilson do Santos, Joaquim Cruz e Andre Domingos Silva.

O material foi coletado por meio de um raspado bucal, com um kitcomercial semelhante ao empregado em testes de paternidade.

A busca pelos marcadores foi feita por métodos de PCR (reação da polimerase em cadeia) e sequenciamento.

Para isso, foi usado um painel de genes-alvos já associados em estudos anteriores à performance esportiva, como, por exemplo, o ACTN3, que codifica uma proteína importante para a contração muscular, a alfa-actina 3.

“Com base na análise desses marcadores, criamos um escore que indica se aquela pessoa tem mais predisposição a atividades que requerem força ou a atividades de resistência. A princípio, estamos avaliando apenas essas duas variáveis. Mas é possível investigar outras, como capacidade respiratória ou propensão a lesão. No futuro, pretendemos ampliar o número de marcadores genéticos analisados”, contou Pesquero.

De acordo com o escore obtido pelo atleta, explicou o pesquisador, tanto a preparação física quanto a tática de jogo, no caso dos esportes coletivos, podem ser adaptados para alcançar melhores resultados.

O método foi testado com sucesso no time de basquete do Palmeiras, durante o campeonato de 2013, graças a uma parceria e orientação do preparador físico Chiaretto Costa e do fisiologista do exercício Paulo Correia, da Unifesp.

“Estávamos no meio do campeonato e o desempenho do time era ruim, havia perdido praticamente todos os jogos. Era um paciente terminal, então decidimos aplicar o tratamento experimental. A performance do grupo apresentou uma mudança drástica, melhorou muito, assim como a dos atletas individualmente”, contou Pesquero.

Na avaliação do pesquisador, o grande segredo está na capacidade de traduzir a informação genética para a prática esportiva.

“Já tentamos aplicar o método em diversos times de futebol. Fizemos as análises dos marcadores, mas há uma grande resistência em mudar o treino com base nos resultados”, contou Pesquero.

Outra experiência bem-sucedida, desta vez no basquete, foi com o time de São José dos Campos, na época comandado pelo preparador físico Adilson Doretto.

“Doretto já acompanhava o time havia três anos e relatou que o número de lesões caiu de 21, na temporada de 2010, para nenhuma, em 2013 – descontados os quatro casos de lesão por acidente. A performance do grupo também melhorou muito”, contou Pesquero.

Apesar dos potenciais benefícios do projeto para o treinamento de atletas profissionais, o pesquisador da Unifesp ressalta que seu principal público-alvo são crianças.

Uma das propostas de Pesquero é desenvolver um software que pudesse ser usado nas escolas, pelos professores de Educação Física, para identificar as modalidades mais adequadas para cada estudante e orientar o treino.

“Muitas vezes, a criança desiste do esporte porque acredita que aquilo não é para ela. Mas, na verdade, está fazendo algo que não é adequado ao seu perfil. Por exemplo, se ela gosta de natação e é mais propensa a atividades de força, podemos orientá-la a optar por modalidades como 100 metros livres. Modalidades acima de 400 metros livres seriam recomendadas para indivíduos propensos a atividades que requerem resistência. Quando a criança faz algo em que se destaca, aquilo funciona como um estímulo positivo, ajuda a manter a prática de atividade física e aumentam as chances de virar um atleta”, avaliou.

Coleta de material genético
Gustavo Kuerten em coleta de material genético

Vida saudável

Realizado com o objetivo de fomentar a colaboração entre pesquisadores do Estado de São Paulo e da Holanda, o workshop “Research on Sports and Healthy Living” reuniu, nos dias 22 e 23 de março, mais de 120 pesquisadores na sede da Fapesp.

Durante a abertura do encontro, o vice-presidente da Fundação, Eduardo Moacyr Krieger, ressaltou que o evento é parte de uma parceria bastante bem-sucedida entre Fapesp e NWO.

“Assinamos um acordo de cooperação em 2012 e, um ano depois, foram aprovados sete projetos financiados conjuntamente. Em 2014, outros sete projetos foram aprovados e, em 2015, mais três. Estamos trabalhando para lançar uma nova chamada de propostas em breve”, disse o vice-presidente.

Segundo Krieger, o esporte é uma das áreas em que melhor se tem aplicado a medicina translacional, ou seja, que melhor consegue transformar as descobertas feitas nos laboratórios em benefícios práticos para os pacientes.

Nico Schiettekatte, conselheiro de Ciência, Tecnologia e Inovação do Consulado Geral dos Países Baixos em São Paulo, lembrou que Brasil e Holanda assinaram nos últimos anos diversos acordos com a intenção de estimular a colaboração em pesquisa e inovação e que, em 2015, a área de esportes foi apontada como prioridade nessa relação bilateral.

“O governo holandês e o Consulado Geral em São Paulo estão extremamente satisfeitos com o aumento da colaboração em pesquisa e é com grande entusiasmo que apoiamos este workshop conjunto. Certamente vai oferecer uma base sólida para a ampliação e aprofundamento de nossas relações”, disse.

O membro da coordenação adjunta de Ciências da Vida da Fapesp Carlos Eduardo Negrão afirmou que a promoção de um estilo de vida saudável é um dos maiores desafios dos dias atuais.

Segundo ele, os avanços tecnológicos nem sempre se traduzem em melhoria na qualidade de vida.

“Nossa geração é muito menos ativa que as anteriores e as evidências mostram que o sedentarismo está associado ao desenvolvimento de doenças. Estudos mostram que atividade física reduz obesidade, dislipidemia, hipertensão e melhora o controle da diabete. Recentemente, exercícios têm sido recomendados também para o combate a doenças graves, como insuficiência cardíaca e câncer”, disse.

Entre os diversos temas abordados no evento destacou-se, por exemplo, a biomecânica de corrida de longa distância – tema da palestra apresentada por Marcos Duarte, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Um dos objetivos da pesquisa é identificar padrões típicos e atípicos de corrida, de modo a prevenir lesões.

Francisco Louzada Neto, da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, apresentou o sistema desenvolvido no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) que funciona como um “Olheiro virtual”, ajudando a identificar novos talentos para times de futebol (Leia mais em: http://agencia.Fapesp.br/ 22207).

O holandês Aarnout Brombacher, da Eindhoven University of Technology, apresentou uma linha de pesquisa voltada a desenvolver dispositivos que podem ser usados por praticantes de esporte – tanto durante os treinos como no dia a dia – para a coleta de dados como aceleração, frequência respiratória e cardíaca, transpiração, entre outros.

Segundo o pesquisador, esse big data, se bem analisado e contextualizado, pode auxiliar tanto na prática esportiva como também no cuidado de idosos, reabilitação pós-trauma e recuperação de crianças em hospitais.

Também foram apresentadas palestras sobre o uso da tecnologia na promoção de um estilo de vida ativo, protocolos de reabilitação física, métodos de análise de big data relacionado à prática de esportes, bases moleculares da hipertrofia cardíaca (fisiológica e patológica), entre outras.

Por que o superávit já foi para o beleléu?

Os ministros da Fazenda, Joaquim Levy (E); e do Planejamento, Nelson Barbosa; anunciam cortes no Orçamento durante coletiva

Joaquim Levy, quem aí se lembra dele? Assumiu o Ministério da Fazenda do segundo governo Dilma, em 2015, dizendo perseguir superávit primário equivalente a 1% do PIB. Caiu. Mas, antes de ir para Washington, lutava bravamente por 0,7%.

Nelson Barbosa, seu sucessor, quando tomou as rédeas da economia em Brasília, falava em 0,5%, possivelmente ajustáveis numa tal banda (um piso e um teto a serem escolhidos).

Até quarta-feira, 24, tínhamos esse 0,5% do PIB de superávit de Nelson. Mas esse número, singelo, pressupunha aumento da arrecadação de, nada singelos, 170 bilhões de reais. Isso mesmo: ainda se contava com isso, mesmo num ano de tremenda recessão.



Mas Nelson não anunciou nenhuma surpresa. Alguém duvidava que o superávit do governo seria pequenino, de uns 3 bilhões? Quem acreditava com fé nos 30 bilhões de reais anunciados anteriormente? O ministro apenas reconheceu a realidade dos números.

Como temos insistido no Por quê?, não é de agora problema, nascido lá atrás, no primeiro governo Dilma.

Cortaram impostos, aumentaram gastos, tocaram pau no crédito público e menosprezaram a necessidade e urgência das reformas fiscais de natureza estrutural.

Quando essas coisas acontecem é só alegria, é uma festa danada. Mas no momento em que a conta começa a cair… e, pior, neste instante ninguém assume a paternidade da desgraça econômica!

Por falar em Barbosa, e a reforma da Previdência?

Nelson Barbosa, aparentemente, queria mexer na insustentável Previdência Social. Mas, com o caos político que se instaurou por estas terras, sem chances.

Botar para andar a agenda fiscal (área responsável pelo equilíbrio entre gastos e receitas de um governo) demanda muita coragem.

Requer capacidade de argumentação e liderança, por sua natureza impopular. E não tem outra saída. Sem uma melhora na parte fiscal, todo o resto segue emperrado.

A área fiscal é o calcanhar de Aquiles do lamaçal econômico em que meteram o Brasil.

Quer entender o por quê? Dá uma olhada nesta continha, não vai doer nada: com juros reais de 5% e crescimento de 0% (sim, essa previsão é hiperotimista, mas mostra ainda melhor o tamanho

do problema); logo, a gente precisa de (5% – 0%) X 65% = 3,25% do PIB de superávit para que a dívida bruta nacional, hoje na casa dos 65% do PIB, pare de crescer.

Esses números mostram que, ainda que o PIB do Brasil fosse pelo ficar parado, no 0%, o superávit precisaria ser 3,5% e a nossa dívida, alta, se mantinha ainda alta, mas estável.

Neste momento, no entanto, tudo leva não a um superávit, mas a um déficit (negativo, ao contrário do superávit) de mais ou menos 1,5% do PIB.

Deixa dizer com todas as letras então: É IMPOSSÍVEL virar um déficit de 1,5% para superávit de 3% em poucos anos, se for mantida a atual rigidez das despesas do governo e a dificuldade para conseguir elevar impostos.

A coisa está preta e o piloto, quer dizer, o superávit sumiu.

É cedo para dizer que WhatsApp afeta operadoras, diz Anatel

Smartphone com WhatsApp

A competição com os serviços over-the-top (OTTs) ainda não é uma realidade, mas uma tendência, na visão de estudo técnico da Anatel.

O superintendente de competição da agência, Carlos Baigorri, confirmou que há uma análise de impacto regulatório no Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) na ótica da concorrência de serviços, levando em consideração a possibilidade de substituição por OTTs.

"No nosso entendimento, é cedo para que essa substituição seja plena. É óbvia em mensagens de texto, quase ninguém mais usa SMS, mas na TV por assinatura ainda há a discussão se as a aplicações de video on-demand são complementares; é um mercado ainda muito incipiente para fazer afirmação taxativa, o que nos cabe é monitorar", declarou ele em debate promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na manhã desta quinta, 24.

Essa avaliação está atualmente subindo para o conselho diretor. "Assinei ele ontem", disse Baigorri em conversa com jornalistas após o debate, alegando ainda não poder exibir o conteúdo até que o conselho tome sua decisão.

"O que posso dizer de conclusão é que existe substituição entre fixo e móvel (para voz), mas para banda larga achamos que ainda não tem, são características técnicas diferentes", explica.

"Nesses serviços OTT, tanto (no caso de) WhatsApp, VoIP, Skype e Netflix, ainda não há clara substituição, a gente acha que tem tendência, mas que no momento não há informação suficiente. A ideia é colocar em consulta pública e vamos avaliar à luz do que a gente pega da sociedade."

O superintendente da Anatel reitera a interpretação já externada pelo presidente da agência, João Rezende, de que, no ponto de vista de regulação econômica, no caso de haver concorrência de fato, "a solução não é regular OTTs, de ter obrigações de qualidade, tributos, mas sim, desregulamentar os operadores de telecom".

Baigorri confirma haver também estudos para desregulamentação, realizados em parceria com uma consultoria internacional, focados em mudanças de metas de qualidade, licenças e outorgas.

A agência procuraria, assim, eliminar as "regras excessivas", estabelecendo uma regulação modulada de acordo com a concorrência em cada região.

"No PGMC (Plano Geral de Metas de Competição) que está indo para consulta pública, estamos propondo quatro regiões no Brasil em nível de concorrência, então, em municípios altamente competitivos, propomos a redução drástica da regulamentação, e em regiões sem monopólio, aí não tem a regulamentação", declara.

Novas metas de qualidade

A proposta de revisão do regimento de qualidade, por sua vez, procura reduzir a quantidade de indicadores, sobretudo os de natureza técnica "que dizem respeito a engenheiros, mas que, para o consumidor, não dizem nada".

A Anatel então procuraria criar indicadores "mais aderentes à percepção do usuário", o que inclui a definição de padrão mínimo "não muito alto" para não engessar as operações.

"O desafio é em que medida desregulamentar e deixar de proteger o consumidor, a gente sabe que o setor é um dos principais serviços reclamados, e a desregulamentação não pode ser um passo para trás".

Ainda de acordo com Baigorri, o cronograma da agência está apertado, mas a ideia é fazer a consulta pública da revisão do regimento de qualidade ainda neste ano.

Sistema faz previsões simultâneas de tempo na América do Sul

Imagem de satélite de tempestade tropical

A comunidade científica brasileira e internacional ganhou um novo sistema capaz de fazer previsões simultâneas de tempo e de qualidade do ar na América do Sul em tempo real.

O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, lançou uma nova versão do modelo regional de previsão de tempo e estudos climáticos BRAMS.

Desenvolvido com apoio da Fapesp, por meio de projetos coordenados pelo pesquisador Saulo Ribeiro de Freitas, do Inpe, a nova versão do software meteorológico – denominado BRAMS 5.2 – unificou os modelos para previsão de tempo e de qualidade do ar usados atualmente pelo CPTEC.

Além disso, agregou um novo modelo de superfície que permite simular o ciclo de carbono e outros ciclos biogeoquímicos – processos naturais em que ocorre a passagem de elementos, como a água, de um determinado meio para os organismos e vice-versa – e aqueles causados pela ação humana, como queimadas.

Dessa forma, o sistema permite avaliar de forma integrada os impactos da queima da floresta no balanço de carbono (os processos responsáveis pelas fontes e sumidouros do gás de efeito estufa) da Amazônia e dos aerossóis da fumaça das queimadas na fotossíntese das árvores, entre outros aspectos – uma vez que simula de forma conjunta e simultaneamente as interações entre a composição da atmosfera com a qualidade do ar e os ciclos biogeoquímicos.

Reprodução/ Inpe

Nova versão de software meteorológico do Inpe

Nova versão de software meteorológico do Inpe

“A unificação dos modelos de previsão de tempo e de qualidade do ar em um mesmo software possibilita simular de forma mais coerente e realista a interação do ecossistema da Amazônia com processos, como as emissões de aerossóis pelas queimadas, que modificam regimes de chuva, o nível da temperatura da superfície e têm impactos na saúde pública”, disse Freitas, à Agência Fapesp.

“O desenvolvimento dessa nova versão do BRAMS coloca o Brasil no estado da arte em modelagem integrada da atmosfera em escala regional com um sistema genuinamente nacional e com total domínio do software, além da dinâmica e das parametrizações de processos físicos e químicos”, avaliou.

A nova versão do sistema fornece previsões meteorológicas e de qualidade do ar (com base nas concentrações de monóxido de carbono, ozônio e aerossóis atmosféricos) da América do Sul com resolução de 20 quilômetros (km) e com antecedência de 3,5 dias. Já a previsão do tempo “pura” – sem incluir os aspectos químicos – tem resolução de 5 km.

Para isso, o software utiliza 9,6 mil processadores do supercomputador Tupã, instalado no CPTEC, adquirido com apoio da Fapesp e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Por meio dessa estrutura computacional, o BRAMS 5.2 permite a visualização da poluição atmosférica em megacidades da América do Sul, como São Paulo e Rio de Janeiro, e de plumas de monóxido de carbono de queimadas.

“Hoje, poucos centros de previsão de tempo e estudos climáticos no mundo possuem um sistema de previsão integrada como o BRAMS 5.2, que fornece simultaneamente previsão de tempo e de qualidade do ar na escala da América do Sul com resolução de 20 km”, disse Freitas.

Para cobrir toda a extensão da América do Sul, o software divide a região em 1.360 x 1.480 células horizontais e 55 níveis verticais.

As células de grade computacionais, em um total de 110 milhões, aproximadamente, são processadas simultaneamente nos 9,6 mil processadores do supercomputador em 20 minutos para gerar previsões para um dia.

“Em dez anos de operação do BRAMS pelo CPTEC o tempo de execução de previsão para um dia diminuiu quase 100 vez com a aquisição de computadores mais potentes, como o Tupã, com maior número de processadores”, disse Jairo Panetta, consultor do Grupo de Processamento de Alto Desempenho do CPTEC.

“Não há outra forma de tornar o tempo de execução de um modelo climático mais rápido que não seja aumentando cada vez mais o número de núcleos de processamento”, avaliou o pesquisador, que também é colaborador do Departamento de Ciência da Computação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e consultor do grupo de tecnologia geofísica da Petrobras.

 

 Modelo nacional

O BRAMS foi baseado no Sistema de Modelagem Atmosférica Regional (RAMS, na sigla em inglês), desenvolvido originalmente por pesquisadores da Colorado State University, dos Estados Unidos, no final da década de 1980.

Voltado inicialmente para estudar microfísica e dinâmica de nuvens e modelagem de turbilhões, o modelo foi trazido ao Brasil pelos pesquisadores Pedro Leite da Silva Dias e Maria Assunção Faus da Silva Dias, ambos do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).

Após ser usado durante anos em estudos voltados a entender a influência da Amazônia no clima regional e global, realizados por pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa no país, foi introduzido em 2003 no CPTEC porque, de acordo com Freitas, era o único modelo climático disponível na época capaz de fazer previsões de qualidade do ar.

“O BRAMS começou com o modelo americano. Mas hoje é um software completamente diferente, com diversas finalidades que não existiam no modelo original”, explicou.

O modelo brasileiro é usado hoje por pesquisadores tanto do Brasil como de outros centros de pesquisa de clima na França, Portugal, Estados Unidos, Argentina, Colômbia e Peru, entre outros, em razão do papel desempenhado pela Amazônia no clima global.

A fim de aprimorá-lo, os pesquisadores do CPTEC, em colaboração com colegas da USP de outras universidades e instituições de pesquisa no Brasil e no exterior, vêm se dedicando a melhorar seu desempenho computacional e incorporar novas funcionalidades.

“Para incorporar mais processos e descrevê-los de forma fisicamente mais realística e melhorar a resolução espacial do modelo são necessários cada vez mais recursos computacionais”, afirmou Freitas.

Em razão do trabalho realizado com o BRAMS, o pesquisador recebeu e aceitou um convite da Nasa para trabalhar no grupo de modelagem climática da agência espacial norte-americana.

“A ideia é aumentar a colaboração entre a Nasa e o Inpe em modelagem climática em escala global”, disse.

A nova versão do sistema BRAMS pode ser acessada em http://brams.cptec.inpe.br.

Os principais inimigos de uma boa venda

Vendedora em loja de roupas., vendedor, cliente, vendas, loja, compras

Quais os principais inimigos de uma boa venda?
Escrito por Enio Klein, especialista em vendas

Uma boa venda é aquela que usualmente chamamos de “ganha-ganha”, isto é, ao fim do ciclo, tanto comprador quanto vendedor ficam satisfeitos. O primeiro por ter comprado um produto ou serviço que atende àquilo que buscava pelo preço justo e o segundo por ter podido atender ao cliente de forma satisfatória. Uma boa venda cria condições para outras boas vendas. E isto é bom.

Entretanto, um ciclo de vendas ganha-ganha não é tão fácil de ser obtido na prática. Existem muitas armadilhas que poderão levar o vendedor a não ter sucesso. A primeira delas é deixar-se seduzir pelas primeiras impressões. Qualificar um cliente baseado nelas muitas vezes é o primeiro passo para destruir as chances de uma boa venda.

Vendedores rotulam os clientes e passam a agir em nome disto, superestimando ou subestimando o potencial de compra. Clientes não gostam de ser rotulados e o processo de vendas passa a ser difícil o que não contribui em nada para uma boa venda. Assim sendo, não qualifique seu cliente por impressões iniciais. Use sua experiência, mas não aja prematuramente. Entenda o cliente, procure conhecer o seu comportamento de compra e responda de forma compatível.

Uma outra forma de não conseguir uma boa venda é deixar a sua ansiedade te dominar. Vendedores ansiosos, deixam os clientes desconfortáveis e pressionados, poderão não comprar ou levar alguma coisa que não era exatamente o que procuravam. Uma eventual dissonância fará desse cliente um potencial inimigo. Todos sabemos que a pressão por resultados é inevitável, mas é preciso não transferi-la ao cliente. Deixe-o a vontade, ajude-o, oriente-o, mas não o pressione. Lembre-se que a venda é parte do atendimento ao cliente, o qual só irá fazer um bom negócio com você se estiver satisfeito.

Boas vendas existem quando cliente, você e a empresa ganham. Todo cliente, o brasileiro em particular, adora uma pechincha, um desconto. Fique atento. Jamais prejudique suas margens para realizar uma venda. Uma venda com margem baixa não é boa para você. Se o cliente é orientado a preços busque levá-lo para as ofertas ou produtos e serviços com preços compatíveis com a disposição de gastar do cliente. 

Tente conciliar a necessidade do cliente com preços compatíveis. Negocie com o cliente, mas jamais venda algo que ele não precisa, ou pior, algo que não o atenda, simplesmente para fechar o negócio. Da mesma forma, não sacrifique suas margens para atendê-lo, a menos que tenha alguma razão importante para fazê-lo, tal como um cliente preferencial ou por ser estrategicamente importante fazer aquela venda.

Enfim, uma boa venda é tudo que nós profissionais de vendas queremos. Mas é muito fácil cair nas armadilhas que nos fazem desperdiçá-las. O segredo vem do dito popular “um olho no peixe, outro no gato”. Preste atenção nos sinais do cliente. Eles revelam muito sobre seu comportamento. Use-os com sabedoria para atendê-lo da melhor forma, mas nunca esquecendo que você também precisa ficar satisfeito. Resista à tentação do desconto fácil, que poderá facilitar a venda, mas prejudicará suas margens. Uma venda que não é ganha-ganha é ruim para todos. 

Enio Klein é gerente geral nas operações de vendas da SalesWays no Brasil e professor de vendas e marketing da BSP - Business School São Paulo.

Luis Fernando Verissimo é internado com infecção

Luis Fernando Veríssimo

 O escritor Luis Fernando Verissimo, 79 anos, está internado desde a última sexta-feira no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na zona sul do Rio, e seu estado de saúde é estável.

De acordo com o boletim médico divulgado hoje (28) pelo hospital, o escritor permanecerá internado para tratamento de infecção respiratória e arritmia cardíaca.

Em 2013, Luis Fernando Verissimo foi internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, após apresentar sintomas de angina (dores no peito).

Ele chegou a ficar internado no Centro de Terapia Intensiva, mas seu estado clínico melhorou. Verissimo foi transferido para um apartamento e dias depois, liberado do hospital.

Usuários protestam contra mudança no Instagram

Logo do Instagram

 O Instagram anunciou neste mês uma mudança que desagradou os usuários do seu aplicativo: o fim da exibição de publicações em ordem cronológica. Em breve, a linha do tempo do app será como a do Facebook, ou seja, será montada com base em um algoritmo que tenta prever o que você vai gostar – e esconde o restante.  

Por conta dessa mudança, mais de 290 mil internautas assinaram uma petição direcionada ao Instagram, solicitando que o app permaneça como é hoje.   

De acordo com a rede social, em média, 70% do conteúdo apresentado nas linhas do tempo dos usuários não é visto. Por isso, a empresa optou pela mudança na forma de exibição.

A ideia é que você sempre veja a foto de uma pessoa com a qual interage com frequência, mesmo que a publicação seja feita na noite anterior e você só abra o app depois do meio-dia do dia seguinte, por exemplo. 

Além da petição, diversos usuários do Instagram pedem que seus seguidores ativem um recurso do app que envia notificações cada vez que um novo conteúdo vai ao ar.  

O Instagram ainda não se pronunciou sobre o caso, mas a mudança na linha do tempo ainda está em fase de análise – e a empresa disse que ouviria sugestões dos seus usuários.

O Brasil é um dos cinco maiores mercados do Instagram no mundo. No total, o app de fotos tem mais de 400 milhões de usuários ativos, o que é menos da metade do que tem o WhatsApp.

Mudança na meta não afeta gestão da dívida, diz Tesouro

Notas de real; reais; dinheiro

 O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública substituto, Leandro Secunho, disse que a mudança na meta de superávit primário deste ano não altera a gestão da dívida pública e que a expectativa é de que os indicadores, como composição, estoque e prazo de vencimento, terminem o ano dentro do projetado no Plano Anual de Financiamento (PAF).

"Não há nenhuma alteração na gestão da dívida com a mudança na meta. Não vislumbramos nenhum descumprimento dos indicativos do PAF", afirmou.

Na semana passada, o governo mandou para o Congresso Nacional um projeto de lei que reduz a meta fiscal para R$ 2,8 bilhões e permite uma série de abatimentos que, na prática, poderão significar um déficit de R$ 96,65 bilhões neste ano.

Secunho afirmou ainda que a emissão de títulos soberanos brasileiros feita no início do mês aproveitou uma janela de oportunidade e, como isso, o Tesouro recomprou dólares equivalentes ao volume de títulos que vencem até o início de 2017.

"Não há necessidade de novas emissões, mas temos atuação qualitativa e vamos considerar acessar o mercado se identificada uma janela de oportunidade", completou.

Expectativa dentro dos intervalos

O coordenador-geral substituto disse que o Tesouro Nacional espera encerrar 2016 dentro dos intervalos previstos no PAF para os indicadores da dívida pública.

De acordo com o técnico, o estoque da Dívida Pública Federal (DPF) deve fechar 2016 dentro da margem, entre R$ 3,100 trilhões e R$ 3,300 trilhões - hoje está em R$ 2,819 trilhões.

Ele explicou que, no mês passado, houve a redução da dívida externa, motivada pela apreciação do real. A dívida interna registrou queda. Secunho também afirmou que os parâmetros do PAF para os papéis que compõem a dívida também devem ser respeitados até o fim do ano.

Sobre os vencimentos, o coordenador disse que fevereiro é um mês com menos vencimentos, ao contrário de janeiro. No programa de recompra da dívida externa, os valores do primeiro bimestre foram pouco significativos, totalizando US$ 40 milhões no período.

Participação de estrangeiros

Secunho afirmou que a queda da participação dos estrangeiros na dívida pública interna - que foi de 18,91% em janeiro para 17,72% em fevereiro - se deu basicamente em títulos de curtíssimo prazo. Ele ressaltou que não houve nenhum tipo de ruptura ou estresse no mercado.

Segundo ele, a expectativa do Tesouro Nacional é encerrar o ano com um prazo médio da DPF entre 4,5 e 4,7 anos, como estabelece o PAF. "Temos perfil de dívida bastante diversificado e participação crescente de investidores de longo prazo", disse o técnico.

Em fevereiro, esse dado ficou em 4,69 anos, já dentro do intervalo, contra 4,76 anos em janeiro. "Essa queda marginal se deu basicamente porque o prazo médio das emissões em fevereiro foi marginalmente menor que o do estoque", explicou.

Moro envia superplanilha da Odebrecht para o Supremo

Sede da Odebrecht, em São Paulo

 O juiz federal Sérgio Moro decidiu enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a superplanilha com a indicação de pagamentos feitos pela Odebrecht a políticos, encontrada pela força-tarefa da Operação Lava Jato na casa do ex-presidente de Infraestrutura da empreiteira Benedicto Barbosa Silva Junior, no Rio de Janeiro.

A superplanilha traz cerca de 300 nomes ligados a 24 partidos políticos. Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo com base no documento mostra que, em vários casos, os valores são superiores aos declarados pelos candidatos indicando possível caixa 2.

"O ideal seria antes aprofundar as apurações para remeter os processos apenas di­ante de indícios mais concretos de que esses pagamentos seriam também ilícitos. A cautela recomenda, porém, que a questão seja submetida desde logo ao Egrégio ­Supremo Tribunal Federal", registra Moro, na decisão desta segunda-feira, 28.

A superplanilha, como está sendo chamada a lista nos bastidores do poder, é a maior relação de políticos e partidos associada a pagamentos de uma empreiteira capturada pela Lava Jato desde o início da operação, há dois anos.

Ela foi encontrada nas buscas da 23.ª fase, a Acarajé, que teve como alvo principal o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura.

A planilha foi divulgada oficialmente pela operação na manhã de quarta-feira, 23. Mas, no início da tarde, o juiz federal decretou sigilo sobre o documento. Moro pediu ao Ministério Público Federal que se manifeste sobre "eventual remessa" dos papéis ao Supremo Tribunal Federal.

Campanhas

As anotações, indica a Lava Jato, referem-se às campanhas eleitorais de 2012 (municipais) e 2014 (presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais). Segundo a força-tarefa, não há nenhum indicativo de que os pagamentos sejam irregulares ou fruto de caixa 2.

Barbosa Silva Jr. é apontado pelos investigadores como o encarregado de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira, para tratar de doações eleitorais e repasses a políticos.

Também há inúmeras anotações manuscritas fazendo referência a repasses para políticos e partidos, acertos com outras empresas referentes a obras e até documentos sobre "campeonatos esportivos", que lembram documentos semelhantes já encontrados na Lava Jato e revelaram a atuação de cartel das empreiteiras em obras na Petrobras.

Os partidos que constam na planilha são PT, PMDB, PSDB, PP, PSB, DEM, PDT, PSD, PC do B, PPS, PV, PR, PRB, SD, PSC, PTB, PTN, PT do B, PSOL, PPL, PTB, PRP, PCB e PTC.

Lava Jato não vai salvar o Brasil, mas será termômetro

Mulher segura cartaz com frase "Viva Moro" em protesto em Brasília - 13/03/2016

Um total de R$ 2,9 bilhões recuperados. Junto a R$ 2,4 bilhões em bens apreendidos ou bloqueados.

Outros R$ 21,8 bilhões que podem voltar aos cofres públicos. Mais US$ 800 milhões bloqueados apenas na Suíça.

Junto a R$ 659 milhões repatriados. Mais de 40 ações penais contra mais 180 pessoas.

São só alguns números, mas eles não deixam dúvidas: ao completar dois anos neste mês, a Operação Lava Jato já é um marco na história do Brasil e também do mundo quando o assunto é o combate à corrupção.

Entre as quase 70 pessoas condenadas – boa parte delas já atrás das grades – constam doleiros, funcionários públicos e empresários.

De uma investigação que começou em razão de um carro importante dado de presente a um executivo poderoso da Petrobras, passando por um posto de gasolina em Brasília (DF) no qual encontros resultavam em entregas de grandes somas de dinheiro, agora a Lava Jato se vê diante da central nevrálgica do escândalo: a política.

Um acirramento político e social que já era evidente em 2014, durante as eleições presidenciais, só se acirrou nos últimos meses.

Não que a Lava Jato seja causa, porém ela agora entra em um campo recheado não só de corrupção que parece sistemática e multipartidária, mas também de interesses que os seus protagonistas tentarão manobrar.

“Vamos trabalhar com tranquilidade, com equilíbrio. Quem tiver de pagar vai pagar”, sentenciou há um ano o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Doze meses depois, o discurso não mudou.

“A pauta política não pode contaminar a pauta jurídica (...). Ninguém está acima ou abaixo da lei”, emendou, em entrevista a jornalistas na Suíça.

 

  Dividido na política e na sociedade, o País e, por consequência, a Lava Jato enfrentam o desafio de avançar em meio ao que parece ser um ‘mar de lama’ dos conchavos entre as grandes empreiteiras nacionais e os interesses de políticos – alguns implicados na própria operação. Como esperado, não há consenso até aqui sobre o quão limpo o Brasil pode ficar.

"É preciso investigar a todos"

O fim do sigilo de grampos telefônicos solicitados pela Justiça, na figura do juiz federal Sérgio Moro, teve significativo impacto político e social, seja aos que clamam pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), seja entre os que falam em ‘golpe’ contra o governo federal e em criminalização de Lula e do Partido dos Trabalhadores.

Não ao acaso, os recentes atos pelo País – os verdes e amarelos pedindo a queda de Dilma, os vermelhos defendendo a causa petista e a democracia – ressoam no Judiciário e no ambiente acadêmico do País.

Embora o PP seja o partido mais implicado em número de parlamentares na Lava Jato, a operação estaria perseguindo com ênfase os petistas, ‘blindando’ os demais.

“Acho que lideranças políticas estão apostando em radicalizações. A Lava Jato escolheu uma formatação muito comum para investigar, atacando ramos da investigação em determinado momento. Você não consegue abarcar tudo que é investigado em determinado momento. Tudo vem sendo apurado e, direi ponderadamente, é absolutamente normal que, após uma coalizão de 13 anos no poder, uma investigação se concentre sobre os seus políticos”, avalia o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti.


Protesto na Avenida Paulista, em São Paulo, em 17/03

Protesto na Avenida Paulista, em São Paulo, em 17/03

Entidade que apoia os trabalhos e a conduta de Moro, a ANPR e o seu presidente não acreditam em uma tese que vem sendo muito recorrente, sobretudo entre os partidários do governo: de que a Lava Jato, uma vez que Dilma deixe a Presidência da República – uma possibilidade real, dado o processo em andamento e sua fragilidade política –, irá arrefecer, beneficiando outros parlamentares também investigados.

“Com todo o respeito, achar isso, que só se investiga o PT, não é verdade. É preciso investigar a todos. Veja que houve uma investigação contra o Aécio Neves [senador e presidente do PSDB] e ela foi arquivada, o que não impede que ele volte a ser investigado. O PP e o PMDB estão até mais envolvidos do que o PT. O procurador Rodrigo Janot já disse que tudo será apurado. Não vejo nenhum viés político no trabalho da Força-Tarefa. É um trabalho extremamente responsável”, diz Cavalcanti.


Outro a refutar qualquer seletividade é o presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Antônio César Bochenek. Figura de relativa proximidade com Moro, ele vê com maior preocupação uma eventual interferência no trabalho da Polícia Federal que possa dificultar a Lava Jato, e assegura que o Judiciário quer é a liberdade para investigar, dentro dos limites constitucionais, deliberando em cima dos autos, e não sob ideologias ou crenças.

“Repito que os juízes estão preparados e irão julgar em cima do que a PF e o Ministério Público trouxerem. Não há seletividade ou preferência por esse ou aquele. Qualquer obstrução hoje é que não seria republicana, e o Judiciário tem feito o seu papel. Qualquer modificação deve ser feita pelo processo judicial, o sistema permite recursos e eles podem modificar entendimentos e decisões. Há falhas e decisões que podem ser reformadas”, avalia.

Para o doutor em Direito pela Universidade Mackenzie e presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra, não há nenhuma contaminação política nos trabalhos da Lava Jato.

O que há, segundo ele, é a constatação de que “o partido do governo é o maior beneficiário do esquema de corrupção” apurado pela investigação, e que a parte política ficará exclusivamente a cargo do Congresso, a começar pela Câmara, que deve votar até a terceira semana de abril o relatório que aceita ou rejeita o pedido de impeachment de Dilma.

“O que pode haver, caso o impeachment aconteça, é uma diminuição da pressão popular, uma vez que o vice-presidente Michel Temer seria nomeado o substituto. Mas com isso eu acredito que, em maior ou menor grau, as manifestações continuarão. O impeachment é um julgamento político que depende da temperatura da nação, que hoje está elevada. Juridicamente, a questão seguirá sendo apurada. Estamos longe do fim”, explica.

Para o secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco, o pior que poderia acontecer para o País seria um ‘acordão’ para blindar políticos. Contudo, ele também é outro a acreditar na autonomia dos investigadores.

“Ainda que esse governo seja substituído, a Lava Jato vai continuar. Há um compromisso para isso de todos os que investigam esse escândalo. Não creio em arrefecimento. Parte da sociedade não tem ‘corruptos de estimação’, ‘bandidos de estimação’. Há uma cobrança generalizada contra os políticos, como demonstraram as recentes manifestações. Pau que bata em Chico bate em Cunha, Renan, Aécio,Fernando Henrique Cardoso... em todos que, comprovadamente, tenham infringido a lei.”

"Há um risco real de acordo para blindar políticos"

Nem todos, porém, acreditam que a Lava Jato esteja imune a problemas e pressões. Na análise deBruno Brandão, representante no Brasil daTransparência Internacional (TI), uma investigação que apura a participação de mais de 60 políticos em um amplo esquema de corrupção sempre “é um momento prolífico de ‘acordões’”, e há um risco real de que um esteja sendo articulado nos bastidores.

“Esta é talvez a única esperança de impunidade de vários dos que estão na mira da operação”, afirma.

Todavia, ele alerta que o êxito político sobre a investigação da Lava Jato é fruto da união entre Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República (PGR),Ministério Público Federal (MPF), e o Judiciário – salvo a PF, as demais possuem autonomia suficiente para escapar de influência política.

“Com uma operação envolvendo tantos atores, poderes e interesses conflitantes, além do escrutínio da imprensa e da população, é bastante complexa a tentativa de sufocar a Lava Jato. Talvez o maior risco de fracasso da Lava Jato hoje seja ela própria, que no afã de cumprir sua missão e se defender da imensa pressão política, termine caindo em armadilhas e atropelando a lei, o que pode levar a nulidades processuais e mesmo à perda de apoio de uma parte importante da sociedade. Foi este o final da Satiagraha, não tanto tempo atrás”, diz Brandão.

A doutora em Ciências Sociais pela Universidade Complutense de Madri e professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Esther Solano acredita que o juiz Moro já caiu nessa ‘armadilha’, no episódio dos grampos de Lula – pelo menos três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram a condução que levou à liberação dos áudios para a imprensa e para a opinião pública.

“Tudo aponta para uma blindagem dos outros partidos [caso o impeachment aconteça]. Não vejo o mesmo interesse da operação e da própria classe política para que ela avance além do PT. Acho que a Lava Jato vai continuar, mas dará uma segurada no ímpeto das investigações. Venho conversando com outras pessoas e o senso é este: que o PT é o foco principal e outros nomes, como o do Aécio e o do Cunha, vão desaparecer do noticiário. O Temer será poupado, assim como o PSDB, em prol de uma coalizão possível”, afirma.


Protesto pela democracia e contra o impeachment de Dilma na Avenida Paulista, em São Paulo 

Protesto pela democracia e contra o impeachment de Dilma na Avenida Paulista, em São Paulo

Esther acredita que “as instituições não estão cumprindo o seu papel”, uma vez que o Judiciário, por exemplo, “deveria ser mais sóbrio” em suas decisões. 

“Ele não deveria se posicionar, a isenção é própria do Judiciário. Acho que falta cautela e imparcialidade, enquanto o Congresso se tornou um ‘circo’ de projetos personalistas de poder, ao passo que a imprensa mainstream tem sido muito parcial”, completa. Outro que teme pelo futuro da Lava Jato é o filósofo da USP Vladimir Safatle, para quem a operação não mostrou “simetria estrita” ao longo de suas 26 fases com todos os atores políticos investigados.

“Temos um escândalo que toca tanto o governo quanto a oposição. Esse é um esquema que começou no governo FHC, os operadores são os mesmos, o Delcídio [Amaral, senador que foi diretor da Petrobras e deixou o PT neste mês, após a sua delação premiada ser homologada pelo STF] vem desde o governo FHC. Até Furnas tem relação com esse processo, desde 2004, 2005. Essas pessoas que falar que é questão de foco, ‘primeiro aqui e depois lá’, devem achar que somos idiotas. É só olhar para a história brasileira”, analisa.

Safatle relembra ainda o chamado mensalão tucano, que só neste ano condenou em primeira instância o ex-governador e ex-deputado Eduardo Azeredo (PSDB), passados 18 anos do escândalo que desviou recursos públicos para a sua campanha de reeleição em Minas Gerais. 

De acordo com o filósofo, seria um caso clássico de como a Justiça e a imprensa são claramente seletivas no Brasil quando o assunto é o combate à corrupção.

“Dados os indícios que temos, é muito clara a chance de que a operação desapareça após a queda do governo, que é enorme. Os últimos lances da Lava Jato foram dentro do jogo político, e pouco tiveram a ver com o ritmo necessário em uma operação profunda e complexa, que coloca às claras a relação incestuosa entre políticos e empresários. Está claro que desde o fim da ditadura (1985) a democracia brasileira só funciona sob corrupção generalizada. Temos um fracasso completo, é muito sério.”

Na mesma linha, o cientista político da Unicamp Valeriano Mendes Costa Ferreira avalia que o perigo que um arrefecimento da Lava Jato pode causar é enorme, uma vez que os primeiros indicativos – como as recentes conversações entre lideranças de PMDB e PSDB– são de que muito pouco vai mudar na esfera política nacional. 

Mudam partidos, mas a coalizão e a forma com que ela se dá, ao que parece, não deve mudar por interesses partidários.

“O ritmo da Lava Jato tem sido alucinado apenas na primeira instância. Se fosse uma operação séria e republicana, essas demais forças políticas que estão comprometidas já estariam inviabilizadas. Quando acabar essa ‘farra do boi’, com massacre da Dilma e do Lula, sobrará o Congresso, que não há como escapar. Aí vão tirar o pé e se considerarão satisfeitos, se tornando mais razoáveis para, aparentemente, colaborar com uma solução governativa”, opina.

"Lava Jato não transformará o Brasil"

Talvez o único ponto que é unânime para os especialistas é que a Lava Jato, embora histórica e de grande importância, não irá transformar o Brasil por si só. 

‘Nunca antes na história deste País’, como diria Lula, uma investigação chegou a figuras de tamanha envergadura, quer no poder público, seja no âmbito privado. 

Mesmo assim, o trabalho dá fôlego aos brasileiros para construírem uma alternativa melhor do que a que está colocada hoje.

“Acho que há uma injustiça muito grande com o juiz Moro, que não está dando nenhuma entrevista, mas que é acusado de estrelismo. Ele não buscou isso, é o trabalho que, pela sua importância, gerou esse holofote. 

Temos mais de 50 magistrados envolvidos na Lava Jato, que meus colegas de Curitiba acreditam que durará pelo menos mais três anos.

 O legado da operação será a busca pela eficiência na administração pública, com uma busca por um novo padrão cultural. 

A sociedade não tolera mais impunidade e corrupção”, diz José Robalinho Cavalcanti, da ANPR.

Fiel defensor de uma democracia mais participativa, Vladimir Safatle acompanha o pensamento de que a corrupção não deve ser tolerada, o que o faz reforçar o pedido por simetria à operação que “começou muito bem” e que fez “coisas admiráveis contra a nata do empresariado corrupto”. 

Porém, o filósofo alerta que o País hoje rachado não pode ignorar os direitos individuais, sob pena de pagar um preço alto.

“Vemos no mundo todo situações de emergência usadas para flexibilizar os direitos dos cidadãos contra o Estado. Por exemplo, usa-se o exemplo do terrorismo para suspender direitos individuais. Como não tem terrorismo no Brasil, a corrupção foi transformada nisso. Não se pode aceitar a vulnerabilização de cidadãos perante o Estado. Acho que a sociedade civil pode ainda vir a sofrer uma violência absurda. Há hoje um movimento de pessoas que se acham no direito de tomar posse do Brasil, que não precisam do voto popular.”

Fidel Castro reflexiona: “No necesitamos que el imperio nos regale nada”

Fidel Castro reflexiona: “No necesitamos que el imperio nos regale nada”

El considerado “líder histórico de la Revolución” Fidel Castro y presidente de Cuba desde 1959 hasta el año 2008, cuando renunció a sus cargos en favor de su hermano Raúl, ha dedicado sus últimas 'reflexiones' en el medio oficial Granma al discurso que el pasado martes pronunció en el Gran Teatro Alicia Alonso el presidente norteamericano Barack Obama.

A poco más de un mes de sus anteriores reflexiones a propósito de la visita del patriarca Kirill a Cuba, y a unos pocos días de haber marchado Obama de la Isla, Fidel escribe sobre el “hermano Obama”.

Contrastando con el tono fraternal y conciliador del propio Obama en pro del futuro de los cubanos, pero en la misma línea de los discursos de las hordas que ha desplegado el gobierno cubano para deslegitimar y desmontar el discurso del mandatario norteamericano, Fidel mantiene la retórica de enfrentamiento y vuelve la vista y las argumentaciones, una vez más, sobre la historia y el pasado, ese donde los Reyes de España  “nos trajeron a los conquistadores y dueños".

Pero al comandante Fidel le interesa desmenuzar las faltas y omisiones del discurso del “ilustre visitante” quien se desentiende de la existencia previa de poblaciones nativas en los territorios conquistados y quien, según el mayor de los Castro “Tampoco dice que la discriminación racial fue barrida por la Revolución; que el retiro y el salario de todos los cubanos fueron decretados por esta antes de que el señor Barack Obama cumpliera 10 años”.

Tampoco dice que la discriminación racial fue barrida por la Revolución; que el retiro y el salario de todos los cubanos fueron decretados por esta antes de que el señor Barack Obama cumpliera 10 años

En el artículo saca a colación trazos de la historia de Cuba como la Invasión de Bahía de Cochinos o el 'episodio de Sudáfrica”, que motiva en Fidel la “modestia sugerencia” a Obama de que “reflexione y no trate ahora de elaborar teorías sobre la política cubana”.

Sobre los planteamientos del inquilino de la Casa Blanca en Cuba y “sus almibaradas palabras” en pro un futuro esperanzador para los cubanos al decir “Es hora ya de olvidarnos del pasado, dejemos el pasado, miremos el futuro, mirémoslo juntos, un futuro de esperanza. Y no va a ser fácil, va a haber retos, y a esos vamos a darle tiempo; pero mi estadía aquí me da más esperanzas de lo que podemos hacer juntos como amigos, como familia, como vecinos, juntos”, Fidel ironiza y resta importancia “Se supone que cada uno de nosotros corría el riesgo de un infarto al escuchar estas palabras del Presidente de Estados Unidos. Tras un bloqueo despiadado que ha durado ya casi 60 años, ¿y los que han muerto en los ataques mercenarios a barcos y puertos cubanos, un avión de línea repleto de pasajeros hecho estallar en pleno vuelo, invasiones mercenarias, múltiples actos de violencia y de fuerza?”

Se supone que cada uno de nosotros corría el riesgo de un infarto al escuchar estas palabras del Presidente de Estados Unidos. Tras un bloqueo despiadado que ha durado ya casi 60 años, ¿y los que han muerto en los ataques mercenarios a barcos y puertos cubanos, un avión de línea repleto de pasajeros hecho estallar en pleno vuelo, invasiones mercenarias, múltiples actos de violencia y de fuerza?

Y cabe preguntarse ¿Y los que han muerto en el mar, ciudadanos cubanos de las más diversas procedencias, edades y creencias? ¿Los que lo han hecho huyendo de ese sistema de tantos logros vendidos y tanta sublime historia repetida? ¿Acaso esos no merecen formar parte también de los recuentos sobre la historia de Cuba, su pasado y también - tristemente- su presente? ¿Acaso no debería ser hora de reconocer las muchas y repetidas omisiones de los propios discursos oficiales cubanos? ¿Si le exigimos a un mandatario foráneo conocimiento de la historia propia, no deberíamos estar en igual posición moral para exigirle a los nacionales que dejen de omitir episodios y sucesos de su presente?

Nadie se haga la ilusión de que el pueblo de este noble y abnegado país renunciará a la gloria y los derechos, y a la riqueza espiritual que ha ganado con el desarrollo de la educación, la ciencia y la cultura

“Nadie se haga la ilusión de que el pueblo de este noble y abnegado país renunciará a la gloria y los derechos, y a la riqueza espiritual que ha ganado con el desarrollo de la educación, la ciencia y la cultura”, continúa Castro, en clara evidencia de no querer entender hacia dónde se encamina la nueva política de la administración de Obama hacia Cuba y en clara indicación a los ciudadanos de la Isla, de que pese a los aplausos arrancados por el discurso de Obama y pese a sus mensajes de cooperación, de respeto y de entendimiento, es decisión de las autoridades cubanas no modificar las férreas posturas de décadas, ni escuchar voces de fuera alentadoras de cambios.

Pareciera como si la militancia oficialista cubana y sus máximos y entrenados representantes estuvieran asistiendo a un proceso histórico diferente al que percibe el mundo entero, y como si quisieran hacer de la resistencia al cambio -motor principal del progreso- bandera y estandarte de políticas fallidas y desactualizadas, escudo protector ante el cambio y el tan repetido empoderamiento de los cubanos.

Advierto además que somos capaces de producir los alimentos y las riquezas materiales que necesitamos con el esfuerzo y la inteligencia de nuestro pueblo

“Advierto además que somos capaces de producir los alimentos y las riquezas materiales que necesitamos con el esfuerzo y la inteligencia de nuestro pueblo. No necesitamos que el imperio nos regale nada”, culmina Fidel. Quizás leyéndolo muchas veces o repitiéndolo hasta el cansancio se conseguirá que los comensales cubanos vean más productos en su mesa y quizás así podría desvanecerse la triste euforia nacional por la reciente llegada de papas a los puntos de distribución en la Isla.

Seguramente al discurso del compañero Fidel le seguirán horas y horas de debate en mesas redondas, mensajes de apoyos de personalidades cubanas de las más diversas esferas del oficialismo en la Isla y recursos -humanos y materiales- que intentarán desesperadamente minimizar el peso y trascendencia de las palabras y la propia visita de Obama a Cuba, borrar los peligrosos fantasmas del cambio y acallar, así, las esperanzas despertadas en los cubanos de ser activos protagonistas y decisores de sus destinos y del futuro de su nación.

Reflexiones de Fidel Castro por la visita de Obama a Cuba

Reflexiones de Fidel Castro por la visita de Obama a Cuba

El silencio de Fidel Castro sobre la visita del presidente Barack Obama a la Isla había despertado un sinnúmero de interpretaciones, de quienes hasta llegaron a pensar que el antiguo presidente cubano había permanecido al margen, no solo por la decisión de Obama de no reunirse con él, sino quizás hasta porque desconocía de la histórica visita del mandatario norteamericano a Cuba.

Sin embargo, a menos de una semana de marchar el jefe de la Casa Blanca de Cuba Fidel no ha tardado de pronunciarse, usando la vía que suele ser habitual desde hace un tiempo, y ha dejado sus 'reflexiones' en Granma, el Órgano Oficial del Partido Comunista en Cuba.



A continuación dejamos el texto íntegro, más elocuente por sí mismo que cualquier interpretación que de él pueda hacerse.

Seguramente, las palabras del comandante Fidel recibirán más cobertura y más realce en los medios cubanos que la propia visita de Obama, primera de un presidente nortameamericano a Cuba en 88 años.

El hermano Obama

No necesitamos que el imperio nos regale nada. Nuestros esfuerzos serán legales y pacíficos, porque es nuestro compromiso con la paz y la fraternidad de todos los seres humanos que vivimos en este planeta



Los reyes de España nos trajeron a los conquistadores y dueños, cuyas huellas quedaron en los hatos circulares de tierra asignados a los buscadores de oro en las arenas de los ríos, una forma abusiva y bochornosa de explotación cuyos vestigios se pueden divisar desde el aire en muchos lugares del país.

El turismo hoy, en gran parte, consiste en mostrar las delicias de los paisajes y saborear las exquisiteces alimentarias de nuestros mares, y siempre que se comparta con el capital privado de las grandes corporaciones extranjeras, cuyas ganancias si no alcanzan los miles de millones de dólares per cápita no son dignas de atención alguna.

Ya que me vi obligado a mencionar el tema, debo añadir, principalmente para los jóvenes, que pocas personas se percatan de la importancia de tal condición en este momento singular de la historia humana. No diré que el tiempo se ha perdido, pero no vacilo en afirmar que no estamos suficientemente informados, ni ustedes ni nosotros, de los conocimientos y las conciencias que debiéramos tener para enfrentar las realidades que nos desafían. Lo primero a tomar en cuenta es que nuestras vidas son una fracción histórica de segundo, que hay que compartir además con las necesidades vitales de todo ser humano. Una de las características de este es la tendencia a la sobrevaloración de su papel, lo cual contrasta por otro lado con el número extraordinario de personas que encarnan los sueños más elevados.

Nadie, sin embargo, es bueno o es malo por sí mismo. Ninguno de nosotros está diseñado para el papel que debe asumir en la sociedad revolucionaria. En parte, los cubanos tuvimos el privilegio de contar con el ejemplo de José Martí. Me pregunto incluso si tenía que caer o no en Dos Ríos, cuando dijo “para mí es hora”, y cargó contra las fuerzas españolas atrincheradas en una sólida línea de fuego. No quería regresar a Estados Unidos y no había quién lo hiciera regresar. Alguien arrancó algunas hojas de su diario. ¿Quién cargó con esa pérfida culpa, que fue sin duda obra de algún intriganteinescrupuloso? Se conocen diferencias entre los Jefes, pero jamás indisciplinas. “Quien intente apropiarse de Cuba recogerá el polvo de su suelo anegado en sangre, si no perece en la lucha”, declaró el glorioso líder negro Antonio Maceo. Se reconoce igualmente en Máximo Gómez, el jefe militar más disciplinado y discreto de nuestra historia.

Mirándolo desde otro ángulo, cómo no admirarse de la indignación de Bonifacio Byrne cuando, desde la distante embarcación que lo traía de regreso a Cuba, al divisar otra bandera junto a la de la estrella solitaria, declaró: “Mi bandera es aquella que no ha sido jamás mercenaria…”, para añadir de inmediato una de las más bellas frases que escuché nunca: “Si deshecha en menudos pedazos llega a ser mi bandera algún día… ¡nuestros muertos alzando los brazos la sabrán defender todavía!...”. Tampoco olvidaré las encendidas palabras de Camilo Cienfuegos aquella noche, cuando a varias decenas de metros bazucas y ametralladoras de origen norteamericano, en manos contrarrevolucionarias, apuntaban hacia la terraza donde estábamos parados. Obama había nacido en agosto de 1961, como él mismo explicó. Más de medio siglo transcurriría desde aquel momento.

Veamos sin embargo cómo piensa hoy nuestro ilustre visitante:

“Vine aquí para dejar atrás los últimos vestigios de la guerra fría en las Américas. Vine aquí extendiendo la mano de amistad al pueblo cubano”.

De inmediato un diluvio de conceptos, enteramente novedosos para la mayoría de nosotros:

“Ambos vivimos en un nuevo mundo colonizado por europeos”. Prosiguió el Presidente norteamericano. “Cuba, al igual que Estados Unidos, fue constituida por esclavos traídos de África; al igual que Estados Unidos, el pueblo cubano tiene herencias en esclavos y esclavistas”.

Las poblaciones nativas no existen para nada en la mente de Obama. Tampoco dice que la discriminación racial fue barrida por la Revolución; que el retiro y el salario de todos los cubanos fueron decretados por esta antes de que el señor Barack Obama cumpliera 10 años. La odiosa costumbre burguesa y racista de contratar esbirros para que los ciudadanos negros fuesen expulsados de centros de recreación fue barrida por la Revolución Cubana. Esta pasaría a la historia por la batalla que libró en Angola contra el apartheid, poniendo fin a la presencia de armas nucleares en un continente de más de mil millones de habitantes. No era ese el objetivo de nuestra solidaridad, sino ayudar a los pueblos de Angola, Mozambique, Guinea Bissau y otros del dominio colonial fascista de Portugal.

En 1961, apenas dos años y tres meses después del Triunfo de la Revolución, una fuerza mercenaria con cañones e infantería blindada, equipada con aviones, fue entrenada y acompañada por buques de guerra y portaviones de Estados Unidos, atacando por sorpresa a nuestro país. Nada podrá justificar aquel alevoso ataque que costó a nuestro país cientos de bajas entre muertos y heridos. De la brigada de asalto proyanki, en ninguna parte consta que se hubiese podido evacuar un solo mercenario. Aviones yankis de combate fueron presentados ante Naciones Unidas como equipos cubanos sublevados.

Es de sobra conocida la experiencia militar y el poderío de ese país. En África creyeron igualmente que la Cuba revolucionaria sería puesta fácilmente fuera de combate. El ataque por el Sur de Angola por parte de las brigadas motorizadas de Sudáfrica racista los lleva hasta las proximidades de Luanda, la capital de este país. Ahí se inicia una lucha que se prolongó no menos de 15 años. No hablaría siquiera de esto, a menos que tuviera el deber elemental de responder al discurso de Obama en el Gran Teatro de La Habana Alicia Alonso.

No intentaré tampoco dar detalles, solo enfatizar que allí se escribió una página honrosa de la lucha por la liberación del ser humano. De cierta forma yo deseaba que la conducta de Obama fuese correcta. Su origen humilde y su inteligencia natural eran evidentes. Mandela estaba preso de por vida y se había convertido en un gigante de la lucha por la dignidad humana. Un día llegó a mis manos una copia del libro en que se narra parte de la vida de Mandela y ¡oh, sorpresa!: estaba prologado por Barack Obama. Lo ojeé rápidamente. Era increíble el tamaño de la minúscula letra de Mandela precisando datos. Vale la pena haber conocido hombres como aquel.

Sobre el episodio de Sudáfrica debo señalar otra experiencia. Yo estaba realmente interesado en conocer más detalles sobre la forma en que los sudafricanos habían adquirido las armas nucleares. Solo tenía la información muy precisa de que no pasaban de 10 o 12 bombas. Una fuente segura sería el profesor e investigador Piero Gleijeses, quien había redactado el texto de “Misiones en conflicto: La Habana, Washington y África 1959-1976”; un trabajo excelente. Yo sabía que él era la fuente más segura de lo ocurrido y así se lo comuniqué; me respondió que él no había hablado más del asunto, porque en el texto había respondido a las preguntas del compañero Jorge Risquet, quien había sido embajador o colaborador cubano en Angola, muy amigo suyo. Localicé a Risquet; ya en otras importantes ocupaciones estaba terminando un curso del que le faltaban varias semanas. Esa tarea coincidió con un viaje bastante reciente de Piero a nuestro país; le había advertido a este que Risquet tenía ya algunos años y su salud no era óptima. A los pocos días ocurrió lo que yo temía. Risquet empeoró y falleció. Cuando Piero llegó no había nada que hacer excepto promesas, pero ya yo había logrado información sobre lo que se relacionaba con esa arma y la ayuda que Sudáfrica racista había recibido de Reagan e Israel.

No sé qué tendrá que decir ahora Obama sobre esta historia. Ignoro qué sabía o no, aunque es muy dudoso que no supiera absolutamente nada. Mi modesta sugerencia es que reflexione y no trate ahora de elaborar teorías sobre la política cubana.

Hay una cuestión importante:

Obama pronunció un discurso en el que utiliza las palabras más almibaradas para expresar: “Es hora ya de olvidarnos del pasado, dejemos el pasado, miremos el futuro, mirémoslo juntos, un futuro de esperanza. Y no va a ser fácil, va a haber retos, y a esos vamos a darle tiempo; pero mi estadía aquí me da más esperanzas de lo que podemos hacer juntos como amigos, como familia, como vecinos, juntos”.

Se supone que cada uno de nosotros corría el riesgo de un infarto al escuchar estas palabras del Presidente de Estados Unidos. Tras un bloqueo despiadado que ha durado ya casi 60 años, ¿y los que han muerto en los ataques mercenarios a barcos y puertos cubanos, un avión de línea repleto de pasajeros hecho estallar en pleno vuelo, invasiones mercenarias, múltiples actos de violencia y de fuerza?

Nadie se haga la ilusión de que el pueblo de este noble y abnegado país renunciará a la gloria y los derechos, y a la riqueza espiritual que ha ganado con el desarrollo de la educación, la ciencia y la cultura.

Advierto además que somos capaces de producir los alimentos y las riquezas materiales que necesitamos con el esfuerzo y la inteligencia de nuestro pueblo. No necesitamos que el imperio nos regale nada. Nuestros esfuerzos serán legales y pacíficos, porque es nuestro compromiso con la paz y la fraternidad de todos los seres humanos que vivimos en este planeta.

 Fidel Castro Ruz

 Marzo 27 de 2016

  10 y 25 p.m.

Grécia já enviou à Bélgica cartão USB com mapa de aeroporto

Secretário de Estado dos EUA participa de uma cerimonia no Aeroporto de Bruxelas

 A polícia da Grécia enviou em janeiro de 2015 às autoridades belgas uma memória USB que, entre outras coisas, continha um mapa do aeroporto de Bruxelas, alvo de um atentado semana passada, publicou nesta segunda-feira a imprensa grega.

O dispositivo foi encontrado durante a revista em um apartamento no bairro de Pangrati, em Atenas, onde passou uma temporada Abdelhamid Abaaoud, que seria o coordenador dos atentados de Paris de novembro, e que foi abatido pela polícia francesa dias depois daqueles ataques.

Segundo informações não confirmadas, a polícia grega só soube através da imprensa belga que na memória enviada havia um mapa do aeroporto internacional de Zaventem, em Bruxelas.

Consultado pela Agência Efe, um porta-voz da polícia se limitou a assinalar que, "por princípio as forças de segurança não fazem comentários quando autoridades de outros países realizam uma investigação".

De acordo com matérias nos meios de comunicação baseadas em vazamentos das forças de segurança, a polícia enviou o material diretamente à Bélgica sem analisar seu conteúdo, após receber, em 2 de janeiro de 2015, um alerta das autoridades desse país sobre a existência desse apartamento.

A polícia belga interceptou telefonemas com origem em Atenas para membros de uma célula jihadista na cidade belga de Verviers.

O receptor das chamadas era um dos dois terroristas abatidos em 15 de janeiro nessa cidade belga.

A polícia grega localizou o apartamento em questão em 17 de janeiro e deteve quatro pessoas, três posteriormente liberadas após descartar seu envolvimento no episódio de Verviers e um cidadão argelino que foi extraditado à Bélgica.

Dez dias depois, no entanto, um desses três, que tinha garantido ser sírio, foi reclamado pela Bélgica após perceber que na realidade era um cidadão francês ativo em círculos jihadistas.

A emissora "Skai" apontou que o indivíduo em questão poderia ser Reda Kriket, o francês de 34 anos detido na quinta-feira suspeito de estar planejando um atentado terrorista na França.

Eletrobras contrata banco para vender ativos da Eletrosul

Linhas de transmissão da Eletrobras na Usina de Itaipu

 A estatal Eletrobras contratou o banco Credit Suisse para prestar consultoria em um plano para a venda de ativos de sua subsidiária Eletrosul, que incluem linhas de transmissão de energia e usinas eólicas, afirmaram à Reuters duas fontes com conhecimento direto do assunto.

Segundo as fontes, que falaram sob a condição de anonimato, a companhia espera levantar cerca de 2 bilhões de reais com a venda total ou parcial dos ativos.

A Eletrosul possui cerca de 1.000 megawatts em usinas eólicas próprias no Rio Grande do Sul, além de 400 megawatts junto a parceiros.

Os ativos à venda incluiriam parte dessas usinas e um lote de linhas de transmissão que a companhia arrematou em leilão, mas ainda não tiveram obras iniciadas.

O objetivo da transação é melhorar o caixa da empresa e dar fôlego para outros projetos prioritários, afirmou uma das fontes.

Procurados, o Credit Suisse, a Eletrobras e a Eletrosul não comentaram o assunto.

Às 13:01, as ações preferenciais da Eletrobras operavam em alta de 1,9 por cento, enquanto as ordinárias caíam 0,7 por cento. O Ibovespa subia 1,99 por cento.

A tarefa, no entanto, pode não ser simples em momento de crise no país e queda na demanda de energia, combinada ainda a uma ampla gama de ativos à venda no setor elétrico do Brasil, especialmente em geração.

Esses desafios podem levar a companhia a trabalhar com a possibilidade de parte dos desinvestimentos não ocorrer neste ano, admitiu a fonte.

"A ideia é vender parte dos parques (eólicos) e parte da linha da transmissão que ainda não foi feita", disse a fonte.

Com a venda de parte da concessão na linha de transmissão, a Eletrosul quer levantar 1,5 bilhão de reais, enquanto o restante viria das eólicas.

Como a linha é bastante longa, cortando o Sul do país, a concessão poderia até ser dividida em lotes menores, visando facilitar a negociação, segundo a fonte.

"É preciso fazer (a venda), bancos já foram consultados, até para a Eletrosul ter fôlego para fazer outros investimentos em geração e transmissão", disse a fonte.

Mas, diante das condições do mercado, não há urgência nas negociações.

"Tem que ver do ponto de visto político e econômico, o mercado não está receptivo nesse momento. Será feito sem pressa e não será de qualquer forma." A fonte afirmou que, com isso, parte das vendas poderia ser feita neste ano e o restante no ano que vem.

"Tem muitos agentes vendendo ativos. Tem muita oferta e quem tem dinheiro pode comprar bem. Como é um dinheiro para investir, a companhia não está com a faca no pescoço", completou.

A própria Eletrobras deverá realizar brevemente o leilão de privatização de uma de suas distribuidoras de energia, a Celg-D, de Goiás, além de ter anunciado planos de vender outras de suas concessionárias de distribuição.

A estatal chegou a apresentar em assembleia no final do ano passado um plano para vender todas suas sete distribuidoras em 2016, mas o governo federal retirou o assunto de pauta, aprovando apenas a operação da Celg-D.

1.500 imigrantes são resgatados no canal da Sicília

Refugiados cruzam riacho procurando rota alternativa para entrar na Macedônia, dia 14/03/2016

  A Guarda Costeira italiana informou nesta segunda-feira que 1.482 imigrantes foram resgatados nas últimas 48 horas quando viajavam em barcaças no canal da Sicília, que divide a costa da Líbia e da Itália.

Hoje foram realizadas seis operações que resgataram 752 pessoas e, em uma delas, uma embarcação romena que colabora no dispositivo europeu Triton salvou 252 imigrantes que estavam em duas lanchas pneumáticas.

Outras duas lanchas pneumáticas com 129 pessoas a bordo foram socorridas pelo barco inglês "Enterprise", do dispositivo EunavforMed, enquanto a embarcação "Aquarius", que pertence à ONG "Sos Mediterranee", resgatou 125, e o resto das pessoas foram salvas por navios da Marinha militar italiana.

As seis operações de hoje se somam às seis de ontem, que socorreram outros 730 imigrantes no canal da Sicília, quando suas embarcações estavam à deriva entre 30 e 50 milhas ao norte do litoral da Líbia, segundo um comunicado.

Todos eles foram transferidos a bordo da embarcação norueguesa "Seim+ Pilot", que chegará nas próximas horas ao porto de Pozzallo, na Sicília.

Veja o caminho que fazem jeans, iPhones e carros pelo mundo

Calça jeans no varal

  "Conectividade, e não soberania, se tornou o princípio organizador da espécie humana", disse o indiano Parag Khanna em sua TED Talk de 2009.

Khanna é analista de relações internacionais e vai lançar em abril o livro "Connectography: Mapping the Future of Global Civilization", a terceira parte de uma trilogia sobre a nova ordem mundial.

Os dois primeiros - "O Segundo Mundo: Como as Potências Emergentes Estão a Redefinir a Concorrência Global no Século XXI" e Como Governar o Mundo - O Caminho para o Novo Renascimento" - foram publicados por aqui pela Intrínseca.

No Twitter, Khanna vem postando alguns mapas que mostram como os fluxos de comércio e as cadeias de valor estão estruturadas em escala global.

Em um deles, os exemplos usados são iPhones da Apple, jeans da Levi's, carros da Toyota, computadores e farmacêuticos. Veja na figura:

Há concentração em alguns pólos: China e sudeste asiático aparecem de forma proeminente como focos de manufatura enquanto Europa e Estados Unidos se destacam como centros de consumo final.

Mas a história não é tão simples. Há carros da Toyota cuja rede não sai do continente americano, por exemplo, além de redistribuição global de produtos finais através de eixos Sul-Sul ou Norte-Norte.

Muito depende do tipo de produto. Um simples pote de Nutella, por exemplo, envolve quase 20 países entre fornecedores, fábricas e escritórios de venda .

Neste processo, pouco dinheiro fica com o trabalhador inicial e a maior parte do valor é criado na ponta, como mostra um estudo recente da Accenture que acompanhou uma camiseta de Bangladesh a Berlim.

Angola condena ativistas por conspiração contra presidente

Jose Eduardo dos Santos, presidente de Angola

 A justiça de Angola condenou nesta segunda-feira 17 ativistas a penas entre dois e oito anos de prisão por conspirarem para atentar contra o presidente do país, José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.

A pena mais alta, de oito anos e seis meses, foi para Domingos da Cruz, considerado o líder do grupo, e para o rapper luso-angolano Luaty Beirao, que cumprirá pena de 5 anos e seis meses, informou o site "Rede Angola".

O caso se refere a 20 de junho de 2015, quando o grupo de jovens foi detido após participar de uma reunião para discutir política e as preocupações do governo, o que as autoridades angolanas consideraram um ato de "preparação de rebelião e atentado contra o presidente, José Eduardo dos Santos".

Segundo a acusação, o grupo de detidos, de jovens entre 19 e 33 anos, planejavam a rebelião mediante "a colocação de barricadas nas principais ruas da capital e o incêndio de pneus onde há maior afluência de cidadãos estrangeiros".

O rapper Luaty Beirao, de 33 anos, se transformou no símbolo de resistência dos jovens ao fazer uma greve de fome durante 36 dias para protestar contra a prisão preventiva contra ele o os outros ativistas.

A representante do Ministério Público no caso, Isabel Fançony Nicolás, argumentou que não havia sido possível provar que o grupo estaria tentando atentar contra a vida do presidente angolano.

No entanto, segundo a acusação, as conversas mantidas pelos ativistas revelaram que eles estavam planejando atos de rebelião e se preparando para tomar o poder.

Organizações internacionais, como a Anistia Internacional (AI) condenaram o tratamento recebido pelos ativistas e exigiram sua libertação.

Santos governa Angola desde 1979, quando comandava o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), um antigo movimento revolucionário de sinal marxista que lutou contra o domínio português entre 1961 e 1975. No princípio deste mês anunciou que deixará "a atividade política ativa" em 2018.

O líder angolano foi repetidamente criticado por abusos dos direitos humanos no país, que se transformou o segundo maior produtor de petróleo da África, mas onde metade da população vive com menos de 2 euros (R$ 9) por dia.

Criador do Napster quer que você pare de ir ao cinema

Sala de cinema com apenas uma pessoa

 Uma nova proposta criada por Sean Parker, um dos criadores do Napster, tem causado reações diversas em Hollywood. Em linhas gerais, a ideia de Parker permitiria que pessoas assistissem a filmes que estejam chegando ao cinema em suas casas. Seria uma espécie de Netflix de luxo.

O projeto leva o nome de “Screening Room”, sala de projeção, em tradução livre. Parker afirma que sua ideia não tiraria espectadores dos cinemas, uma vez que tem apelo para adultos que já não vão ao cinema de qualquer maneira.

Para poder assistir a um filme no conforto do seu sofá, seria preciso aderir ao programa. O primeiro passo é comprar uma caixa anti-pirataria que custaria 150 dólares. Ela serviria como receptor do filme e teria medidas de segurança para evitar que o filme fosse baixado e disponibilizado na internet.

Depois disso, ainda seria preciso pagar pelo aluguel. O preço divulgado inicialmente é de 50 dólares por filme, que ficaria disponível para ser visto dentro de um período de 48 horas sem limite de repetições. De brinde, o assinante ainda ganharia dois ingressos para assistir ao filme em questão no cinema (o que não faz muito sentido no final das contas).

Sean Parker foi um dos fundadores do Napster e um dos primeiros investidores do Facebook (talvez você se lembre dele sendo interpretado por Justin Timberlake no filme A Rede Social). O empresário sabe, portanto, como revolucionar um mercado. Por conta disso, a ideia atraiu grandes nomes de Hollywood. Entre os investidores da Screening Room estão diretores como Steven Spielberg, Peter Jackson, J. J. Abrams e Ron Howard.

Jackson, diretor dos filmes da saga O Senhor dos Anéis, afirmou que acredita que a ideia permitiria que os filmes alcançassem um público maior. Para ele, os consumidores desse vídeo sob demanda não iriam até um grande complexo de cinemas de qualquer forma.

Alguns, no entanto, se posicionaram contrários à ideia. Dois deles foram o diretor James Cameron e o produtor Jon Landau (parceiros em Titanic e Avatar). “Para nós, do ponto criativo e financeiro, é essencial que filmes sejam oferecidos exclusivamente em cinemas em seu lançamento. Não entendemos por que a indústria poderia querer oferecer ao público um incentivo para pular a melhor forma de se experimentar a arte que trabalhamos tão duro para criar”, afirmou Landau ao noticiário Variety.

Christopher Nolan, diretor da trilogia mais recente de Batman e de filmes como A Origem e Interestelar, se aliou a Landau e Cameron contra a ideia. Outros que também criticaram a ideia são representantes das cadeias de cinema dos Estados Unidos.

A União Internacional de Cinemas, órgão europeu, também afirmou que a ideia é preocupante e que traz "riscos significativos" à indústria.

Nesse cenário, é importante lembrar que o Netflix deu passos contra a exibição exclusiva em salas de cinema. No ano passado, a empresa lançou seu primeiro filme, Beasts Of No Nation, de maneira exclusiva na plataforma de vídeo sob demanda.

China investigará escândalo de mercado negro de vacinas

Vacinas contra gripe

 O governo chinês anunciou nesta segunda-feira a criação de um comitê para investigar a distribuição ilegal de vacinas no mercado negro, descoberto na semana passada e que já rendeu a detenção de mais de 130 pessoas.

O comitê de investigação foi estabelecido pelo Conselho de Estado e é liderado por Bi Jingquan, diretor da Administração de Alimentação e Remédios da China, segundo publica a agência oficial "Xinhua", que acrescenta que a equipe investigadora é formada por membros de vários organismos.

Entre os integrantes do comitê há representantes da Comissão Nacional de Planejamento Familiar, do Ministério da Segurança Pública, do Ministério de Supervisão e do organismo que é dirigido por Bi.

O comitê foi criado depois que as autoridades chinesas anunciaram na semana passada a desarticulação de uma rede que comercializava ilegalmente vacinas desde 2011, e na qual estavam envolvidas pelo menos 30 empresas e 16 centros de vacinação.

Até 130 pessoas foram detidas em relação a este negócio, que era dirigido por uma mãe e sua filha na província oriental de Shandong, também detidas, que compraram as vacinas de maneira legal e ilegal e as vendiam a traficantes e a centros públicos de controle e prevenção de doenças.

As vacinas, avaliadas em 570 milhões de iuanes (US$ 88 milhões), não eram transportadas nas condições necessárias e nem tinham sido refrigeradas adequadamente, por isso que estima-se que podem chegar a causar uma incapacidade ou inclusive a morte.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu hoje à China que reforce seus controles, e o representante do organismo nesse país, Bernhard Schwartländer, pediu às autoridades comunistas que corrijam a "fraqueza" no sistema de distribuição de vacinas para o mercado privado.

Embora Schwartländer tenha destacado que o programa de imunização público na China "é um dos melhores do mundo", colocou em evidência o mercado privado, o único que na segunda economia mundial oferece as injeções para prevenir pneumonia, meningite, pneumococo e rotavírus.

Temer se reúne com o PMDB para discutir saída do governo

Michel Temer em fórum econômico em São Paulo 31/08/2015

 O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, passará esta segunda-feira, 28, em Brasília, participando de reuniões internas com membros do partido.

Até às 11 horas de hoje, Temer já tinha se encontrado com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, um dos principais defensores da permanência da sigla no governo Dilma Rousseff.

Nas conversas com peemedebistas, Temer tenta eliminar os focos de resistência ao desembarque do PMDB, que deve ser votado na reunião do diretório nacional da legenda marcada para esta terça-feira, 29. Para o vice-presidente, alcançar a unanimidade na reunião é importante como um sinal de que a sigla está unida em torno dele e de seu eventual governo.

Além de Braga, Temer deve conversar com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na tentativa de convencê-lo a apoiar o rompimento imediato. Aliados do senador, contudo, avaliam como "muito difícil" um acerto. Até semana passada, Renan e demais setores da ala governista do PMDB preferiam ver "o governo cair de podre".

Da reunião com Temer, Braga seguiu para o Palácio do Planalto, onde está reunido com a presidente Dilma Rousseff e outros ministros do PMDB.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo publicada no sábado, dia 26, Braga considerou "precipitado" o rompimento imediato do partido com o governo Dilma. Ele defende o adiamento da reunião do diretório nacional do partido.

Partido Comunista de Cuba busca continuidade sem mudanças

Bandeira de Cuba é abaixada na embaixada americana em Havana, dia 18/12/2015

O sétimo Congresso do governante Partido Comunista de Cuba (PCC) analisará em abril a continuidade da atual política de atualização do modelo econômico, descartando grandes mudanças, afirmou nesta segunda-feira a organização.

"O que buscamos é terminar o que foi iniciado, continuar com a execução da vontade popular expressada há cinco anos", disse o jornal Granma, órgão do PCC.

O Granma respondeu assim a cartas de militantes e de outros cubanos que criticavam a ausência de uma consulta popular sobre as principais teses previstas para a reunião, como foi feito antes do Sexto Congresso.

"Chegaram à redação do jornal, por diversas vias, inquietações de militantes do Partido (e também de não militantes) que perguntam por que nesta ocasião não foi previsto um processo de discussão similar ao realizado há cinco anos", afirma.

O sexto Congresso aprovou 300 reformas propostas por seu primeiro secretário, o presidente Raúl Castro, para atualizar um esgotado modelo econômico de cunho soviético em busca de "um socialismo próspero e sustentável".

"O balanço das realizações no quinquênio mostra que 21% das orientações já foram implementadas, enquanto 77% estão neste processo.

Os 2% restantes (cinco orientações) não foram executados por diversas causas", indicou o jornal.

Segundo o Granma, nas estruturas do PCC são analisados seis documentos visando ao Congresso - que será realizado de 16 a 19 de abril - que traçam o caminho do país para os próximos anos, incluindo quando a geração histórica liderada por Fidel e Raúl Castro não estiver mais no cenário político.

Auditores da Receita terão aumento e até bônus

Carro com logo da Receita Federal

 Na contramão do discurso de ajuste fiscal propagado pela equipe econômica para reduzir as despesas obrigatórias e reequilibrar as contas públicas, o governo aceitou dar um reajuste diferenciado para os auditores fiscais da Receita Federal que inclui um "bônus" de eficiência atrelado à meta de arrecadação de impostos e contribuições federais. O acordo foi assinado na última quinta-feira, 24.

Com remuneração variável, o bônus vai beneficiar até mesmo servidores aposentados e já causa preocupação de enfraquecer o discurso do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que apresentou um projeto de limitar o crescimento das despesas do governo para diminuir o endividamento público.

Os termos do acordo, que foi negociado pelo Ministério do Planejamento, a qual o Broadcast - serviço de notícias em tempo real da Agência Estado - teve acesso, prevê inicialmente um bônus fixo mensal de R$ 3 mil entre agosto e dezembro deste ano.

A partir de janeiro de 2017, o benefício salarial passará a ser vinculado às desempenho e metas da produtividade global da Receita.

O nível em razão do tempo de sua permanência no acordo. O acordo também prevê um reajuste da remuneração básica de 21,3% em quatro anos.

Pesou na decisão a pressão feita pelo servidores que intensificaram, nos últimos meses, operação de redução das atividades diárias, o que tem afetado o esforço de arrecadação nesse momento de forte queda do recolhimento dos tributos. A categoria não quis assinar o acordo salarial feito com os demais servidores, no final do ano passado, e insistiu na operação padrão.

Refém

Para uma fonte da área econômica, o governo ficou "refém" dos auditores e acabaram recebendo um adicional para "fazer o que é dever deles".

"Até aposentados estão no pacote. Se o bônus é de eficiência por que aposentados?", disse uma fonte que teme que a medida dispare insatisfação geral em outras categorias do serviço público, que não ficaram satisfeitas com os reajustes recebidos.

O presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Sindifisco), Claudio Damasceno, discorda e defende os termos do acordo pela importância do órgão para o funcionamento do serviço público e do ajuste fiscal, já que é responsável pela arrecadação.

A parcela do bônus para os servidores inativos diminui à medida que o tempo da sua aposentadoria aumenta. Segundo o dirigente sindical, merecem o bônus porque muitos autos de infração demoram anos para serem finalizados e como também os seus efeitos na arrecadação.

A Receita informou que o bônus é um modelo adotado em vários Estados e também já existiu, no passado, no Fisco com outros nomes. Ele terá como fonte os valores arrecadados em multas e leilões de mercadorias, que fazem parte do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (Fundaf).

A Receita admitiu que o movimento dos auditores-fiscais pode, também, ter contribuído para a queda da arrecadação dos meses recentes. Mas informou não há como mensurar esta contribuição.

Procurado, o Ministério do Planejamento defendeu o acordo e avaliou que não há contradição com o ajuste fiscal. Segundo o Planejamento, o objetivo é incentivar os servidores a melhorarem a produtividade e, consequentemente, a arrecadação.

Não foi informado o custo para as contas públicas do reajuste aprovado.

Como declaro salários atrasados no Imposto de Renda?

Mulher com dúvida

 Dúvida do internauta: A empresa na qual meu marido trabalha atrasou o pagamento de salários em 2015 e, após encerrado o ano, ele ainda tem valores a receber. Contudo, no informe de rendimentos de 2015, a empresa informou à Receita Federal que já pagou tudo o que era devido aos funcionários. Conversei com uma pessoa de um escritório contábil que me informou que devo declarar o valor que a empresa passou para a Receita, mesmo não sendo o certo, e lançar a dívida na declaração. Esse procedimento é correto?

Resposta de Samir Choaib e Helena Rippel Araújo*

Como o Informe de Rendimentos de 2015 fornecido pela empresa de seu marido não está espelhando a situação corretamente, o empregador deverá retificar a declaração feita à Receita Federal, chamada "Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF", bem como o informe de rendimentos, para informar exatamente o que foi pago e o imposto retido, além de mencionar, no campo de observações do informe, a dívida existente. 

É incorreto o procedimento da empresa, pois as regras do Imposto de Renda da Pessoa Física determinam que os rendimentos sejam reconhecidos somente quando forem efetivamente recebidos pelo contribuinte.

Cumpre colocar, no entanto, que, caso a empresa não faça a retificação da DIRF, o seu marido terá de seguir o informe de rendimentos enviado pelo empregador, ainda que incorreto. Caso contrário, haverá o risco de sua declaração ficar retida na malha fina, ou seja, não ser processada e ele ser chamado a prestar esclarecimentos sobre as inconsistências, pois a fonte pagadora e o empregado devem declarar as mesmas informações à Receita.

*Samir Choaib é advogado e economista formado pela Universidade Mackenzie, pós-graduado em direito tributário pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). É sócio do escritório Choaib, Paiva e Justo, Advogados Associados, especialista em imposto de renda de pessoas físicas e responsável pela área de planejamento sucessório do escritório. É o atual chairman da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos da Flórida (BACCF), em São Paulo.

*Helena Rippel Araújo é advogada do escritório Choaib, Paiva e Justo e especialista em planejamento sucessório

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