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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Executivo da OAS se oferece para contar à Lava Jato segredos devastadores sobre Lula
Léo e Lula são bons amigos. Mais do que por amizade, eles se uniram por interesses comuns. Léo era operador da empreiteira OAS em Brasília. Lula era presidente do Brasil e operado pela OAS. Na linguagem dos arranjos de poder baseados na troca de favores, operar significa, em bom português, comprar. Agora operador e operado enfrentam circunstâncias amargas. O operador esteve há até pouco tempo preso em uma penitenciária em Curitiba. Em prisão domiciliar, continua enterrado até o pescoço em suspeitas de crimes que podem levá-lo a cumprir pena de dezenas de anos de reclusão. O operado está assustado, mas em liberdade. Em breve, Léo, o operador, vai relatar ao Ministério Público Federal os detalhes de sua simbiótica convivência com Lula, o operado. Agora o ganho de um significará a ruína do outro. Léo quer se valer da lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff, a delação premiada, para reduzir drasticamente sua pena em troca de informações sobre a participação de Lula no petrolão, o gigantesco esquema de corrupção armado na Petrobras para financiar o PT e outros partidos da base aliada do governo.
Por meio do mecanismo das delações premiadas de donos e altos executivos de empreiteiras, os procuradores já obtiveram indícios que podem levar à condenação de dois ex-ministros da era lulista, Antonio Palocci e José Dirceu. Delatores premiados relataram operações que põem em dúvida até mesmo a santidade dos recursos doados às campanhas presidenciais de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 e à de Lula em 2006. As informações prestadas permitiram a procuradores e delegados desenhar com precisão inédita na história judicial brasileira o funcionamento do esquema de sangria de dinheiro da Petrobras com o objetivo de financiar a manutenção do grupo político petista no poder.
É nessa teia finamente tecida pelos procuradores da Operação Lava-Jato que Léo e Lula se encontram. Amigo e confidente de Lula, o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro autorizou seus advogados a negociar com o Ministério Público Federal um acordo de colaboração. As conversas estão em curso e o cardápio sobre a mesa. Com medo de voltar à cadeia, depois de passar seis meses preso em Curitiba, Pinheiro prometeu fornecer provas de que Lula patrocinou o esquema de corrupção na Petrobras, exatamente como afirmara o doleiro Alberto Youssef em depoimento no ano passado. O executivo da OAS se dispôs a explicar como o ex-presidente se beneficiou fartamente da farra do dinheiro público roubado da Petrobras.
Moro diz ao TSE que propina abasteceu campanhas e sugere oitiva de delatores
O juiz federal Sergio Moro afirmou à Justiça Eleitoral que a Operação Lava Jato comprovou o repasse de propina a campanhas eleitorais em troca de contratos da Petrobras. Moro encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) documentos de dez ações penais da Lava Jato em primeira instância para subsidiar um dos quatro processos que podem resultar na cassação da presidente Dilma Rousseff e de seu vice, Michel Temer.
"Destaco que na sentença prolatada na ação penal 5012331-04.2015.404.7000 reputou-se comprovado o direcionamento de propinas acertadas no esquema criminoso da Petrobras para doações eleitorais registradas", escreveu Moro, em ofício ao Tribunal Superior Eleitoral, encaminhado em outubro do ano passado. No processo citado por Moro, a Justiça Federal entendeu que o diretório nacional do PT recebeu propina de 4,26 milhões de reais, entre 2008 e 2012. O dinheiro ilícito era destinado à Diretoria de Serviços da Petrobras, então comandada por Renato Duque, e repassado ao partido por empresas de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto com aval do ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, preso e condenado pela lavagem de dinheiro por meio dessas doações.
Ele também indicou caminhos para que a corte eleitoral verifique a acusação dos autores da ação, o PSDB e a Coligação Muda Brasil, do senador tucano Aécio Neves (MG), candidato a presidente derrotado no segundo turno das eleições em 2014. Em uma das ações de investigação judicial eleitoral (AIJE), Dilma e Temer são acusados de abuso de poder político e econômico com "gastos acima do limite" e "recebimento de doações oficias de empreiteiras contratadas pela Petrobras como parte de distribuição de propinas".
Sérgio Moro sugeriu à Corregedoria-Geral Eleitoral que sejam ouvidos os delatores da Lava Jato que confirmaram em âmbito criminal que repasses de propina foram mascarados como doações eleitorais oficiais e também entregue como caixa dois. "Saliento que os criminosos colaboradores Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, Pedro José Barusco Filho, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, Milton Pascowitch e Ricardo Ribeiro Pessoa declararam que parte dos recursos acertados no esquema criminoso da Petrobras era destinada a doações eleitorais registradas e não-registradas. Como os depoimentos abrangem diversos assuntos, seria talvez oportuno que fossem ouvidos diretamente pelo Tribunal Superior Eleitoral a fim de verificar se têm informações pertinentes", escreveu Moro.
Conforme revelou VEJA, o doleiro Youssef relatou em acordo de colaboração premiada que Dilma e o ex-presidente Lula tinham conhecimento do esquema criminoso na Petrobras. O empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, declarou ter sido pressionado a fazer doações de 7,5 milhões de reais à campanha de reeleição da presidente, em 2014, pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, então tesoureiro da petista. O ministro nega.
O juiz responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba também encaminhou documentos, entre denúncias e sentenças, referentes a dez ações penais que tramitam na 13ª Vara Federa. Moro disse ao TSE que, segundo uma das denúncias do Ministério Público Federal, "recursos de propinas no esquema criminoso da Petrobras teriam sido utilizados para doações eleitorais não-registradas". "Além das ações penais, há diversas investigações em curso que eventual e incidentalmente poderão confirmar outros repasses de propinas a campanhas eleitorais. Caso algo da espécie seja constatado, encaminharei as informações pertinentes e esta Egrégia Corte Eleitoral", afirmou o juiz.
No TSE, Dilma e Temer são alvos de uma representação, duas ações de investigação judicial eleitoral e uma ação de impugnação de mandato eletivo (AIME). Nesta última, que corre em segredo de Justiça, Temer apresentou na última quarta-feira uma defesa em que rebate a acusação do PSDB e rechaça o recebimento de dinheiro de propina em caixa dois ou doação registrada. O peemedebista fala em "inconformismo" do PSDB com o resultado das eleições e afirma que o partido também recebeu dinheiro das empreiteiras investigadas na Lava Jato. A presidente deve encaminhar defesa até a semana que vem, na mesma linha do vice.
Avião da Gol tem princípio de incêndio em aeroporto de Brasília
Um avião da Gol teve um princípio de incêndio na turbina neste domingo no Aeroporto de Brasília, na capital federal. O voo 1415 ainda não havia iniciado o processo de decolagem e os 145 passageiros a bordo precisaram desembarcar. A aeronave seguiria de Brasília a para o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Segundo a companhia aérea, houve "falha técnica no escapamento da turbina direita, danificando apenas externamente a fuselagem da aeronave próxima ao motor".
"A aeronave estava em processo de reboque para a pista, mas não chegou a iniciar o táxi para a decolagem. Os 145 clientes a bordo foram desembarcados normalmente e em segurança para serem reacomodados em outros voos da companhia e de outras aéreas, conforme disponibilidade", informou a Gol, em nota. O avião foi rebocado para manutenção.
Segundo a Inframerica, que administra o Aeroporto de Brasília, a ocorrência não provocou atrasos ou outros cancelamentos de voos. Próximo ao aeroporto, um incêndio florestal ainda expeliu uma nuvem de fumaça sobre o local. Mas, segundo a Inframerica, o incidente não prejudicou as operações do aeroporto. De acordo com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, dez militares foram acionados para combater o incêndio.
Na volta do feriadão, Congresso terá semana movimentada
Após uma abertura morna do ano legislativo, o Congresso volta às atividades nesta semana, desta vez com pautas que prometem esquentar o embate político e econômico do país. Entre os temas que estão na mesa, estão medidas de ajuste fiscal, análise das contas do governo Dilma Rousseff, fim da CPI do BNDES e ações contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o senador Delcídio Amaral (PT-MS).
O Conselho de Ética da Câmara vai retomar as discussões sobre o processo contra Cunha. O parlamentar é acusado de mentir aos membros da CPI da Petrobras, ao afirmar que não possuía contas em seu nome no exterior. No Conselho de Ética do Senado, por sua vez, as discussões vão envolver o senador Delcídio Amaral (PT-MS), preso em 25 de novembro sob acusação de ter tentado atrapalhar as investigações da Lava Jato. O ex-líder do governo tem até esta quinta-feira para encaminhar sua defesa ao colegiado.
Analistas pioram previsão para inflação e PIB de 2016
Os economistas ouvidos semanalmente pelo Banco Central (BC) pioraram as perspectivas para a inflação e o PIB deste ano e do próximo. O IPCA, de acordo como relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, deve ficar em 7,61%. Já a economia deve ter uma retração de 3,33% em 2016 e uma leve expansão de 0,59% em 2017. Com esse cenário, os analistas voltaram a elevar, em 0,25 ponto percentual, a previsão para os juros no ano que vem, que devem ficar em 12,75% ao ano.
A projeção para o IPCA deste ano voltou a piorar, pela sétima vez seguida, passando de 7,56% para 7,61%, reforçando a perspectiva de novo estouro da meta, de 4,5% com tolerância de dois pontos para cima ou para baixo, como já aconteceu em 2015.
Para o ano que vem permanece, como na semana anterior, a previsão de inflação de 6%, exatamente no teto da meta, cujo centro seguirá em 4,5%, mas com uma margem de tolerância menor, de 1,5 ponto percentual a mais ou a menos.
Em relação ao PIB de 2016, a mediana das projeções no Focus agora é de contração de 3,33%, ante queda de 3,21% na pesquisa anterior. Para 2017, a estimativa de crescimento é de apenas 0,59%, 0,01 ponto percentual a menos do que na semana passada. Pela quarta semana seguida, os analistas reduziram a previsão para o desempenho da economia no ano que que vem.
A perspectiva para a taxa básica de juros em 2017 voltou a 12,75%, depois de cair para 12,50% na semana anterior, segundo a pesquisa do BC, com a projeção para a inflação no ano que vem permanecendo no teto da meta do governo, de 6%.
O levantamento semanal do BC com uma centena de economistas divulgado nesta segunda-feira mostrou que as projeções para a Selic no final de 2016 foram mantidas em 14,25% ao ano pela segunda semana consecutiva. O BC já sinalizou que não deve mexer tão cedo na taxa básica de juros diante da fragilidade econômica do país, mas o cenário para a inflação continua em deterioração.
Já a cotação do dólar no fim deste ano foi elevada de R$ 4,35 para R$ 4,38. Para o ano que vem, o câmbio foi mantido em R$ 4,40 pela terceira semana seguida
Prefeituras e câmaras não cumprem regras de transparência, diz estudo
Leis que exigem transparência dos gestores públicos já existem há alguns anos no Brasil, mas ainda não é possível dizer que elas pegaram. Pelo menos quando se trata de prefeituras e câmaras municipais. Levantamento feito pela Consultoria em Administração Municipal (Conam) — empresa que presta assessoria para cerca de 100 municípios mostra que procuradores e promotores já entraram com ações contra pelo menos 44 prefeituras e 16 câmaras. O objetivo é obrigá-las a se adequarem à lei.
O número ainda é modesto, diante dos 5568 municípios que há no país, mas deverá crescer em 1º de junho de 2016. Nessa data, o Ministério Público Federal (MPF) pretende ajuizar várias ações contra quem ainda não estiver cumprindo as regras de transparência. De olho no descumprimento da lei, integrantes do Ministério Público vêm tentando obrigar os municípios a mudar sua postura. Primeiro por vias extrajudiciais, enviando, por exemplo, recomendações ou firmando acordos. Depois, quando isso não dá certo, entrando na justiça com ações que podem resultar até mesmo no afastamento do cargo e na suspensão dos direitos políticos de prefeitos e presidentes de Câmaras Municipais.
Os gestores citam vários motivos para não cumprir a lei. A falta de pessoal capacitado, prazo exíguo, secretários que não cumprem ordens e até desconhecimento da lei são algumas das razões alegadas. Responsável por monitorar o cumprimento da Lei de Acesso à Informação em Goiás, o promotor Rodrigo Bolleli destaca duas questões que entende serem preponderantes.
— Infelizmente, ainda permeiam os municípios a cultura do sigilo. Ainda relutam em divulgar as informações, porque permeia acima de tudo a cultura do sigilo. Os prefeitos, os gestores acham que não devem divulgar informações. Essa inicialmente é nossa maior resistência. Mas a gente nota também a falta de capacidade técnica. Muitos municípios de desenvolver o programa para implementar efetivamente os portais. Primeiro a cultura de sigilo, depois a falta de pessoal capacitado para gerir os portais — diz Bolleli, que é coordenador do Centro de Apoio Operacional do Patrimônio Público do Ministério Público de Goiás (MPGO).
A advogada Giselle Gomes Bezerra, consultora jurídica da Conam, diz que ainda há uma questão cultural contra a transparência, mas lembra que o princípio da publicidade já estava previsto na Constituição de 1988.
— A questão cultural ainda pesa sim, sem sombra de dúvida. Mas acho que hoje não podemos nos apegar à questão cultural, porque transparência está em voga. E o princípio da publicidade sempre esteve presente — diz Giselle.
A Lei da Transparência, de 2009, dava quatro anos para que os municípios de até 50 mil habitantes passassem a ter um portal na internet em tempo real com informações sobre receitas e despesas. Para as cidades maiores, o prazo era menor. Em 2011, foi aprovada a Lei de Acesso à Informação, permitindo que qualquer cidadão pudesse encaminhar um pedido de informação aos órgãos públicos. Mas nem todos parecem observar as normas. Outros só fizeram isso depois de acordos com o Ministério Público. Houve quem se mexesse apenas depois de uma ação na justiça. E há até quem deixou de cumprir decisão judicial determinando a adequação às regras de transparência.
No Rio de Janeiro, há ações do MPF e do Ministério Público estadual. O MPF foi à Justiça contra oito prefeituras da Baixada Fluminense e três da Costa Verde. Na Baixada Fluminense, de acordo com o Ministério Público, cinco delas — Belford Roxo, Duque de Caxias, Japeri, Nova Iguaçu e Queimados — sanaram os problemas. Na Costa Verde, as prefeituras de Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty chegaram a seguir algumas recomendações do MPF, mas continuaram com pendências. Assim, em outubro de 2015, o Ministério Público ajuizou ações públicas para que regularizassem a situação, mas ainda não há decisão judicial.
A prefeitura de Mangaratiba também é alvo do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que, em 1º de abril de 2015, ingressou com uma ação contra o ex-prefeito Evandro Bertino Jorge, o Evandro Capixaba, e outros gestores municipais, pedindo que eles fossem afastados dos cargos e tivessem seus direitos políticos suspensos por até cinco anos. Em 17 de abril, o então prefeito foi preso por outro motivo: fraude em licitações. Acabou afastado do cargo e, em junho, teve o mandato cassado pela Câmara Municipal. Em 28 de abril, o juiz Marcelo Borges Barbosa deu um prazo de 90 dias para atualização do portal.
A prefeitura de Mangaratiba informou que não tem medido esforços para cumprir a lei, destacando que vem melhorando sua avaliação e, hoje, é a sexta mais transparente do Rio Janeiro, segundo ranking do MPF, cumprindo quase que integralmente as determinações da lei. Procurada, a prefeitura de Angra dos Reis não deu retorno. O GLOBO não conseguiu entrar em contato com a prefeitura de Paraty.
Também foram localizadas ações contra 12 prefeituras de Santa Catarina, nove do Paraná, três de Goiás, três do Maranhão, três do Pará e três do Piauí. Em alguns casos, os gestores municipais até melhoram a transparência, mas ainda deixam de cumprir alguns pontos da lei. Segundo Bolleli, os municípios goianos, por exemplo, vêm apresentando progressos, mas a passos lentos. Bolleli planeja acelerar o processo de adequação à lei em 2016, com medidas mais coercitivas, como o pedido de suspensão de transferências voluntárias de recursos federais. Segundo ele, o principal problema é a demorar em atualizar os dados no portal.
A suspensão das transferências voluntárias é uma medida que já foi adotada para vários municípios brasileiros, entre eles Belford Roxo. O município da Baixada Fluminense teve os repasses suspensos em abril de 2015, após várias tentativas do MPF em fazer o prefeito Dennis Dauttmam criar um portal da transparência. Posteriormente o município conseguiu se adequar às normas de transparência, mas as ações do prefeito não o livraram de responder a uma ação de improbidade. Nesse caso, ele já teve uma decisão favorável na primeira instância, mas o Ministério Público avisou que vai recorrer. A prefeitura não respondeu se conseguiu reverter a suspensão das transferências.
Na lista de municípios alvos de ações, há até mesmo uma capital. É o caso de Teresina. Lá, em fevereiro de 2015, o Ministério Público do Piauí (MPPI) acionou na Justiça o prefeito Firmino Filho (PSDB) e outras seis pessoas que ocupam ou ocupavam cargos de chefia no município. Segundo a promotora Leida Diniz, há problemas tanto no portal da transparência quanto nas respostas a pedidos feitos por meio da Lei de Acesso à Informação. Ela pede que os gestores e ex-gestores percam os cargos públicos, tenham os direitos políticos suspensos por até cinco anos, e sejam proibidos de contratar com o poder público.
O procurador da República em São João de Meriti, Eduardo El Hage, responsável pelas ações contra prefeituras da Baixada Fluminense, destaca três pontos importantes para defender a necessidade de os gestores públicos serem transparentes: controle social, pela imprensa e também um acesso mais ágil e rápido a essas informações pelos próprios órgãos de fiscalização, como o Ministério Público. Segundo ele, é possível a atuação tanto do MPF quanto dos colegas do Ministério Público estadual.
— Ministério Público estadual porque existem recursos próprios do município. Em relação ao MPF, se justifica porque, apesar de a União ter um grau de transparência muito bom, o problema é que esse recurso federal, quando entra no estado ou município, entra numa caixa preta — diz Eduardo El Hage.
Em dezembro, o MPF divulgou avaliação feita na administração das 5.569 cidades brasileiras (incluída aí Brasília, que não é um município). De cada cinco prefeituras, uma tirou 0 e outras duas ganharam nota menor que 5. Na média, a nota das prefeituras brasileiras foi de apenas 3,91. Ao todo, apenas 59 (1,06% do total) conseguiram nota entre 9 e 10. A nota máxima, inclusive, foi obtida por apenas sete municípios. A partir dessa avaliação, o MPF emitiu recomendações para 3.298 prefeituras, para que eles se adequassem às normas de transparência. Uma nova avaliação será feita em abril e maio. Quem não tiver corrigido os problemas será alvo de ações civis públicas.
Fabricante de larvicida suspenso no RS diz que produto é seguro .
O laboratório Sumitomo Chemical, fabricante do larvicida Pyriproxyfen, usado no combate às larvas do mosquito Aedes aegypti, saiu em defesa de seu produto. No sábado, a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul suspendeu o uso do larvicida em água para consumo humano, após circularem notícias associando o produto à microcefalia. Em nota, o laboratório, assim como já tinha feito o Ministério da Saúde, informou que não há comprovação científica disso e disse que o larvicida é seguro.
A microcefalia é uma malformação em que os bebês nascem com a cabeça menor do que o normal, levando, em geral, ao retardo mental. Exames feitos por laboratórios ligados ao Ministério da Saúde apontam a ligação entre a epidemia da doença, que atinge principalmente o Nordeste, o vírus zika, transmitido justamente pelo Aedes aegypti, o mesmo da dengue e da chicungunha.
O fabricante destacou que o produto tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é usado no combate ao Aedes aegypti, além de outras espécies como o Culex quinquefasciatus (pernilongo ou muriçoca) e a mosca doméstica.
"O produto é registrado desde 2004 e o Governo brasileiro o vem utilizando como inseticida-larvicida no combate ao Aedes aegypti. Pyriproxyfen também é registrado para o combate do Aedes aegypti em países como Turquia, Arábia Saudita, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Espanha. Na América Latina, República Dominicana e Colômbia vêm utilizando o produto desde 2010", destacou a nota do Sumitomo Chemical, afirmando ainda que o larvicida é aprovado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Segundo a OMS, em seu documento Pyriproxyfen in Drinking-water, publicado em 2004 - também publicado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) em 2001 -, o Pyriproxyfen não é mutagênico, não é genotóxico, não é carcinogênico nem teratogênico. O produto foi submetido a rigorosos testes toxicológicos que não demonstraram efeitos sobre a reprodução, sobre o sistema nervoso central ou periférico", diz trecho da nota do laboratório.
No sábado, a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul informou que o larvicida era usado em pequena escala no estado. "A decisão (de suspender o produto) deve-se à hipótese de que a substância pode potencializar a má-formação cerebral causada pelo zika vírus, levantada pela organização médica argentina Physicians in the Crop-Sprayed Towns. A suspensão já foi comunicada às 19 Coordenadorias Regionais de Saúde do Estado, que devem informar às Vigilâncias Municipais", diz trecho da nota da secretaria.
Também no sábado, o Ministério da Saúde informou que a secretaria gaúcha tem autonomia para decidir como utilizar o produto. Já o secretário de Saúde do estado e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), João Gabbardo dos Reis, tinha informado, por meio de nota, que a suspensão do uso do larvicida valeria até que houvesse uma posição do Ministério da Saúde sobre o tema.
Saiba quais foram os remédios mais vendidos no Brasil em 2015
Em 2015, o Neosoro foi o medicamento mais vendido nas farmácias brasileiras, em unidades, de acordo com uma pesquisa inédita da IMS Health. A liderança do descongestionante nasal vem se repetindo nos últimos anos.
No quesito faturamento, a Losartana Potássica, para hipertensão, ficou em 1º.
Ambos medicamentos são da Hypermarcas — a farmacêutica com mais remédios entre os 10 mais vendidos tanto em unidades quanto em preço.
Enquanto o faturamento nominal da na venda de medicamentos cresceu 14%, remédios para hipertensão e analgésicos cresceram 18%, e para disfunção erétil, 20%.
Com a presença de Lula, PT discute defesa de ex-presidente e crise
O Conselho Político da presidência do PT está reunido desde as 10h20m desta segunda-feira, no Hotel Grand Mercure Ibirapuera, na zona Sul de São Paulo, para discutir a linha de defesa para as acusações contra a principal liderança do partido, o ex-presidente Lula, que vem sendo alvo de investigações relacionadas a imóveis e empresas de seus filhos.
Lula participa do encontro, que também conta com a participação dos governadores Camilo Santana (CE), Wellington Dias (PI), Tião Viana (AC), do prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e intelectuais e escritores ligados ao partido, como Emir Sader, Fernando Morais e Eric Nepomuceno. Estão presentes, ainda, sindicalistas e economistas colaboradores do PT. Integrantes do conselho, os governadores Fernando Pimentel (MG) e Rui Costa (BA) não vieram ao encontro.
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Em texto de convocação para o evento, o presidente nacional do partido, Rui Falcão, menciona como pautas de discussão do encontro desta segunda "as investidas contra o Estado Democrático de Direito" e "formas de retomada do crescimento econômico".
Nesta segunda, o conselho deverá decidir por uma ação mais incisiva do partido em defesa do ex-presidente Lula, que é alvo de inquérito em Brasília (DF) para apurar supostas irregularidades em serviços prestados pela empresa de um de seus filhos. O ex-presidente também é investigado por causa de imóveis ligados a ele, que foram reformados por empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato.
No sábado, a presidente Dilma Rousseff defendeu Lula e afirmou que o ex-presidente está sendo “objeto de uma grande injustiça”. Foi a primeira vez que Dilma se pronunciou sobre as denúncias.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Líderes católico romano e ortodoxo russo exigem fim da perseguição a cristãos
HAVANA - Fazia quase mil anos que as igrejas Católica e Ortodoxa Russa estavam separadas. Mas, de forma bastante afetuosa, os líderes das duas vertentes do cristianismo, o Papa Francisco e o patriarca Kirill, respectivamente, trocaram históricos abraços e beijos no aeroporto de Havana, logo após o desembarque do Sumo Pontífice.
No encontro de ontem, os dois dirigentes emitiram uma declaração conjunta pedindo o restabelecimento da unidade no cristianismo e uma ação imediata da comunidade internacional para proteger cristãos da brutal perseguição, inclusive genocídios, que sofrem no Oriente Médio e no Norte da África.
Eles condenaram a violência que tem custado milhares de vidas no Iraque e na Síria, deixando sem lar e meios de vida milhões de pessoas. Com cerca de 1,1 bilhão de católicos romanos e 150 milhões de ortodoxos russos — de um total de 300 milhões de ortodoxos — ambos os líderes tentam usar da grande influência política que detêm para conseguir a estabilidade nestas regiões.
Finalmente! Somos irmãos’
Finalmente! — exclamou Francisco em direção a Kirill no momento em que ambos adentravam um salão no Aeroporto de Havana, cada um vindo de uma porta em lados opostos. — Nós somos irmãos.
O Papa, vestindo traje e solidéu brancos, entrelaçou os braços com Kirill, que usava um chapéu branco, alto, abobadado, com uma cruz ortodoxa dourada no topo e do qual pendiam estolas sobre as vestes negras — em seguida, beijaram-se nas duas bochechas.
Está muito claro que esta é a vontade de Deus — ressaltou Francisco.
Prontamente, o patriarca ortodoxo respondeu ao Pontífice, ambos auxiliados pelos intérpretes:
Sim, as coisas estão muito mais fáceis agora.
As duas vertentes religiosas estavam separadas desde 1054, quando o Grande Cisma dividiu os ramos ocidental e oriental do cristianismo. Enfim reunidos, o Papa e o patriarca discutiram, por cerca de duas horas, outros problemas comuns, como o racha e as disputas territoriais entre as duas igrejas após a queda da União Soviética. Acusada durante décadas de proselitismo por parte dos ortodoxos russos, a Igreja Católica tenta superar a desconfiança e evita condenar a política intervencionista do presidente russo, Vladimir Putin, na Ucrânia, gesto apreciado pela Igreja Ortodoxa, ainda que criticado pelos católicos ucranianos de rito grego, que apoiam o governo de Kiev.
Lamentamos a perda da unidade. Conscientes dos muitos obstáculos a superar, esperamos que nosso encontro contribua para a obtenção da unidade enviada por Deus”, afirmaram Francisco e Kirill na declaração de 30 tópicos, que assinaram na presença do presidente cubano, o ateu Raúl Castro, anfitrião e facilitador do encontro. Eles ressaltaram que “famílias inteiras, aldeias e cidades” de maioria cristã do Oriente Médio e Norte da África estão sendo “completamente exterminadas”. “Erguendo nossas vozes em defesa dos cristãos perseguidos, também nos solidarizamos com sofrimentos de seguidores de outras tradições religiosas, que se tornaram vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista.”
A reunião dos dois clérigos, que surpreenderam ao anunciar o encontro em cima da hora, na semana passada, foi alcançada após negociações feitas em sigilo. E deve abrir caminho para uma visita do Papa a Moscou e do patriarca ao Vaticano. Além disso, através do líder ortodoxo, Moscou volta a estender sua influência no Ocidente, num momento em que a Rússia se encontra isolada.
Há um terceiro protagonista, o presidente Putin”, escreveu, em seu blog, o vaticanista Marco Politi, ao recordar que Francisco recebeu, no ano passado, o líder russo por duas vezes no Vaticano. “Seria uma ingenuidade pensar que a repentina disponibilidade do patriarca não está relacionada com o papel da Rússia neste momento geopolítico”, acrescentou Politi.
A escala histórica em Cuba foi apenas o começo da viagem para ambos os religiosos. Francisco segue para o México, onde vai percorrer seis cidades, incluindo a perigosa Ciudad Juárez, e deve discursar contra a pobreza e a desigualdade. Também está previsto um encontro com os pais dos 43 estudantes desaparecidos no estado de Guerrero em 2014, bem como com o presidente Enrique Peña Nieto. O Pontífice celebrará uma missa na fronteira com os EUA — o que motivou críticas de Donald Trump, o mais bem colocado candidato republicano na corrida à Casa Branca, para quem “o Papa é muito político”. Já o patriarca Kirill, vai visitar, nos próximos 11 dias, países da região, entre eles o Brasil e o Paraguai.
Falamos claramente, sem meias palavras — disse brevemente Francisco a jornalistas, ao final da reunião.
Por sua vez, o líder religioso russo destacou que “as duas igrejas podem cooperar protegendo aos cristãos em todo o mundo”. Na despedida, assim como no começo do histórico encontro, Francisco e Kirill trocaram novamente abraços e beijos.
As diferenças conceituais
Deus e a Virgem Maria
Católicos romanos: Deus trinitário, com o Espírito Santo procedendo do Pai e do Filho. A Virgem Maria teria sido concebida sem pecado original e foi redentora junto a Cristo, antes de ser elevada corporalmente ao Céu
Ortodoxos: Creem num Deus trinitário, no qual o Espírito Santo só vem do Pai. Não acreditam em privilégios à Virgem Maria em sua concepção, nem que ela tenha sido elevada ao Céu após sua morte
Purgatório e pecado
Católicos romanos: Creem no Purgatório, aonde vão as almas que precisam ser purificadas. Por causa de Adão e Eva, todos os seres humanos chegam ao mundo com o pecado original. Celibato obrigatório para o clero
Ortodoxos: Negam a existência do Purgatório, achando insuficientes as provas dos católicos. Não creem no pecado original, apesar da inclinação do homem ao mal. O celibato só é obrigatório ao alto clero
Imagens e o crucifixo
Católicos romanos: Imagens e estátuas são permitidas nos templos católicos. Seu crucifixo tem um eixo horizontal e um vertical, maior em função da representação de como Jesus morreu
Ortodoxos: As imagens são permitidas nos templos, mas as estátuas, não. Seu crucifixo tem duas travessas a mais que o católico. Uma delas, inclinada, representa os cravos nos pés de Jesus na cruz
Hierarquia e seguidores
Católicos romanos: A autoridade máxima é o Papa, que lidera a Igreja de Roma e é considerado infalível nas questões doutrinárias. Tem cerca de 1,1 bilhão de seguidores, sendo a maior seita cristã no mundo
Ortodoxos: A autoridade máxima são os patriarcas, sejam de Rússia, Grécia ou Jerusalém. O de Constantinopla é o primeiro entre os pares. Tem 300 milhões de seguidores. Metade é de ortodoxos russos
Templos e liturgia
Católicos romanos: As igrejas têm bancos que permitem a visibilidade do altar de qualquer ponto. Seus fiéis têm acesso a ele para comungar. Desde as últimas décadas, as missas não costumam passar de uma hora
Ortodoxos: Os templos ortodoxos não costumam ter bancos. Uma área reservada do santuário só pode ser acessada pelo sacerdote. Suas missas são solenes e podem durar horas — até uma noite inteira.
Havana, neutra e sigilosa
Causa estranheza a escolha de Cuba como cenário para o encontro histórico entre o Papa Francisco e o patriarca Kirill, primado da Igreja Ortodoxa Russa. Mil anos tiveram que se passar do Cisma que separou católicos e ortodoxos para que os líderes de ambas igrejas aceitassem se reunir. E, obviamente, a pergunta que se faz hoje meio mundo é: por que Havana?
Dizia o Prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez que não há melhor lugar no mundo do que Cuba se alguém quer se reunir em segredo para conspirar, ou negociar discretamente o problema mais insolúvel. “Difícil vazar algo, e o que se atrever, já sabe”, brincava Gabo.
Ao proverbial controle cubano — bem resumido no dito popular de que “aqui só se sabe o que se quer que se saiba”— soma-se a condição de “território neutro” de Havana. No caso de negociações duras ou com marcadas tintas ideológicas, como entre as Farc e o governo colombiano, está clara a segurança que Cuba pode oferecer a ambas as partes.
O patriarca Kirill foi quem consagrou a Catedral Ortodoxa de Nossa Senhora de Kazan, em Havana, em 2008, quando era arcebispo de Smolensk e Kaliningrado. A primeira vez que viajou à ilha foi em 1994, quando as relações entre Fidel Castro e a Igreja Católica eram especialmente tensas. O líder cubano permitiu a visita do patriarca, cujo objetivo era revitalizar a pequena comunidade ortodoxa russa na ilha após o desaparecimento da União Soviética. Posteriormente, Castro autorizou a construção da catedral, enquanto impedia a Igreja Católica de construir novos templos.
Esta boa relação, somada à condição de Havana como aliada do governo russo, fazem da ilha um bom lugar para a celebração do encontro com o Papa, que também tem uma sintonia muito especial com Raúl Castro. Se Francisco serviu de mediador com os Estados Unidos para ajudar na normalização das relações entre Havana e Washington, agora Cuba aparece como um anfitrião confiável, discreto e seguro para dois líderes espirituais que estão simplesmente há um milênio sem se dirigir a palavra.
O sistema imunológico dos humanos modernos (Homo sapiens) deve muito de sua eficiência atual aos neandertais e denisovans, espécies humanas arcaicas com quem dividimos o planeta durante dezenas de milhares de anos. Dois estudos independentes publicados esta semana no periódico científico “American Journal of Human Genetics” tomaram caminhos diferentes para chegar à mesma conclusão: variações genéticas herdadas das duas espécies aumentaram a capacidade, entre as pessoas que as carregam hoje, de lutar contra infecções. Esta “herança bendita”, porém, também tem um custo, já que esses mesmos genes podem ter deixado o organismo mais propenso a alergias, caracterizadas por uma reação exagerada do sistema imunológico.
Segundo os pesquisadores, o cruzamento entre os humanos modernos e os neandertais e denisovans teve forte influência, na diversidade do genoma das populações atuais, em três genes responsáveis pela codificação de proteínas fundamentais para o funcionamento do chamado sistema imunológico inato. Nossa primeira linha de defesa, este sistema tem atuação mais rápida, embora inespecífica. Isto é, atua contra qualquer tipo de micro-organismo ou substância invasora.
REFORÇO EM TRÊS GENES
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Os três genes que ganharam reforço dos humanos arcaicos, batizados TLR1, TLR6 e TLR10, regulam a produção de proteínas que atuam na superfície das células, onde detectam componentes de bactérias, fungos e parasitas. Com isso, eles estimulam respostas inflamatórias e antimicrobianas e ativam nosso sistema imunológico adaptativo, o que “aprende” a lutar contra micro-organismos específicos e “lembra” dos invasores com os quais já tivemos contato. Justamente por isso, o sistema adaptativo é a base da eficácia de estratégias de defesa como as vacinas.
— Estes e outros genes da imunidade inata apresentam níveis mais altos de ancestralidade neandertal do que o resto do genoma codificante (a parte de nosso DNA que governa a produção de proteínas e outros compostos essenciais à vida) — explica Lluis Quintana-Murci, pesquisador do Instituto Pasteur em Paris, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) da França e principal autor de um dos estudos. — Isso destaca o quão importantes os eventos de introgressão (trocas de genes entre espécies) podem ter sido para a evolução do sistema imunológico inato dos humanos modernos.
Vários estudos anteriores publicados nos últimos anos já mostraram que entre 1% e 6% do genoma de populações humanas modernas fora da África Subsaariana vieram de espécies arcaicas como os neandertais e os denisovans. Diante disso, Quintana-Murci e seus colegas decidiram investigar como isso poderia ter influenciado a evolução do nosso sistema imunológico inato. A partir da grande quantidade de dados disponíveis sobre pessoas atuais compilada pelo Projeto 1.000 Genomas e do sequenciamento genético de humanos arcaicos, eles se focaram em 1,5 mil genes que se sabe estarem envolvidos com essa estrutura de defesa.
Numa análise detalhada e sem precedentes dos padrões de variação genética desses genes e das mudanças evolutivas nas regiões onde eles estão, os pesquisadores, comparando esses dados com o resto do genoma humano, estimaram quando estas alterações ocorreram. Da mesma forma, os cientistas identificaram o quanto desta variação é devida aos genes herdados dos neandertais.
A pesquisa também mostrou que muitos desses genes pouco mudaram durante longos períodos de tempo, num sinal de que sua funcionalidade foi mantida. Já outros genes ligados ao sistema inato sofreram alterações seletivas rápidas, em que uma nova variante surgia e logo ganhava predominância, possivelmente devido a mudanças no ambiente ou como resultado de uma epidemia. Desta forma, muitas das adaptações nesses outros genes ocorreram nos últimos 13 mil a 6 mil anos, à medida que as populações humanas deixaram de ser caçadoras-coletoras e se organizaram em grupos para se dedicar à agricultura.
— Mas nossa maior surpresa foi ver que o agrupamento dos TLR 1, 6 e 10 está entre os genes com maior ancestralidade neandertal tanto entre os europeus quanto entre os asiáticos — destaca Quintana-Murci.
OUTRO ESTUDO REFORÇA CONCLUSÃO
Já o grupo de cientistas liderado por Janet Kelso, do Instituto Max Planck para Antropologia Evolucionária em Leipzig, na Alemanha, queria saber qual a importância funcional dos genes arcaicos nos humanos atuais de uma forma mais ampla. Eles analisaram o genoma de pessoas de hoje em busca de regiões que tivessem alta similaridade com o genoma dos neandertais e denisovans, além de sua prevalência em populações modernas espalhadas pelo planeta. A investigação os levou justamente aos mesmos três genes TLR.
Segundo a pesquisa de Janet e equipe, duas das variantes nesses genes são mais similares ao genoma dos neandertais, enquanto a terceira apresenta semelhança com o dos denisovans. O estudo indica que estas variantes ofereciam uma vantagem seletiva por estarem associadas a mais atividade do sistema imune inato, com uma reação maior a patógenos (agentes causadores de doenças). Assim, embora esta maior sensibilidade possa aumentar a proteção contra infecções, também pode elevar a vulnerabilidade a alergias.
— O que emergiu de nosso estudo, assim como do outro trabalho, é que a miscigenação com humanos arcaicos teve implicações funcionais no homem moderno. Sua consequência mais óbvia foi moldar nossa adaptação ao ambiente pela melhoria de resistência a patógenos e da metabolização de novos alimentos — esclarece Janet, para quem a ideia faz muito sentido. — Os neandertais viviam na Europa e no Oeste da Ásia cerca de 200 mil anos antes da chegada dos humanos modernos. Provavelmente já estavam adaptados ao clima, alimentos e patógenos locais. Ao nos misturarmos com eles, ganhamos adaptações vantajosas.
DNA dos neandertais pode levar a doenças no homem moderno
Ainda há neandertais dentro do homem moderno. De 1 a 4% do DNA de pessoas de ascendência euroasiática foi herdadode nossos ancestrais. O que não se sabia era como este percentual pode ter influenciado características físicas e o comportamento do homem moderno. A resposta vem em um estudo da Universidade de Vanderbilt (EUA) publicado hoje na revista “Science”. O legado genético está relacionado à exposição a diversos tipos de doença, especialmente epidérmicas, e ao risco de desenvolvimento de depressão e dependência de nicotina.
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Após analisar amostras biológicas de 28 mil pacientes, a equipe de John Capra, professor de Ciencias Biológicas da universidade, observou que o DNA neandertal afeta a biologia da pele do homem moderno, particularmente o risco e desenvolver lesões de pele induzidas pelo Sol, as queratoses.
Há, também, uma associação entre o DNA neandertal e uma vasta gama de características, incluindo doenças imunológicas, neurológicas, psiquiátricas e reprodutivas — explica John Capra, autor principal do estudo.
De acordo com o estudo, um trecho específico do DNA neandertalense pode aumentar significativamente o risco de dependência de nicotina. E um número de variantes está ligado ao risco para desenvolvimento de depressão: alguns positivamente e outros negativamente.
De fato, um número surpreendente de trechos do código genético neandertalense estão ligados a efeitos psiquiátricos e neurológicos.
— O cérebro é incrivelmente complexo, por isso é razoável esperar que a introdução de alterações durante a evolução tenha algumas consequências negativas — explica Corinne Simonti, coautora do estudo.
Segundo os pesquisadores, o DNA neandertalense mantido pela população atual pode ter fornecido vantagens adaptativas ao homem moderno há 40 mil anos, quando ele migrou para ambientes não-africanos, onde estava sujeitos a diferentes patógenos e a outros níveis de exposição ao Sol. No entanto, muitos desses traços podem não ser mais vantajoso em ambientes modernos.
Um exemplo é uma variante neandertalense que aumenta a coagulação do sangue. Ela poder ter contribuído para os nossos antepassados lidarem com patógenos encontrados em ambientes ainda desconhecidos, prevenindo sua entrada no corpo e selando as feridas mais rapidamente. Em ambientes modernos, no entanto, esta variante tornou-se prejudicial, porque a hipercoagulabilidade aumenta o risco de acidente vascular cerebral, embolia pulmonar e complicações na gravidez.
De acordo com Capra, a pesquisa estabelece uma nova forma de investigar questões sobre os efeitos de eventos nos últimos estágios da evolução humana.
O estudo foi limitado à comparação de variantes do DNA neandertal com características físicas (fenótipos). Outras informações presentes em registros médicos ainda serão analisadas, como testes e imagens de laboratório.
Paracetamol na gravidez aumenta risco de bebê ter asma
Pesquisadores europeus encontraram evidências de que a asma pode ser, boa parte das vezes, causada pela exposição de mulheres grávidas ao paracetamol. Os resultados foram publicados nesta quarta-feira, dia 10, no periódico científico “International Journal of Epidemiology”.
— Descobrir os potenciais efeitos adversos (do paracetamol) é questão de saúde pública, já que ele é o analgésico mais comumente usado entre gestantes e crianças — assinalou a coautora do estudo, Maria Magnus, da Divisão de Saúde Mental e Física do Instituto Norueguês de Saúde Pública, em Oslo, capital da Noruega.
Participaram da pesquisa cientistas das Universidades de Oslo e de Bristol, na Inglaterra. Eles analisaram dados do Estudo Norueguês Cohort da Mãe e da Criança e compararam associações entre o desenvolvimento de asma e o período de gestação de 114.500 crianças — com e sem o uso de paracetamol. Eles examinaram a ocorrência da asma estritamente aos 3 e 7 anos, avaliando a probabilidade de isso ser resultado de um dos três gatilhos mais comuns para o uso de paracetamol na gravidez: dor, febre e gripe.
Os resultados mostraram que 5,7% das crianças tinham asma aos 3 anos, e 5,1% tinham asma aos 7. A pesquisa encontrou uma ligação consistente entre as crianças que têm asma aos 3 anos e que tenham sido expostas ao paracetamol durante a gravidez. A associação mais forte foi observada se, durante a gravidez, a mãe utilizou paracetamol por causa de mais de uma queixa diferente. No entanto, os autores do estudo fazem questão de frisar que as novas conclusões não implicam, automaticamente, quaisquer mudanças nas recomendações sobre o uso de paracetamol entre as mulheres grávidas.
O estudo, o maior de seu tipo, contraria pesquisas anteriores, uma vez que não encontrou nenhuma evidência forte para uma associação entre asma infantil e o uso de paracetamol pela mãe depois do nascimento da criança ou o uso de paracetamol pelo pai. Isso significa que a doença não pode ser causada por características ou comportamentos de saúde partilhados pelos pais.
EUA e Cuba assinarão acordo para retomada de voos comerciais
WASHINGTON/HAVANA - Autoridades americanas viajam para Havana na próxima semana para assinar um pacto de aviação que vai restaurar voos comerciais programados entre EUA e Cuba pela primeira vez em mais de 50 anos, disse o Departamento de Transportes nesta sexta-feira. Isto abrirá caminho para até 20 voos diários entre os recém reaproximados países.
O acordo será efetivado em 16 de dezembro. As companhias aéreas americanas ainda precisarão solicitar autorização dos órgãos reguladores de seu país para operar rotas específicas antes de venderem passagens para Cuba.
Segundo a Bloomberg, empresas como American, Southwest and United estão propondo novas rotas. Um dos novos destinos buscados é Miami, historicamente um reduto de imigrantes cubanos que deixaram o país durante os governos de Fidel e Raúl Castro.
Apesar de já haver voos charter entre os países, o acordo deve aumentar o turismo e negócios na ilha.
— O acordo reforça a meta do presidente Barack Obama de construir relações com Cuba. É um avanço muito positivo — disse Thomas Engle, do Departamento de Estado.
O turismo em Havana tem crescido desde o degelo com os EUA. Recentemente, os Rolling Stones anunciaram um show para a capital cubana.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Papa Francisco e Patriarca Kirill reconciliam as duas Igrejas após um milênio de divisão
O Papa Francisco chega nesta sexta-feira (12) a Havana, em Cuba, para um encontro histórico com o líder da Igreja Ortodoxa Russa, o patriarca Kirill, antes de iniciar sua viagem ao México.
Francisco partiu de Roma às 07h45 no horário local e deve desembarcar no aeroporto José Martí às 14h00, no horário de Havana (17h no horário de Brasília), onde se dará a primeira reunião entre os líderes das duas Igrejas após uma ruptura de quase um milênio: o cisma de 1054 separou Ocidente e Oriente em duas civilizações opostas, salpicadas por um oceano de discrepâncias e uma visão de mundo que durante séculos pareciam irreconciliáveis
O líder da Igreja Católica será recebido pelo presidente cubano, Raul Castro, que mediou a organização da histórica reunião em seu país. O presidente cubano recebeu Kirill na quinta-feira (11), no aeroporto.
"Os povos da Rússia e de Cuba estão unidos por
muitos anos de relações de cooperação e amizade", disse Kirill em um
breve comentário aos jornalistas presentes na sua chegada. "E eu terei
aqui uma oportunidade, conversando com as pessoas, de transmitir os bons
votos do povo russo", acrescentou o patriarca
Kirill planeja visitar a comunidade ortodoxa na ilha caribenha e, depois
de se reunir oficialmente com o presidente cubano, visitará uma escola
de crianças com deficiência e assistirá a um concerto de música, de
acordo com uma nota do Ministério das Relações Exteriores de Cuba.
Além disso, ele também colocará uma coroa de flores diante da estátua do
soldado soviético desconhecido, em homenagem aos mortos na II Guerra
Mundial, e celebrará uma liturgia na Catedral Ortodoxa Russa em Havana.
A situação mundial de crises e conflitos tornou urgente a reunião dos líderes das duas Igrejas mais importantes do mundo cristão. Além disso, existe uma preocupação comum a respeito das comunidades cristãs no Oriente Médio e no norte e centro da África, alvos de perseguição e genocídio. Inclusive, este será um dos temas abordados no encontro.
"A Santa Sé e o Patriarcado de Moscou esperam que [o encontro]também seja um sinal de esperança para todas as pessoas de boa fé. Eles convidam todos os cristãos a orar fervorosamente para que Deus abençoe este encontro, que dê bons resultados", disse Raul Castro à imprensa local.
Medvedev: 'o terrorismo se tornou globalizado
O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, às vésperas da Conferência de Segurança em Munique, concedeu uma entrevista o jornal alemão Handelsblatt, e abordou temas como a ameaça do terrorismo à segurança internacional e na crise de confiança que existe entre Rússia e Europa.
Ao
ser perguntado sobre os riscos da atual crise de segurança no mundo,
Medvedev observou que um dos maiores desafios da comunidade
internacional é a globalização dos métodos terroristas. “Agora,
infelizmente, aplica-se (o terrorismo) a toda Europa. Este é
provavelmente o principal problema. Hoje é impossível sentir-se
tranquilo em qualquer país do mundo”, comentou.
Ao ser questionado sobre o fato de que a Europa estaria em uma crise
de confiança em relação a Rússia após a eclosão da crise ucraniana, o
primeiro-ministro concordou que há uma crise de confiança, lembrando que
na crise econômica de 2008-2009 também houve crise de confiança entre
as partes. Segundo ele, estre problema só pode ser superado através da
manutenção dos contatos.
“Isto é, infelizmente, estamos agora em um caminho ruim. Mas uma parte importante deste caminho nossos parceiros europeus é que devem percorrer, principalmente a liderança dos países da União Europeia(…) os líderes dos países europeus, não as empresas (as empresas qurem comercializar e investir – isso está entendido), devem definir se vão restaurar as relações com a Rússia ou não”, destacou o primeiro-ministro.
“Em alguns países, hoje em dia, os terroristas
se enxergam como o poder legítimo e dirigem o país utilizando métodos
terroristas", declarou Medvedev.
"Não gostamos — cortamos a cabeça; não gostamos — cortamos em pedaços. E
para quê? Seja em nome de algum dogma religioso, seja simplesmente
porque ‘nós achamos que assim é certo’. Aqui se encontra a principal
ameaça que, devo admitir, a humanidade de hoje não conseguiu lidar”,
afirmou o primeiro-ministro ao jornal alemão.
“Isto é, infelizmente, estamos agora em um caminho ruim. Mas uma parte importante deste caminho nossos parceiros europeus é que devem percorrer, principalmente a liderança dos países da União Europeia(…) os líderes dos países europeus, não as empresas (as empresas qurem comercializar e investir – isso está entendido), devem definir se vão restaurar as relações com a Rússia ou não”, destacou o primeiro-ministro.
A seguir à Grécia, ministro português também cede ao Eurogrupo
Acaba de terminar em Bruxelas a reunião dos ministros das Finanças da zona do euro, que avaliou, entre outros temas, as linhas gerais do Orçamento proposto pelo novo governo socialista português.
O
tom do ministro português Mário Centeno à saída da reunião foi, não
obstante as declarações em linguagem muito técnica, de submissão às
exigências das regras econômicas europeias.
"Portugal está muito comprometido em manter uma trajetória de consolidação orçamental no cumprimento daquilo que são as suas obrigações no âmbito europeu.", disse o ministro à saída da reunião em declarações ao canal SIC.
Na coletiva de imprensa no fim da reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, o presidente deste organismo, Jeroen Dijsselbloem, referiu que os ministros das Finanças da zona do euro saudaram o compromisso das "autoridades portuguesas de prepararem medidas adicionais para garantir que o Orçamento de Estado 2016 irá cumprir o Pacto de Estabilidade e Crescimento".
O ministro português declarou há poucos minutos em Bruxelas:
Antes desta reunião do Eurogrupo, já tinha havido uma negociação do
governo português com a Comissão Europeia. Houve conversações durante
vários dias (semelhantes às efetuadas com a Grécia) e, por fim,
chegou-se a um acordo de compromisso, o que levou a recuos do governo
português relativamente a algumas políticas que estavam no seu programa
eleitoral e que não será possível concretizar.
O primeiro-ministro admite que cedeu às pressões da Comissão Europeia para poder permanecer na zona do euro.
Desta forma, a política económica socialista, voltada para aliviar a anterior "austeridade", repor os cortes nos salários e pensões feitos pelo anterior governo, já não vai ser levada à prática tal como foi anunciada no programa eleitoral do PS.
Mais do que isso: estas cedências, ao que foi dito hoje na reunião do Eurogrupo, não serão as últimas.
O que significam então em linguagem mais simples as "medidas adicionais" indicadas acima? Significam que, se o governo português quiser levar a cabo uma política mais de esquerda, favorável à população mais carenciada (e, provavelmente, aumentar a despesa), terá a Comissão Europeia, trimestralmente a "corrigir" tais opções, a exigir mais cortes ou mais impostos.
Coincidência ou não, esta quinta-feira foi dia de nova queda na bolsa de Lisboa. O PSI 20 desvalorizou 4,47%. Os juros da dívida pública portuguesa subiram hoje exponencialmente, já ultrapassando os 4,5%.
Talvez por isso mesmo, Mário Centeno quis acalmar os mercados à saída da reunião do Eurogrupo:
As conversações com a Comissão Europeia levaram o deputado Paulo Sá,
do Partido Comunista (partido que concedeu apoio parlamentar ao atual
governo) a reclamar:
"Dizemos não à chantagem, às pressões e às ingerências grosseiras de Bruxelas que impediram mais medidas de caráter positivo", afirmou o deputado durante a audição do ministro das Finanças no Parlamento.
No fundo, o governo de Lisboa, para respeitar o referido Pacto de Estabilidade e Crescimento, não terá uma política autónoma. Esta será sempre alvo de "acompanhamento" e "monitorização" por parte de Bruxelas.
"Portugal está muito comprometido em manter uma trajetória de consolidação orçamental no cumprimento daquilo que são as suas obrigações no âmbito europeu.", disse o ministro à saída da reunião em declarações ao canal SIC.
Na coletiva de imprensa no fim da reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, o presidente deste organismo, Jeroen Dijsselbloem, referiu que os ministros das Finanças da zona do euro saudaram o compromisso das "autoridades portuguesas de prepararem medidas adicionais para garantir que o Orçamento de Estado 2016 irá cumprir o Pacto de Estabilidade e Crescimento".
O ministro português declarou há poucos minutos em Bruxelas:
"Em linha com a opinião da Comissão Europeia,
aquilo que o Eurogrupo pede ao Governo português é para estar preparado
para adotar novas medidas quando elas forem necessárias <…> O
governo tem que estar preparado e tem que preparar essas medidas".
O primeiro-ministro, António Costa, confessa
que gostava mais da versão inicial do Orçamento de Estado, mas teve que
alterar o documento porque prefere que Portugal continue na zona do
euro.
Primeiro-ministro
de Portugal, António Costa, durante a assinatura de um acordo com a
transportadora aérea TAP, em 6 de fevereiro de 2016
Desta forma, a política económica socialista, voltada para aliviar a anterior "austeridade", repor os cortes nos salários e pensões feitos pelo anterior governo, já não vai ser levada à prática tal como foi anunciada no programa eleitoral do PS.
Mais do que isso: estas cedências, ao que foi dito hoje na reunião do Eurogrupo, não serão as últimas.
O que significam então em linguagem mais simples as "medidas adicionais" indicadas acima? Significam que, se o governo português quiser levar a cabo uma política mais de esquerda, favorável à população mais carenciada (e, provavelmente, aumentar a despesa), terá a Comissão Europeia, trimestralmente a "corrigir" tais opções, a exigir mais cortes ou mais impostos.
Coincidência ou não, esta quinta-feira foi dia de nova queda na bolsa de Lisboa. O PSI 20 desvalorizou 4,47%. Os juros da dívida pública portuguesa subiram hoje exponencialmente, já ultrapassando os 4,5%.
Talvez por isso mesmo, Mário Centeno quis acalmar os mercados à saída da reunião do Eurogrupo:
"Os ministros partilharam a necessidade de
comunicar ao mercado todos estes compromissos, todos estes princípios de
ação, que fazem deste governo um governo que pretende melhorar o
processo de reformas estruturais", disse, citado pelo canal de TV SIC.
"Dizemos não à chantagem, às pressões e às ingerências grosseiras de Bruxelas que impediram mais medidas de caráter positivo", afirmou o deputado durante a audição do ministro das Finanças no Parlamento.
No fundo, o governo de Lisboa, para respeitar o referido Pacto de Estabilidade e Crescimento, não terá uma política autónoma. Esta será sempre alvo de "acompanhamento" e "monitorização" por parte de Bruxelas.
Pentágono convoca monarquias do Golfo para guerra na Síria
Os Estados Unidos esperam que os Estados do Golfo Pérsico contribuam mais e intensifiquem a campanha militar contra o Daesh, declarou o secretário de Defesa dos EUA, Ashton Carter, nesta quinta-feira.
"A Arábia Saudita e seus parceiros regionais têm uma função clara nessa luta, e eu espero que os seus vizinhos no Golfo intensifiquem a sua campanha contra o Daesh nos próximos dias".
De acordo com o secretário norte-americano, vários membros da coalizão internacional antiterrorista já expressaram o desejo de contribuir mais para a campanha militar, com destaque para os países do Golfo.Recentemente, Arábia Saudita e outros países da região disseram estar prontos para enviar tropas à Síria desde que a ação seja liderada pelos Estados Unidos. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Mark Toner, Washington está discutindo diretamente com Riad a melhor forma de realizar uma operação terrestre na Síria.
Medvedev adverte que invasão à Síria pode provocar guerra mundial
O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, declarou nesta quinta-feira, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, que uma ofensiva terrestre estrangeira na Síria poderá significar o início de uma nova guerra mundial.
As ofensivas terrestres fazem geralmente com que uma guerra se torne permanente", advertiu o premier russo, acrescentando que "todas as partes devem ser forçadas a se sentar à mesa de negociações, ao invés de desencadear uma nova guerra no mundo".
"Os americanos e os parceiros árabes devem refletir muito bem: eles querem uma guerra permanente? Pensam eles que poderiam ganhar rapidamente uma guerra como essa? Qualquer coisa nessa ordem é impossível, principalmente no mundo árabe".A Arábia Saudita defendeu recentemente o lançamento de uma ofensiva terrestre na Síria, liderada pelos Estados Unidos, para supostamente combater os terroristas do Daesh. A ideia foi bem recebida por Washington, que confirmou estar em negociações com Riad sobre o assunto. Outros países, principalmente do Golfo Pérsico, também já estariam prontos para participar da operação.
Síria terá uma semana para negociar o encerramento dos combates
O encontro do grupo internacional de assistência à Síria em Munique, realizado nesta quinta-feira, resultou em acordo sobre a necessidade de entrega de cargas humanitárias para o país no prazo de uma semana, bem como de determinar as possibilidades de cessar-fogo na república árabe
O encontro do grupo internacional de assistência à Síria na capital da Bavária durou muitas horas. No final da reunião, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o enviado especial da ONU na Síria, Stefan de Mistura, realizaram coletiva de imprensa. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, conversou com jornalistas em separado. O mais breve possível, dois grupos de trabalho iniciarão suas atividades: um será dedicado às questões de cessar-fogo, e outro aos assuntos humanitários.
Steinmeier informou que o encontro em Munique resultou em um acordo sobre início imediato dos esforços voltados para reduzir a violência na Síria e que, em uma semana, os combates devem ser encerrados. “Quando falamos no fim de combates, entendemos os combates entre o regime, de um lado, e partes da oposição, por outro”, destacou a autoridade alemã.O ministro frisou que Daesh e Frente al-Nusra não serão contempladas por esta pausa, pois não deve ser dada a estes grupos a possibilidade de aumentar a sua influência na Síria.
Sergei Lavrov informou que os países do grupo de assistência à Síria concordaram em, no prazo de uma semana, preparar um estudo de modos para cessar-fogo na república árabe. “Neste tempo, o governo da Síria e os grupos de oposição poderão tomar medidas necessárias para se preparar o fim dos combates. Os modos [de cessar-fogo] serão preparados por um grupo de trabalho, sob a supervisão da Rússia e dos EUA”, disse ele.
Após a reunião em Munique, Lavrov manifestou a necessidade de aprimorar os contatos entre os militares russos e norte-americanos na Síria. Segundo o ministro, o documento conjunto da reunião contempla, pela primeira vez, a coordenação militar na Síria, o que é muito bem vindo pela Rússia.
“Devo destacar que, pela primeira vez durante o nosso trabalho conjunto, o documento aprovado hoje determina a necessidade de cooperação e coordenação não só em assuntos políticos e humanitários, mas também na dimensão militar da crise síria. É uma mudança qualitativa de abordagem que nós saudamos. Sempre defendemos isso”, comemorou Lavrov.
O ministro russo destacou que, apesar dos planos de cessar os combates, a Rússia, bem como a coalizão liderada pelos EUA, seguirão combatendo os grupos terroristas Daesh e Frente al-Nusra na Síria.
Daesh usou armas químicas e pode produzir gás mostarda, diz CIA
Os jihadistas do Daesh usaram armas químicas na Síria e no Iraque, disse o diretor da CIA (Agência Central de Investigações dos EUA), John Brennan.
“Temos
um número de instâncias onde o ISIL [uma das siglas do grupo terrorista
Daesh] usou munições químicas no campo de batalha”, disse Brennan em
uma entrevista à CBS News.
Ele acrescentou que o grupo terrorista possui capacidades de produzir
pequenos volumes de gás mostarda e gás cloro e pode estar os exportando
aos países ocidentais.O chefe da CIA assegurou que a inteligência está ativamente engajada na busca de armas químicas ou laboratórios que produzem tais substâncias na Síria e no Iraque.
Na terça-feira (9) o diretor da Inteligência Nacional dos EUA, James Clapper, manifestou que uma investigação sobre o suposto ataque do Daesh na Síria em agosto revelou que pelo menos duas pessoas foram expostas ao gás mostarda.
O grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e reconhecido como terrorista pelo Brasil) autoproclamou-se "califado mundial" em 29 de junho de 2014, tornando-se imediatamente uma ameaça explícita à comunidade internacional e sendo reconhecido como a ameaça principal por vários países e organismos internacionais.
Porém, o grupo terrorista tem suas origens ainda em 1999, quando um jihadista de tendência salafita, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, fundou o grupo Jamaat al-Tawhid wal-Jihad. Depois da invasão norte-americana no Iraque em 2003, esta organização começou a fortalecer-se, até transformar-se, em 2006, no Estado Islâmico do Iraque.
A ameaça representada por esta entidade foi reconhecida pelos serviços secretos dos EUA ainda naquela altura, mas reconhecida secretamente, e nada foi feito para contê-la. Como resultado, surgiu em 2013 o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que agora abrange territórios no Iraque e na Síria, mantendo a instabilidade e fomentando conflitos
Coreia do Sul ‘ignorará opinião da Rússia e China’ instalando defesa antimíssil dos EUA
A Coreia do Sul irá partir dos seus interesses quando escolher o local para instalar o sistema de defesa antimíssil norte-americano mais moderno THAAD ignorando as reações da Rússia e da China, informou a agência noticiosa Yonhap citando um oficial não identificado do Ministério da Defesa do país.
“Tomar
em consideração a opinião dos países vizinhos escolhendo o local para
instalar o THAAD não é a maneira militar”, disse o militar. Segundo ele,
as autoridades do país terão em conta “a eficiência militar”, a
segurança dos residentes do país e a influência sobre o ambiente.
Na semana próxima os EUA e a Coreia do Sul iniciam negociações sobre a
instalação no sul do país do sistema de defesa antimíssil THAAD
(Terminal High Altitude Area Defense System) destinado a interceptar
mísseis à grande altitude fora da atmosfera.
Mais antes a China e a Rússia expressaram a sua preocupação sobre estes planos.
O oficial militar sul-coreano afirmou que o sistema que deve ser instalado no país será destinado somente contra a Coreia do Norte devido ao seu programa nuclear e de mísseis e não fará parte do sistema regional de defesa antimíssil norte-americano.
Não será usado para interceptar mísseis balísticos intercontinentais ou proteger o território dos EUA ou mais algum país.
Mais antes o Ministério da Defesa sul-coreano afirmou que o THAAD
será usado para interceptar mísseis norte-coreanos de alcance curto e
médio. Segundo a Yonhap, os EUA e a Coreia do Sul pretendem instalar o
sistema o mais breve possível.
O oficial militar sul-coreano afirmou que o sistema que deve ser instalado no país será destinado somente contra a Coreia do Norte devido ao seu programa nuclear e de mísseis e não fará parte do sistema regional de defesa antimíssil norte-americano.
Não será usado para interceptar mísseis balísticos intercontinentais ou proteger o território dos EUA ou mais algum país.
“Não é obrigatoriamente que a Coreia do Sul se
junta ao sistema de defesa antimíssil americano”, disse a Yonhap citando
o militar.
Exército sírio e aviões russos destroem militantes na província de Hama
Um monte estratégico no nordeste da província de Hama na Síria foi retomado pelo exército sírio e as milícias aliadas dele após violentos combates com os terroristas do Daesh
Dezenas de terroristas foram mortas e muitos mais feridos quando as tropas governamentais da Síria recapturaram o monte №1 Abu Zain localizado na parte oriental da cidade de Ithriyah, diz a agência de notícias iraniana FARS.
Em um outro desenvolvimento, o exército sírio atacou as fortificações defensivas perto da cidade de Hirbnafsa e aldeia de Um Towaini no sudoeste da província de Hama.
Entretanto uma fonte militar informou que nas
últimas 24 horas o exército sírio eliminou pelo menos 23 militantes em
uma ofensiva contra bastiões em três aldeias na fronteira entre
as províncias de Idlib e Hama.
A Síria está em estado de guerra civil desde 2011. O governo do país luta contra um número de facções de oposição e contra grupos islamistas radicais como o Daesh (também conhecido como “Estado Islâmico”) e a Frente al-Nusra.
A Rússia realiza desde 30 de setembro de 2015, a pedido do presidente sírio Bashar Assad, uma campanha militar para ajudar o governo da Síria a combater os avanços de grupos terroristas atuantes no país.
As missões aéreas antiterroristas estão sendo realizadas a partir da base de Hmeymim no oeste da Síria, na província de Latakia.
Entretanto no início deste mês o Ministério da Defesa da Rússia confirmou que os caças multifuncionais avançados e supermanobráveis Su-35S começaram a realizar missões de combate na Síria.
aliados dos EUA no conflito sírio ficam do lado da Rússia
A participação da aviação russa no conflito sírio vem atraindo muitos aliados dos EUA no Oriente Médio a cooperar com Moscou. Quem escreve é a publicação do The Wall Street Journal, citando diplomatas árabes, israelenses e norte-americanos.
“O
reforço da ação militar da Rússia na Síria é compartilhada por aliados
de Washington no Oriente Médio — alguns países estão começando a ver a
necessidade de trabalhar em conjunto com o Kremlin, apoiando o regime
Bashar Assad", escreve o jornal.
Do ponto de vista do Wall Street Journal, esse tipo de mudança complica a situação diplomática já difícil: vitais parceiros norte-americanos ocupam posições diametralmente opostas entre si em um momento crucial.
Na última quinta-feira, representantes dos EUA, Rússia e outros países se reuniram em Munique, para discutir o cessar-fogo e a resolução a longo prazo do conflito sírio, que se arrasta há quase cinco anos.
Aqueles Estados que mais fortemente investiram na revolta contra Bashar Assad, particularmente a Turquia, Arábia Saudita e Qatar, pediram à oposição síria a não fazer concessões nas negociações e para continuar a lutar.
Já países como Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, pelo contrário, expressaram disponibilidade de aceitar o papel de Moscou na Síria e a necessidade de trabalhar mais estreitamente com o Kremlin neste sentido.
"Temos de agir em conjunto e deixar de lado todas as nossas
diferenças regionais", disse o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed
Al Nahyan, que se reuniu com o chanceler russo, Serguey Lavrov, na
semana passada.
Já a Jordânia estabeleceu em sua capital, Amã, um centro especial para coordenar as atividades na Síria com a Rússia.
Alguns analistas e diplomatas acreditam que mais aliados dos EUA tendem a ir para o lado da Rússia, porque estariam decepcionados com a posição da administração Obama sobre o conflito sírio.
"Muitas pessoas do Oriente Médio dizem que quatro anos se passaram, e os Estados Unidos organizaram um caos na Síria, ou, em geral, não fizeram nada", comentou Faysal Itani, um membro sênior do Conselho do Atlântico. Agora, esses países acreditam que a Rússia ocupou uma posição madura nesta situação, disse ele.
No ano passado, muitos países árabes tinham confiança na falta de força da posição de Bashar Assad depois da oposição lançar uma ofensiva na província de Latakia. Os militantes estavam se preparando para fazer uma ofensiva em Damasco ao largo da costa, o que poderia resultar numa pressão sobre o governo sírio.
No entanto, ao longo dos últimos meses, com a ajuda de aviação russa, o exército sírio expulsou os militantes de Latakia e os afastou para a fronteira turca.
Do ponto de vista do Wall Street Journal, esse tipo de mudança complica a situação diplomática já difícil: vitais parceiros norte-americanos ocupam posições diametralmente opostas entre si em um momento crucial.
Na última quinta-feira, representantes dos EUA, Rússia e outros países se reuniram em Munique, para discutir o cessar-fogo e a resolução a longo prazo do conflito sírio, que se arrasta há quase cinco anos.
Aqueles Estados que mais fortemente investiram na revolta contra Bashar Assad, particularmente a Turquia, Arábia Saudita e Qatar, pediram à oposição síria a não fazer concessões nas negociações e para continuar a lutar.
Já países como Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, pelo contrário, expressaram disponibilidade de aceitar o papel de Moscou na Síria e a necessidade de trabalhar mais estreitamente com o Kremlin neste sentido.
"Como resultado de nossas discussões com a
parte russa, percebemos que a sua tarefa principal é a luta contra
as organizações terroristas. Apoiamos todos os esforços internacionais
que visam a erradicação do terrorismo na Síria", disse o ministro das
Relações Exteriores egípcio, Sameh Shoukry.
Já a Jordânia estabeleceu em sua capital, Amã, um centro especial para coordenar as atividades na Síria com a Rússia.
Alguns analistas e diplomatas acreditam que mais aliados dos EUA tendem a ir para o lado da Rússia, porque estariam decepcionados com a posição da administração Obama sobre o conflito sírio.
"Muitas pessoas do Oriente Médio dizem que quatro anos se passaram, e os Estados Unidos organizaram um caos na Síria, ou, em geral, não fizeram nada", comentou Faysal Itani, um membro sênior do Conselho do Atlântico. Agora, esses países acreditam que a Rússia ocupou uma posição madura nesta situação, disse ele.
No ano passado, muitos países árabes tinham confiança na falta de força da posição de Bashar Assad depois da oposição lançar uma ofensiva na província de Latakia. Os militantes estavam se preparando para fazer uma ofensiva em Damasco ao largo da costa, o que poderia resultar numa pressão sobre o governo sírio.
No entanto, ao longo dos últimos meses, com a ajuda de aviação russa, o exército sírio expulsou os militantes de Latakia e os afastou para a fronteira turca.
Há trégua, mas não para os terroristas
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que é necessário que "cada Estado civilizado tem atualmente a obrigação de fazer a sua contrubuição no combate ao terrorismo"
O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Lavrov, ressaltou que a colaboração com os norte-americanos poderá ajudar na formaão de uma frente única antirerrorista.
Grupo de trabalhoO Grupo Internacional de Assistência à Síria (GIAS, ou ISSG, na sigla em inglês) aprovou na quinta-feira (11) um acordo que fixa uma trégua na Síria.
A reunião do GIAS teve lugar no âmbito da Conferência de Segurança em Munique, na Alemanha. Discutir segurança mundial sem lembrar-se da Síria hoje em dia seria bastante arriscado.
Segundo relatos da mídia, a reunião terminou com a assinatura de um acordo que postula a necessidade de resolver o assunto de fornecimento de aguda humanitária a todas as regiões do país e definir "a modalidade da cessão das ações militares na república árabe".
Em uma entrevista à agência de notícias RIA Novosti, Vladimir Jabarov,
primeiro vice-chefe do Comitê Internacional do Conselho da Federação
(câmara alta do parlamento russo), explicou esta modalidade: "De acordo
com as decisões do grupo, trata-se do cessar-fogo entre os grupos dentro
do país"
No entanto, a campanha militar contra os grupos terroristas Daesh
(também conhecido como "Estado Islâmico", proibido na Rússia e
reconhecido pelo Brasil como uma organização terrorista) e Frente
al-Nusra continua. O exército sírio avança em terra, enquanto a Força Aeroespacial da Rússia combate os terroristas do ar.
A operação russa começou em 30 de setembro, quando o parlamento russo aprovara o pedido correspondente de Damasco.
Em 14 de janeiro de 2016, as forças aéreas russa e síria juntaram os esforços realizando a primeira operação oficialmente conjunta
Negociações
O conflito armado na Síria, que arrastra-se desde 2011, é agravado pela presença de grupos terroristas acima descritos. No entanto, há também falta de diálogo. A tentativa mais recente, em Genebra (capital da Suíça), ficou adiada por um prazo ainda indefinido por causa da recusa de participar da bancada oposicionista. O Supremo Comitê para Negociações, órgão oposicionista baseado na Arábia Saudita, tinha anunciado a sua saída das negociações por causa de "problemas humanitários" que devem ser resolvidos primeiramente.
O enviado especial para a Síria das Nações Unidas, Staffan de Mistura, teve bastante cautela para não qualificar o acontecido como um fracasso; disse que era "uma pausa".
Nesta sexta-feira (12), de Mistura afirmou que não há uma data exata para a retomada das negociações. A única referência temporal que ele soltou foi essa: "O mais breve possível".
Porém, o dia 25 de fevereiro é falado como um prazo possível da tentativa de renovar o contato.
A operação russa começou em 30 de setembro, quando o parlamento russo aprovara o pedido correspondente de Damasco.
Em 14 de janeiro de 2016, as forças aéreas russa e síria juntaram os esforços realizando a primeira operação oficialmente conjunta
Negociações
O conflito armado na Síria, que arrastra-se desde 2011, é agravado pela presença de grupos terroristas acima descritos. No entanto, há também falta de diálogo. A tentativa mais recente, em Genebra (capital da Suíça), ficou adiada por um prazo ainda indefinido por causa da recusa de participar da bancada oposicionista. O Supremo Comitê para Negociações, órgão oposicionista baseado na Arábia Saudita, tinha anunciado a sua saída das negociações por causa de "problemas humanitários" que devem ser resolvidos primeiramente.
O enviado especial para a Síria das Nações Unidas, Staffan de Mistura, teve bastante cautela para não qualificar o acontecido como um fracasso; disse que era "uma pausa".
Nesta sexta-feira (12), de Mistura afirmou que não há uma data exata para a retomada das negociações. A única referência temporal que ele soltou foi essa: "O mais breve possível".
Porém, o dia 25 de fevereiro é falado como um prazo possível da tentativa de renovar o contato.
Lugansk denuncia S-300 ucranianos que podem preparar provocações contra aviões civis
A inteligência da autoproclamada República Popular de Lugansk avistou na zona controlada por Kiev em Donbass um sistema de mísseis antiaéreos S-300 que, segundo as milícias, pode ser usado para diversões, disse nesta sexta-feira (12) vice-chefe do Estado-Maior da Milícia da República, Igor Yaschenko.
Supostamente com o objetivo de realizar mais uma diversão contra as Repúblicas [de Donetsk e de Lugansk] na povoação de Petrenkovo [controlada pelo exército ucraniano] foi detectada a presença um sistema de mísseis antiaéreo S-300 e na área da povoação de Chuginka [também controlada pelo exército ucraniano] uma tripulação do sistema de mísseis antiaéreo Strela-10”, disse.
Ele sublinhou que estas armas são capazes de destruir jatos da aviação civil.
“As Forças Armadas da Ucrânia continuam
violando as condições de permanência de equipamento militar previstas
pelos acordos de Minsk. Assim, a nossa inteligência detectou no centro
da povoação de Chervony Zhovten concentração de equipamento militar das
Forças Armadas da Ucrânia proibido pelos acordos de Minsk”, declarou
Yaschenko a jornalistas.
Em abril de 2014, Kiev iniciou uma operação militar nas províncias de Donetsk e Lugansk para apagar os focos de insatisfação com a mudança violenta de poder no país, ocorrida em fevereiro do mesmo ano.
As hostilidades deixaram mais de nove mil mortos e 20.700 feridos, segundo números da ONU.
A questão da solução do conflito está sendo discutido, inclusive no âmbito dos encontros do grupo de contato em Minsk que desde setembro de 2014 já aprovou três documentos que regulamentam os passos de diminuição da tensão, inclusive a trégua. Porém, os dois lados do conflito denunciam violações regularmente.
O último documento – de 12 de fevereiro – prevê um cessar-fogo global no leste da Ucrânia, retirada de armas pesadas da linha de contato e criação de uma zona de segurança, assim como uma reforma constitucional com a entrada em vigor até o final do ano de 2015 de uma nova Constituição, com a descentralização como elemento-chave (tendo em conta as particularidades das regiões de Donetsk e Lugansk, acordadas com os representantes destas áreas), e também a aceitação de uma legislação sobre o estatuto de Donetsk e Lugansk.
Irã planeja desapego dos petrodólares
O Irã pode recusar-se de usar o dólar nas suas contas do petróleo que importa para o mercado global, disse à Sputnik, o vice-ministro do Petróleo interino iraniano, Masoud Hashemian Esfahani.
Segundo
Esfahani, o Irã não quer ficar dependente da moeda norte-americana e da
sua circulação no mundo. Devido a algumas restrições do Plano Universal
Conjunto de Ação, o Irã não lucrará do comércio de petróleo com o uso
do dólar
Na opinião do especialista iraniano Mohsen Maghsoudi, “pela primeira vista, a decisão de desdolarizar o petróleo iraniano parece mais política que econômica”, é “uma tentativa de perturbar o sistema norte-americano de petrodólares que domina o Oriente Médio”. Mas isso não é verdade. O Irã sofreu muito no período de sanções. Os ativos que obteve em resultado de comércio de petróleo foram congelados. Hoje os EUA ameaçam introduzir novas sanções relacionadas com testes iranianos de mísseis balísticos.
Na opinião do especialista iraniano Mohsen Maghsoudi, “pela primeira vista, a decisão de desdolarizar o petróleo iraniano parece mais política que econômica”, é “uma tentativa de perturbar o sistema norte-americano de petrodólares que domina o Oriente Médio”. Mas isso não é verdade. O Irã sofreu muito no período de sanções. Os ativos que obteve em resultado de comércio de petróleo foram congelados. Hoje os EUA ameaçam introduzir novas sanções relacionadas com testes iranianos de mísseis balísticos.
“Por isso, é possível que a decisão de não
realizar contas em dólares seja uma tentativa de proteger os ativos
iranianos de novas sanções norte-americanas. Além disso, há que lembrar
que a maioria dos compradores do petróleo iraniano são a China e países
da Europa com os quais comercia o Irã de forma muito intensa <…>.
Por isso será muito benéfico para o Irã passar para contas em moedas
nacionais (euro e yuan)”, disse Maghsoudi.
Entretanto, o especialista afirmou que tudo dependerá dos compradores.
Tendo em conta que o país pretende aumentar a produção de petróleo em
mais um milhão de barris por dia. Encontrar compradores para o tal
volume de petróleo é uma das tarefas mais difíceis para o Irã e a recusa
de usar dólar obstaculizará esta tarefa ainda mais. Pode ser que
potenciais compradores de petróleo queiram realizar contas em dólares
por que é a moeda principal do seu fundo de reservas.
É porque a decisão
deve ser coletiva. Em todos os casos, a decisão de passar para contas
em outras moedas deve ser benéfico para todos os atores do comércio
porque o objetivo principal é vender mais petróleo a preço mais
lucrativo.
Quanto resta ao governo de Cuba?
O ex-presidente do Uruguai revelou um segredo.
José Mujica disse, em uma entrevista ao jornal La República, que o atual presidente de Cuba, Raúl Castro, "vai-se [do governo], já tem a decisão tomada e tem 85 anos".
Por que?— perguntou a si mesmo. E respondeu a esta pergunta retórica assim: "Porque com a biologia não se pode lidar e é preciso respeitá-la, porque é determinante".
A data da eventual saída de Raúl Castro do governo cubano ainda não se conhece. A mídia cubana não traz esclarecimentos sobre o assunto.
Raúl Castro foi nomeado Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da República de Cuba em 2008; e em 2011, assumiu a presidência do Partido Comunista de Cuba.
O seu irmão Fidel tinha sido presidente desde 1976. Fidel Castro é o líder da Revolução Cubana, que derrotou a ditadura de Fulgencio Batista em 1 de janeiro de 1959.
O ex-presidente uruguaio lembrou-se de Cuba ao falar da sua própria situação. Respondendo a uma pergunta sobre a possibilidade de candidatar-se de novo a umas eleições presidenciais, o ex-Tupamaro disse o seguinte: "Tenho 81 anos e não sei o que será de mim quando tenha 85".
Por que?— perguntou a si mesmo. E respondeu a esta pergunta retórica assim: "Porque com a biologia não se pode lidar e é preciso respeitá-la, porque é determinante".
A data da eventual saída de Raúl Castro do governo cubano ainda não se conhece. A mídia cubana não traz esclarecimentos sobre o assunto.
Raúl Castro foi nomeado Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da República de Cuba em 2008; e em 2011, assumiu a presidência do Partido Comunista de Cuba.
O seu irmão Fidel tinha sido presidente desde 1976. Fidel Castro é o líder da Revolução Cubana, que derrotou a ditadura de Fulgencio Batista em 1 de janeiro de 1959.
O ex-presidente uruguaio lembrou-se de Cuba ao falar da sua própria situação. Respondendo a uma pergunta sobre a possibilidade de candidatar-se de novo a umas eleições presidenciais, o ex-Tupamaro disse o seguinte: "Tenho 81 anos e não sei o que será de mim quando tenha 85".
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